O tempo não cura. Apenas cobre. Como a neve sobre um campo de batalha, um manto de normalidade desceu sobre as vidas partidas, disfarçando o terreno acidentado por baixo.
Na padaria, o despertador de Kai tocava às 3h45, como sempre. As mãos mergulhavam na farinha, amassavam a massa, davam-lhe forma com uma precisão que era agora um ritual vazio. O cheiro do pão a cozer já não lhe trazia paz. Era o cheiro da sua própria vida, a repetir-se em ciclo infinito. Os clientes vinham, compravam, elogiav