O silêncio na casa de Aurora não era incômodo — era cheio de significados.
Desde que a primeira edição de O que Resta havia sido lançada, ela passava mais tempo sozinha, como se precisasse digerir tudo aquilo que as palavras de Mathieu haviam remexido dentro dela.
Na estante, o livro ocupava um lugar modesto, entre dois volumes antigos de Clarice Lispector.
Mas, para Aurora, ele pesava mais que todos os outros juntos.
Não porque ainda doía.
Mas porque, finalmente, não doía mais.
Era como encont