Aurora sempre achou que dor tivesse som.
Um grito. Um soluço. Um estalo.
Mas naquele sábado, quando foi até a casa de Davi e ele abriu a porta com os olhos vermelhos e a respiração falha, ela percebeu:
Às vezes, a dor é muda. E ainda assim, ensurdece.
Ele não disse nada. Apenas saiu da frente, deixando que ela entrasse. A casa estava diferente. Silenciosa demais. O quarto escuro, com as cortinas fechadas, roupas no chão, uma caneca de café frio em cima do caderno de desenhos.
Aurora se sentou n