O ar entre Adrian e Victor parecia carregado de eletricidade.
Mesmo separados pela cerca alta, pelos homens armados e pela noite espessa, os dois se reconheciam. Não como antigos sócios. Não como inimigos recentes. Mas como predadores que sabiam exatamente do que o outro era capaz.
— Você sempre gostou de exagerar na segurança, Adrian — disse Victor, a voz tranquila demais para aquele cenário. — Ainda acha que muros resolvem tudo?
Adrian manteve-se imóvel. O corpo tenso, os olhos fixos no homem do outro lado.
— Vá embora — respondeu, curto. — Esta é a única chance que vou te dar.
Victor inclinou a cabeça, fingindo ponderar.
— Engraçado… — disse. — Você nunca foi do tipo que dava chances.
Ele deu um passo à frente, aproximando-se perigosamente da cerca. Um dos seguranças levantou a arma imediatamente.
— Nem mais um passo — advertiu o homem.
Victor ergueu as mãos lentamente, em falso gesto de rendição.
— Calma — disse, sorrindo. — Não vim causar confusão. Vim apenas… ver.
O olhar dele d