O som abafado de aplausos e de uma música solene de órgão vazou pelas frestas da porta da igreja. Kai fechou os olhos. Conseguiu distinguir a melodia. Era a mesma que sua avó tocava no piano velho dela. Uma música de fim.Dentro, Isla já não chorava. As lágrimas tinham secado, deixando apenas um salgado ardente nos cantos dos olhos e a maquiagem destruída. Ela estava de pé, rígida, ao lado de Ezra Atlas. Suas mãos, dentro das luvas de renda branca e fina, estavam geladas. Por um instante, através do vitral colorido que mostrava um santo de olhos tristes, ela viu a silhueta de Kai. Parada. E depois, desaparecendo como uma sombra quando o sol se move. Algo dentro de seu peito rachou. Não foi dramático. Foi um estalo seco, interno, como o de um galho sob o peso da neve.Eu falhei com ele, pensou, e o pensamento era um diagnóstico clínico, sem emoção. Falhei em ser forte o bastante para salvar a empresa sozinha. Falhei em ser corajosa o bastante para sumir sem olhar para trás. Falhei e
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