Helena
Eu soube antes do teste.
Soube no corpo, daquele jeito traiçoeiro que não pede licença nem confirmação. Um cansaço que não era físico. Um enjoo discreto que vinha e ia. Um atraso pequeno demais para ser alarde, grande demais para ser ignorado.
Passei dias fingindo que não percebia.
Não por ingenuidade. Por medo.
Medo não da possibilidade em si, mas do que ela representava. Porque eu acabava de aprender a ficar. Acabava de deixar de ser provisória. E a vida tinha esse hábito cruel de testar a gente exatamente quando algo começa a dar certo.
Naquela manhã, acordei antes de todos. A casa ainda dormia. Caminhei até o banheiro com passos silenciosos, como se o chão pudesse denunciar minha intenção.
O teste estava escondido no fundo da gaveta havia dois dias.
Eu o encarei por longos segundos antes de abrir a embalagem. As mãos tremiam levemente. Não de pânico. De antecipação. Como quem já sabe a resposta, mas ainda precisa vê-la.
Sentei-me na beirada da banheira enquanto esperava.
Os