Era uma quarta-feira morna e esquecível — dessas em que o céu parece suspenso por um fio — quando Mariana entrou na sala de Aurora com um envelope nas mãos.
— Esse chegou do exterior — disse, com curiosidade.
— O selo é francês. E está endereçado… só a você.
Aurora franziu a testa.
Ela conhecia aquela caligrafia.
Mesmo tantos anos depois.
Mesmo depois de ter dito a si mesma que esquecer era o melhor caminho.
Sentou-se devagar, como se o corpo soubesse o que o coração ainda negava.
Abriu o envel