Mundo de ficçãoIniciar sessãoClark me puxou pelos cabelos até o carro. A dor era aguda, lancinante, mas eu não gritei. Não ia dar a ele esse prazer.
Ele abriu a porta e me jogou no banco de trás como se eu fosse um saco de lixo. A porta fechou com um estalo seco. Através do vidro, eu vi Bruce. Ele estava na porta de vidro da padaria, se apoiando no batente, a perna tremendo, o rosto machucado. Ele não tentou correr atrás de mim. Sabia que não ia conseguir. Ele só me olhou. Com aquele olhar. O olhar de quem acabou de perder tudo. Vi ele abrir o frasco de Vicodin com mãos trêmulas. Engoliu um comprimido seco, sem água. A dor na perna devia estar insuportável. Mas a dor no peito dele era pior. O carro arrancou. Bruce foi ficando pequeno no retrovisor. Depois sumiu. Clark estava ao meu lado, a respiração pesada, os olhos selvagens. — Você é um brinquedo, Iza — ele disse, a voz baixa e cortante. — Um brinquedo caro que eu comprei. E brinquedo não tem vontade própria. Eu não respondi. Não ia dar corda. — Você foi uma aquisição. Um investimento. Seu pai te vendeu por um punhado de moedas. Sua família te entregou num prato. E você ainda acha que pode me desafiar? Ele riu. Um som frio. — Você não é nada, Iza. Nunca foi. Você só existe porque eu permiti. Senti as palavras entrarem como facas. Mas não doía mais. Já estava tão machucada que mais uma ferida não fazia diferença. — E se continuar com esse joguinho — ele continuou, a voz baixando, perigosa — o Bruce vai sofrer por sua causa. Não vai ser uma surra. Vai ser pior. Vai ser lento. Vai ser todo dia. Até ele pedir pra morrer. Fechei os olhos. — O que você quer de mim? Ele sorriu. A mão dele tocou meu rosto, falso, macio. — Quero que você pare de lutar. Quero que você aceite. Quero que você seja minha. De verdade. Abri os olhos. — Nunca. O sorriso dele não vacilou. — Vamos ver. --- Chegamos à mansão. Clark entrou primeiro, deixando a porta aberta para que os seguranças me escoltassem. Subimos as escadas. Ele me jogou no quarto. — Fica aqui. Pensa no que eu disse. — Ele se virou na porta. — O Bruce não merece morrer por sua teimosia. A porta se fechou. Fiquei sozinha. O silêncio do quarto era ensurdecedor. Fui até a janela. Olhei para o horizonte. Bruce estava lá fora, em algum lugar, machucado e sozinho. Ele tinha me visto ser arrastada. Tinha visto Clark gritar comigo. E não pôde fazer nada. Senti as lágrimas virem. Mas não chorei. Em vez disso, peguei o celular roubado. As provas ainda estavam lá. Mas agora eu sabia: "L" era Clark o tempo todo. Ele criou a identidade para me manipular. Cada mensagem, cada encontro, cada migalha de esperança — tudo era ele. E Bruce estava pagando o preço. Guardei o celular. Deitei na cama. Olhei para o teto. Precisava de um novo plano. Precisava salvar Bruce. Mesmo que isso significasse me perder no processo. --- Na padaria, Bruce estava sentado no chão. A muleta ao lado. A perna doendo. O coração doendo mais. O Vicodin tinha aliviado a dor física. Mas a dor de ver Iza ser arrastada por Clark era uma coisa que nenhum remédio podia curar. Ele enterrou o rosto nas mãos. — Eu sou um inútil — sussurrou. Mas então ele lembrou de algo. O celular de Clark que Iza tinha roubado. Ela estava fotografando provas antes de ser pega. Se ela tivesse conseguido enviar alguma coisa antes de Clark descobrir... Bruce pegou o próprio celular. Abriu as mensagens. Não tinha nada de Iza. Mas ele sabia que ela tentaria. Quando tivesse chance. Ele só precisava esperar. E se preparar. Porque da próxima vez que Clark viesse buscar Iza, Bruce ia estar pronto. Mesmo que isso significasse queimar o mundo inteiro.






