Mundo ficciónIniciar sesiónUma fuga. Uma caçada. Um casamento que ninguém desejou, mas que o destino exigiu. Isla Morgan deveria estar no altar, selando a aliança que salvaria a empresa da família da falência. Em vez disso, estava na garupa da moto de Kai, o padeiro que prometeu um futuro simples, longe dos acordos milionários. O vestido de noiva valia uma fortuna, mas para ela, era apenas a mortalha de seus sonhos. Kai deu a ela uma escolha: fugir e viver de amor, ou casar e salvar todos, menos a si mesma. Isla escolheu fugir. Foi o único erro que cometeu. Porque Ezra Atlas não é um noivo qualquer. É um predador que compra o que deseja. E ele comprou Isla. Quando ela fugiu, ele usou o rastreador que havia costurado no próprio vestido de noiva e a caçou como uma peça de sua coleção. Agora, Isla está presa em um casamento de mentira, com um homem cujo toque é frio como o ouro que ele carrega no bolso. Kai, ferido e humilhado, jura resgatá-la, mesmo sabendo que não pode competir com o poder ilimitado de um bilionário. Em uma guerra onde o amor é a arma mais frágil e o poder a única moeda, quem vencerá: o padeiro que ofereceu seu coração, ou o bilionário que comprou o direito de possuí-la? "Fugi do Altar com o Padeiro, mas o Bilionário Me Caçou" é uma história de amor proibido, obsessão perigosa e a dura verdade: algumas escolhas não são nossas. Algumas pessoas não podem ser salvas. E alguns homens não aceitam um "não" como resposta.
Leer másIsla Desesperada
O vento noturno enrolava as pontas do véu de Isla enquanto ela se encolhia no banco de concreto, do lado de fora do prédio vazio da empresa familiar. O branco do vestido, que deveria cintilar sob as luzes da igreja, parecia uma mancha fantasmagórica na penumbra. O telefone vibrou mais uma vez, um inseto de metal e vidro em sua mão trêmula. Ela olhou para a tela. A mesma foto: o rosto severo do pai. Apertei para atender, mas não levou ao ouvido. Deixou-o no colo, no vácuo de seda e tule. A voz dele irrompeu, distorcida e metálica, preenchendo o silêncio ao redor. "Onde você está?" O som parecia vir de um abismo. Isla fitou a rua deserta, à espera dos faróis que a levariam para longe. "Eu estou fora da nossa empresa," sussurrou ela para o aparelho, como se confessasse um crime. "Duas. Horas. Isla." Cada palavra era um estalo seco. "Nós estamos na igreja. Todos estão aqui. Os Atlas estão com o semblante de pedra. Você está transformando o maior dia da nossa vida em um pesadelo." Ela respirou fundo, o ar frio cortando como uma lâmina. "Eu acho... eu acho que não quero me casar." O silêncio do outro lado da linha foi mais aterrorizante que qualquer grito. Quando a voz retornou, era um sopro carregado de gelo. "Escolha? Você fala em escolha? Seu vestido custou mais do que a declaração de falência que o contador nos entregou semana passada. Cada pérola é um empréstimo. Cada renda é uma garantia que o Ezra aceitou em vez de juros. Você não tem escolha, Isla. Você é a escolha que nós fizemos para sobreviver." "Eu posso trabalhar! Posso assumir a empresa, reestruturar, há outras formas" "Outras formas?" A risada foi breve e amarga. "Os credores não aceitam 'outras formas'. Os bancos não aceitam 'vou tentar'. Eles aceitam a assinatura do Ezra Atlas no aval. Esse casamento não é um capricho. É a assinatura em um contrato de salvação. Agora, pare de brincar de donzela em perigo e haja como a herdeira que você foi criada para ser. Venha. Para. A igreja." Isla sentiu as lágrimas queimarem, mas lutou contra elas. A maquiagem era sua armadura, por ora. "Casamento não é isso, pai. Não é um leilão. É suposto ser sobre... amor." "Do outro lado do altar está a solução para todas as nossas dívidas. Isso é amor. Amor por esta família, por este nome, por tudo que os Morgan construíram. O amor romântico é um luxo que estamos falidos para bancar. Onde você está, de verdade?" "Eu já disse. Estou fora." "Está sozinha?" O coração de Isla deu um salto. O rugido distante de uma moto começou a ecoar na avenida, crescendo como uma promessa. "Não," ela murmurou, um fio de desafio na voz. "Estou esperando o Kai. Estou neste vestido que parece um caixão de seda. Eu o amo, pai. E vou embora com ele. Para bem longe daqui." A voz do pai explodiu, não mais contida, uma torrente de raiva e desespero. "Não se atreva! Não se atreva a arruinar tudo por causa de um sonho bobo com um padeiro! Isla! Isla, você ouviu—?" Ela desligou a chamada. O som foi substituído pelo ronco potente da moto que se aproximava, um cavalo de aço salvador. Kai parou bruscamente à sua frente, o capacete escondendo seu rosto, mas não a urgência em seus gestos. Isla correu para ele, e as lágrimas, enfim, transbordaram. Caíram grossas e negras, carregadas da máscara à prova d'água, manchando o peito imaculado do vestido de noiva. Cada lágrima era um traço de carvão no pergaminho de sua condenação. Sem palavras, Kai a puxou para um abraço apertado, sentindo o corpo dela tremer contra o seu. Depois, com cuidado e determinação, a ajudou a subir na garupa da moto, ajustando as pregas volumosas do vestido como pôde. "Segura firme em mim," ele disse, sua voz abafada pelo capacete, mas firme. Ela se agarrou a sua cintura, enterrando o rosto em suas costas. A moto arrancou, rugindo contra o asfalto, levando-a para longe da igreja, da falência, do destino armado. As lágrimas não paravam. Escorriam em rios silenciosos enquanto a cidade se transformava em um borrão de luzes. O vento arrancava seu véu, levando-o para trás como uma bandeira branca de rendição a um novo destino. Dentro da igreja de São Máximo, o murmúrio dos convidados havia se transformado em um zumbido preocupante. Duas horas de atraso eram um escândalo. O senhor Morgan, com o colarinho da camisa parecendo enforcá-lo, encaminhou-se até Ezra Atlas, que permanecia impávido diante do altar, as mãos calmas atrás das costas. Com a cabeça baixa, o pai de Isla sussurrou, com os lábios trêmulos: "Ela... fugiu, senhor Atlas. Desapareceu." Ezra não se virou. Seus olhos permaneceram fixos na grande porta de carvalho da igreja. Então, lentamente, um sorriso estreito tocou seus lábios. Ele se voltou para a assembleia, e sua voz, calma e poderosa, cortou o murmúrio como uma faca. "Parem de cochichar." O silêncio caiu instantaneamente, pesado e carregado. "Hoje é o meu casamento," ele prosseguiu, a voz ecoando sob a abóbada. "Se comportem." O senhor Morgan balbuciou, perplexo. "Como assim? O casamento não pode... a Isla fugiu!" "Eu ouvi perfeitamente, Morgan," Ezra disse, ajustando o gemônio de uma das mangas de seu fraque impecável. "E não é um problema. Simplesmente vou buscar minha esposa e trazê-la de volta." "Mas... nós não sabemos onde ela está!" "Eu sei." A afirmação, dita com tanta naturalidade, congelou o ar. O senhor Morgan abriu a boca, mas nenhum som saiu. "Como o senhor...?" "Isso é irrelevante," Ezra interrompeu, começando a caminhar com passos largos e decididos pelo corredor central. Os convidados se afastavam, abrindo-lhe passagem, hipnotizados pela sua calma aterradora. Ao chegar à grande porta, ele a empurrou e, no limiar, virou-se pela última vez. A luz do final da tarde o iluminou por trás, criando uma silhueta imponente. "Senhoras e senhores," anunciou, sua voz projetando-se com autoridade absoluta. "Aguardem apenas mais quinze minutos. A noiva está a caminho." A porta fechou-se atrás dele. Lá fora, cinco carros pretos e brilhantes, motores já roncando, aguardavam em fila. Ezra entrou no primeiro. Antes de dar a ordem de partida, ele pegou seu celular. Na tela, um mapa pulsava suavemente. Um pequeno ponto vermelho piscava, movendo-se pela estrada costeira. Um rastreador. Minúsculo. Costurado no forro do corpete do vestido, naquele primeiro "encontro" onde ele a presenteou com o suposto estilista. "Segui-la," ele ordenou ao motorista. "E mantenham a distância. Deixem que ela pense que está livre." --- Na estrada costeira, longe da cidade, a moto de Kai deu um solavanco. O motor tossiu, perdeu força por um instante. "O que foi isso?" Isla perguntou, o coração apertado. "Deve ser a gasolina... ou o cabo da vela," ele respondeu, tentando manter a calma, acelerando suavemente. Mas então, o farol dianteiro cintilou uma vez, duas, e se apagou completamente, mergulhando-os em uma escuridão absoluta. Só restou o som do mar à distância e o ronco irregular do motor que lutava para não morrer. Eles estavam cegos, parando no meio da estrada deserta. No carro líder, Ezra observou o ponto vermelho no mapa parar de se mover. O sorriso se alargou. No canto da tela, uma pequena legenda indicava a distância. 2.0 km. Ele tocou o Intercomunicador. "Pronto. Ela parou. Aproximem-se. Agora."A palavra queimava na palma da mão de Kai. Vermelho. Não era um convite. Era uma provocação. Um fósforo atirado para o seu silêncio ensurdecedor.Ele não foi imediatamente. Esperou três dias. Três dias de amassar raiva com a massa, de encarar o forno como se fosse o portal para um inferno pessoal. Três noites a olhar para o cartão da galeria, a palavra manuscrita a dançar à luz do candeeiro.No quarto dia, uma quarta-feira lenta, ele fechou a padaria mais cedo. Não se arrumou. Usou jeans e uma t-shirt, as mãos ainda marcadas com farinha. Se isto era uma armadilha, que viessem apanhá-lo na sua essência mais crua.A galeria ficava numa rua lateral elegante, uma montra discreta de vidro e aço. Por trás do vidro, uma única pintura brilhava sob um foco. Era um enorme campo de papoilas, uma explosão de vermelho tão vibrante e doloroso que pareceu arrancar o ar dos pulmões de Kai à distância.O vermelho do vestido. O vermelho da paixão sufocada. O vermelho do aviso.A campainha tilintou suav
O tempo não cura. Apenas cobre. Como a neve sobre um campo de batalha, um manto de normalidade desceu sobre as vidas partidas, disfarçando o terreno acidentado por baixo.Na padaria, o despertador de Kai tocava às 3h45, como sempre. As mãos mergulhavam na farinha, amassavam a massa, davam-lhe forma com uma precisão que era agora um ritual vazio. O cheiro do pão a cozer já não lhe trazia paz. Era o cheiro da sua própria vida, a repetir-se em ciclo infinito. Os clientes vinham, compravam, elogiavam. "O melhor pão da cidade, Kai!" Ele agradecia com um aceno, os olhos vazios. O "melhor pão" sabia-lhe a cinzas.Sofia tentava. Aparecia mais vezes, trazia-lhe comida, contava-lhe as novidades do seu trabalho na biblioteca. Mas via a sombra nos olhos do irmão. A ausência. Isla não era mencionada. Tornara-se um fantasma que habitava o espaço entre eles, um vazio palpável em cada silêncio.Uma tarde, enquanto ajudava a arrumar as prateleiras, Sofia parou. "Ele parou, sabes? Ezra. Os homens. As a
A oferta de Clara pairou no terraço como um véu envenenado. Era a saída perfeita. Era a armadilha final. Isla olhou para Kai, cujo rosto era uma paisagem de guerra interna. Viu a exaustão, o amor desgastado até ao osso, e um último fio de esperança teimosa. "Eu não posso," disse Kai, a voz rouca, mas firme. "Não outra vez. Não escondido, como um criminoso. Não se for para viver a olhar por cima do ombro, Isla. Desta vez, a fuga tem de ser para a luz. Ou não será." As palavras dele eram um balde de água gelada no desespero de Isla. Ele estava certo. Fugir com Clara, para as sombras dela, não era liberdade. Era trocar uma prisão por outra. Clara não pareceu surpreendida. Apenas inclinou a cabeça, um brilho calculista nos olhos. "Nobre. E fútil. Ezra não vai parar. E ele tem os recursos para transformar a tua luz em escuridão, Kai." Foi então que a porta do terraço se abriu com violência. Ezra estava ali, a sua compostura rachada, revelando a fúria negra por baixo. O sorriso que u
A tensão na Torre Atlas cristalizou-se em formalidade gelada. Ezra convocou um jantar. Não um jantar íntimo, mas um evento. Um banquete para celebrar a "nova era de estabilidade" pós-Van Holt. Uma demonstração de força. E, não por acaso, o palco escolhido foi o restaurante mais exclusivo da cidade, com vista para o rio — e, a poucos quarteirões de distância, para a padaria de Kai. Os convites foram enviados em papel pesado, com letras gravadas a fogo. Para Isla, foi entregue por um assistente pessoal, juntamente com um vestido não uma sugestão, uma provisão. Um deslumbramento de seda cor de vinho, cortado para se moldar ao seu corpo como uma segunda pele. A mensagem era clara: ela seria a joia da sua coroa nesta noite. Para Kai, o convite chegou por correio comum, em envelope branco. A caligrafia era a mesma do cartão de visita de Ezra. Breve, seca: "Sua presença é esperada. 20h. Venha ver o mundo que ela escolheu." Era uma armadilha. Obvia. E brutal. Kai rasgou o convite ao me
O silêncio na Torre Atlas tinha um peso diferente. Não era o silêncio vazio da espera, mas o silêncio denso e carregado de coisas não ditas que ecoavam nos corredores de mármore. Ezra, sentado à sua monumental escrivaninha de ébano, não via gráficos de ações ou relatórios de fusão. Via o rosto de Isla ao sair do apartamento do padeiro, a mão tocando os lábios como se guardasse um segredo tangível.A raiva que sentira no laboratório transformara-se em algo mais obsessivo, mais afiado. Ele não queria apenas vencer Kai. Queria erodi-lo. Queria provar a Isla, célula por célula, que a segurança que ele oferecia era superior a qualquer paixão efémera. Mas para isso, precisava do próprio Kai. Precisava que ele falhasse, que se revelasse pequeno. E Ezra era um mestre em forçar os outros a mostrarem as suas fraquezas.Na padaria, a normalidade era uma mentira fina. Kai reabrira as portas, e o cheiro doce do pão voltara a encher o espaço. Os clientes regressaram, alguns com olhares curiosos, ou
A terça-feira amanheceu com um céu de chumbo, prometendo tempestade. O tribunal do condado era um bloco de granito cinzento que parecia sugar toda a luz do dia. Kai chegou cedo, misturando-se com a multidão de repórteres, advogados e curiosos. O ar cheirava a café barato e tensão.Usava um blazer escuro emprestado, demasiado largo nos ombros, e sentia-se como um impostor. No bolso, o telefone descartável de Voss pesava como um tijolo. No outro bolso, o isqueiro de plástico. Duas lealdades, uma farsa.Ele avistou Ezra primeiro. O homem estava impecável num fato de três peças, conversando com um advogado perto das portas de madeira maciça. A postura era de controle absoluto, mas Kai, que aprendera a ler as pessoas pelo seu ritmo na padaria, viu a rigidez nos seus ombros. Ele sabe que estive com ela.Então, viu Isla. Entrava por uma porta lateral, de braço dado com Clara Van Holt. Vestia um tailleur cinzento escuro, cabelo preso num coque severo que realçava a elegância trágica das suas





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