Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo colégio Montclair, onde as aparências importam mais que verdades, Aurora não está interessada em se enturmar. Com a cabeça sempre nos livros e os fones nos ouvidos, ela planeja sobreviver aos últimos anos escolares sem chamar atenção. Mas tudo muda quando ela presencia um confronto entre Davi — o misterioso aluno novo que tem fama de “encrenca” — e o time de basquete. A partir daí, Aurora é arrastada para um mundo de segredos, lealdades divididas, amizades perigosas... e sentimentos inesperados. Entre beijos roubados, confusões no pátio e juras sussurradas sob o céu noturno, ela descobre que o amor pode nascer nas sombras — e brilhar mais que qualquer estrela.
Ler maisO silêncio na casa de Aurora não era incômodo — era cheio de significados.Desde que a primeira edição de O que Resta havia sido lançada, ela passava mais tempo sozinha, como se precisasse digerir tudo aquilo que as palavras de Mathieu haviam remexido dentro dela.Na estante, o livro ocupava um lugar modesto, entre dois volumes antigos de Clarice Lispector.Mas, para Aurora, ele pesava mais que todos os outros juntos.Não porque ainda doía.Mas porque, finalmente, não doía mais.Era como encontrar uma fotografia antiga e perceber que a imagem já não traz saudade, mas gratidão.Na Constela, o novo projeto — “Estações” — começava a tomar forma.Era uma série de coletâneas temáticas, cada uma inspirada em uma estação do ano, reunindo textos curtos, memórias, fragmentos de vidas que nunca virariam romances, mas que mereciam ser ditas.Mariana liderava o editorial da primeira edição: Primavera.Davi, por sua vez, havia assumido a coordenação das oficinas de escrita criativa com jovens de e
Era uma sexta-feira de céu melancólico quando Aurora recebeu a mensagem:*“Boa tarde. Me chamo Clara, tenho 15 anos.Escrevi uma carta para o projeto ‘Cartas que o Tempo Guardou’, mas não tive coragem de mandar.Agora acho que preciso estar onde aquela carta poderia ter sido lida.Posso visitar o Refúgio?”*Aurora releu várias vezes.Não era comum receber pedidos assim — diretos, frágeis, como se a menina tivesse reunido coragem em gotas.Respondeu imediatamente:*“Clara, o Refúgio está de portas abertas.Traga sua carta — ou só o que você quiser compartilhar.”*Clara chegou no sábado, no meio da tarde.Usava um moletom azul com as mangas puxadas até as mãos.Andava devagar, como quem mede o solo antes de confiar nele.E trazia consigo apenas uma mochila pequena e um envelope dobrado, já com vincos de hesitação.Aurora foi recebê-la pessoalmente.— Bem-vinda.— Obrigada. — Clara respondeu sem olhar nos olhos.A casa estava vazia naquele fim de semana.Era como se o universo tivesse re
Quando Aurora voltou ao Brasil, encontrou a sede da Constela diferente.Havia flores novas no jardim.Havia uma fila de caixas de livros recém-chegados da gráfica.Havia vozes animadas nos corredores e reuniões improvisadas nos sofás da recepção.Mas o que mais chamou atenção foi o mural da entrada.Lá, entre fotos e frases que celebravam projetos passados, havia uma folha nova, pendurada por Mariana:*“O crescimento é uma estrada.Mas quem esquece o caminho… vira só mais um endereço.”*Aurora parou, leu, sorriu.E respirou fundo.O sucesso de O que Resta havia virado manchete em jornais nacionais.Matérias elogiavam o “selo independente que emocionou a Europa”, enquanto editoras grandes começavam a enviar propostas de parceria.A Constela estava, finalmente, no radar.— A gente tá recebendo contato de tudo quanto é lado — disse Davi, em uma das reuniões.— Tem gente querendo vender a marca, comprar os direitos de distribuição, transformar nossos livros em séries pra streaming...Auro
As primeiras resenhas internacionais de O que Resta começaram a surgir em blogs literários franceses, espanhóis e canadenses. Ninguém na Constela sabia exatamente como o livro havia cruzado fronteiras tão rápido — talvez fosse o poder silencioso das histórias que falam de amor que nunca se desfaz.Aurora lia uma crítica traduzida no celular, sentada à beira da janela da editora, quando Mariana entrou empolgada.— Aurora... a gente precisa conversar.— Bom ou ruim? — ela perguntou, meio rindo, meio temendo.— Bom. Inacreditável, na verdade.Mariana entregou o tablet com um e-mail aberto. Era de uma agente literária de Lyon.Bonjour,O manuscrito “Ce qui reste” chamou atenção por aqui. Temos leitores franceses e suíços interessados em uma edição bilíngue. Uma possível turnê de divulgação. E... um convite para o Salon du Livre de Paris.Estamos impressionados com a delicadeza editorial da Constela. O livro é um tesouro sensível.Esperamos que aceitem conversar.Avec respect,Claire Desch










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