Mundo de ficçãoIniciar sessãoA mansão de Clark era um monumento ao excesso. Mármore branco. Lustres de cristal. Escadas que pareciam levar ao céu.
Para mim, era uma prisão. Entrei atrás dele, meus passos ecoando no silêncio do saguão. Os seguranças ficaram na porta. Os criados desapareceram como fantasmas. Clark parou no meio da sala. Virou-se lentamente. Os olhos dele percorreram meu vestido rasgado, minha maquiagem borrada. — Você está um caos — ele disse, sem emoção. — Você está um monstro — respondi, sem hesitar. O sorriso dele foi lento, perigoso. — Bem-vinda ao seu novo lar, Iza. Vou te dar cinco minutos para se recompor. Depois, a gente conversa sobre as regras. — Regras? — Sim. — Ele deu um passo à frente. — Porque isso aqui não é uma democracia. É uma monarquia. E eu sou o rei. Ele subiu as escadas sem olhar para trás. Fiquei parada no meio do saguão, as mãos tremendo, o coração disparado. Cinco minutos. Olhei em volta. Portas. Corredores. Janelas gradeadas. Prisão. Respirei fundo. Apertei o celular roubado no bolso. Armas. Eu tinha uma arma. E ia usar. Cinco minutos depois, Clark apareceu na sacada do segundo andar. Ajustou o paletó. Desceu as escadas como um rei descendo ao trono. Eu estava de pé, os braços cruzados, o olhar desafiador. Ele parou na minha frente. Perfume caro. Aroma de poder. — Primeira regra — ele começou, a voz calma, controlada. — Quando eu estiver com você em público, você vai me obedecer. Revirei os olhos. — Segunda regra — ele continuou, como se eu não tivesse reagido. — Você vai sorrir. Vai segurar minha mão. Vai me chamar de "amor" quando necessário. — E se eu não fizer? O sorriso dele se alargou. — Lembre-se, Iza: seu pai está nas minhas mãos. A empresa dele também. E você, minha querida, está na minha casa. Não existe ninguém para te salvar aqui. Senti o sangue ferver, mas não recuei. — Você acha que me assusta com ameaças? — Não estou tentando te assustar. — Ele inclinou a cabeça. — Estou te avisando. Porque na próxima vez que você me desafiar em público, não vai ser bonito. — Bonito? — Rir. Um riso curto, amargo. — Você acha que eu me importo com "bonito"? Você me arrastou para esse casamento contra a minha vontade. Ameaçou o homem que eu amo. Mandou espancar ele. E agora quer que eu finja que está tudo bem? Clark deu um passo à frente. Os olhos escuros, a respiração controlada. — Você não entendeu, Iza. Eu não estou pedindo. Estou impondo. Você vai obedecer porque se não obedecer, as consequências vão cair sobre as pessoas que você ama. Seu pai. Bruce. Qualquer um que você ousar se importar. Senti o estômago revirar, mas não baixei o olhar. — Você acha que pode me controlar com medo? — Eu sei que posso. — Então você é mais burro do que eu pensei. O silêncio caiu. Clark me encarou, os olhos estreitos, o sorriso desaparecendo. — Você acha que vai ficar intocável por conta de um simples celular? — Ele deu outro passo. A voz baixou, um sussurro gelado. — Você está escrevendo na água, Iza. Esse celular não te protege. Não te salva. Não te dá poder. — Me dá uma coisa que você não tem. — O quê? — A verdade. — Segurei o celular no bolso. — Você pode ter dinheiro. Pode ter poder. Pode ter seguranças. Mas eu tenho todas as suas mentiras. E quando eu decidir usá-las, você vai cair. Como um castelo de cartas. Clark ficou em silêncio por um segundo. Depois, devagar, o sorriso voltou. — Você é adorável quando está brava. — E você é patético quando está desesperado. O rosto dele se fechou. A mão dele agarrou meu queixo com força, obrigando-me a olhar nos olhos dele. — Você nunca vai dormir comigo. Isso eu já entendi. — A voz era um murmúrio. — Mas isso não significa que eu não vou te provar. Não significa que eu não vou te quebrar. Uma hora, Iza. Uma hora você vai se ajoelhar. Eu cuspi na cara dele. Clark não se moveu. A saliva escorreu pelo rosto dele, lenta, até pingar no chão de mármore. Ele passou o dedo, limpando devagar. Depois, riu. — Boa menina — ele sussurrou. — Da próxima vez, eu não vou ser bonzinho. Ele me soltou. Virou as costas. Subiu as escadas. Fiquei parada, o coração disparado, as mãos tremendo, mas a cabeça erguida. Eu tinha vencido aquela batalha. Mas a guerra estava longe de acabar. No quarto, fechei a porta. O coração batia tão forte que parecia que ia sair do peito. Fui até a janela. Olhei para a rua lá embaixo. Gradeada. Vigilantes. Eu estava presa. Mas tinha uma arma. Abri o celular roubado. As mensagens. Os contatos. As fotos. Provas. Comecei a fotografar tudo. Rápido. Silencioso. Cada mensagem, cada contrato, cada nome. — Você acha que pode me quebrar, Clark? — sussurrei, o sorriso voltando ao meu rosto. — Você não faz ideia do que eu sou capaz. O celular vibrou. Mensagem de "L". "Amanhã. Padaria. 10h. Não confie em ninguém. Venha sozinha." Sorri. Eu não estava sozinha. No escritório, Clark olhava para a tela do computador. A imagem de Iza no quarto, filmada pela câmera escondida. Ele viu ela pegar o celular. Viu ela fotografar os arquivos. — Que bom — ele murmurou, os dedos batendo na mesa. — Você está fazendo exatamente o que eu esperava. Ele pegou o telefone. — Coloque mais segurança na padaria amanhã. Ela vai sair. E eu quero saber com quem ela vai se encontrar. A voz do segurança respondeu: — Sim, senhor. Clark desligou. O sorriso no rosto era gelado. — Você acha que está me vencendo, Iza? — ele sussurrou. — Você está apenas me dando as ferramentas para destruir você.






