Mundo de ficçãoIniciar sessãoNina Santos é uma engenheira da computação de 26 anos que trabalha em um café após não conseguir oportunidades na sua área. Estabanada por natureza, sua vida muda completamente quando esbarra literalmente com um homem misterioso em uma manhã corrida, derramando café em sua camisa impecável. O que ela não imagina é que acabou de conhecer Alexander Stone, o CEO bilionário da maior empresa de segurança cibernética do mundo. Quando Nina vê um anúncio sobre um programa trainee para profissionais que não tiveram oportunidades após a formação, ela se inscreve sem hesitar. Para sua surpresa, é selecionada para trabalhar na CyberShield Corp, sob supervisão direta do próprio CEO - o mesmo homem que ela havia "atacado" com café dias antes. Entre situações hilárias, tensão sexual crescente e a descoberta de que por trás da fachada de CEO ranzinza existe um homem apaixonante, Nina e Alex embarcam em uma jornada repleta de paixão, comédia e segundas chances. Ele, acostumado ao controle absoluto, se vê perdido diante da espontaneidade dela. Ela, determinada a provar seu valor profissional, luta contra a atração avassaladora que sente pelo chefe. Uma história sobre amor que supera diferenças, crescimento pessoal e a coragem de arriscar tudo por uma segunda chance na vida e no amor.
Ler maisA manhã de segunda-feira em Neo Manhattan começou como todas as outras para Nina Santos: com o despertador tocando insistentemente às cinco e meia da manhã, seguido por uma correria desenfreada para não se atrasar no trabalho. Aos vinte e seis anos, ela havia desenvolvido uma rotina quase militar para conseguir sair de seu pequeno apartamento kitnet no bairro de Riverside e chegar ao "Café & Companhia" no centro financeiro antes das sete horas.
Nina saltou da cama com os cabelos castanhos escuros completamente bagunçados, formando uma espécie de ninho de pássaro que desafiava qualquer tentativa de domesticação matinal. Seus olhos castanhos intensos ainda estavam embaçados pelo sono quando ela tropeçou no próprio pé ao tentar alcançar o interruptor da luz. — Ai, meu Deus! Murmurou para si mesma, uma expressão que havia se tornado sua marca registrada sempre que algo dava errado - o que, convenhamos, acontecia com uma frequência impressionante na vida de Nina Santos. O chuveiro gelado a despertou completamente, e ela se vestiu rapidamente com uma calça jeans escura, uma blusa branca simples e tênis confortáveis - o uniforme não oficial de quem passava o dia inteiro em pé atendendo clientes. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo meio torto, passou um pouco de rímel nos cílios e considerou-se apresentável para mais um dia de trabalho. Nina olhou-se no espelho pequeno e embaçado do banheiro e suspirou. Quatro anos desde que se formou em Engenharia da Computação, e ali estava ela, servindo café e sanduíches para executivos que provavelmente ganhavam em um mês o que ela ganhava em um ano. Não que ela se envergonhasse do trabalho - Dona Rosa era como uma mãe para ela, e o ambiente do café era acolhedor - mas não podia negar que sonhava com algo mais. — Um dia, um dia eu vou trabalhar com o que estudei. Disse para seu reflexo, com a determinação que sempre a acompanhava nas manhãs de segunda-feira. Pegou a bolsa, verificou se tinha as chaves, a carteira e o celular, e saiu correndo. O elevador do prédio estava quebrado novamente, então foram quatro lances de escada descendo dois degraus por vez, numa dança perigosa que ela havia aperfeiçoado ao longo dos dois anos morando ali. A estação de metrô estava lotada como sempre, e Nina se espremeu entre executivos bem vestidos, estudantes sonolentos e trabalhadores de todas as idades que compunham a multidão matinal de Neo Manhattan. Durante os vinte minutos de viagem, ela aproveitou para revisar mentalmente a lista de tarefas do dia: preparar o café especial da segunda-feira, conferir o estoque de doces, organizar as mesas do pátio externo que haviam sido reorganizadas no fim de semana. Quando finalmente chegou à estação Manhattan Heights, Nina subiu as escadas correndo, ansiosa para respirar o ar fresco da manhã. O distrito financeiro já estava acordando, com pessoas caminhando apressadamente pelas calçadas largas, carros de luxo passando pelas avenidas e os primeiros raios de sol refletindo nas fachadas de vidro dos arranha-céus. O "Café & Companhia" ficava no térreo de um prédio comercial de quinze andares, estrategicamente localizado entre duas torres empresariais importantes. Era um local pequeno mas aconchegante, com mesas de madeira rústica, plantas pendentes que Dona Rosa cuidava com carinho maternal, e o aroma constante de café fresco que fazia qualquer pessoa querer entrar e ficar. — Bom dia, minha filha! Cumprimentou Dona Rosa assim que Nina entrou pela porta dos fundos. A mulher de cinquenta e cinco anos, com cabelos grisalhos sempre presos em um coque e um sorriso caloroso que iluminava o ambiente, estava como sempre preparando os primeiros lotes de café do dia. — Bom dia, Dona Rosa! Como foi o fim de semana? — Tranquilo, querida. Fui visitar minha irmã em Brooklyn. E você? Estudou muito? Nina sorriu. Dona Rosa sabia que ela passava os fins de semana estudando programação e fazendo cursos online, sempre na esperança de conseguir uma oportunidade na área de tecnologia. A proprietária do café era uma das poucas pessoas que realmente acreditava no potencial de Nina e sempre a incentivava a não desistir dos sonhos. — Terminei um curso de segurança cibernética. Quem sabe não aparece uma oportunidade logo? — Vai aparecer, minha filha. Você é muito inteligente e determinada. Só precisa da chance certa. Miguel, o barista experiente que trabalhava no café há dez anos, chegou poucos minutos depois, cumprimentando as duas com seu jeito calmo e eficiente. Aos quarenta anos, ele conhecia os gostos de praticamente todos os clientes regulares e tinha uma memória impressionante para rostos e pedidos. — Nina, hoje é segunda-feira. Você sabe o que isso significa. Nina gemeu dramaticamente. — Dia de executivos estressados e pedidos complicados. — Exatamente. Prepare-se para os 'café duplo extra forte com leite de aveia, sem açúcar, mas com duas colheres de adoçante, temperatura exata de sessenta graus' da vida. Os três riram, e Nina sentiu aquela sensação familiar de pertencimento que o café lhe proporcionava. Mesmo não sendo o trabalho dos seus sonhos, ela havia encontrado ali uma segunda família que a apoiava e acreditava nela. Às sete horas em ponto, Dona Rosa virou a placa da porta para "Aberto", e os primeiros clientes começaram a chegar. A manhã transcorreu normalmente, com o movimento típico de segunda-feira: pessoas pedindo café para levar, executivos checando emails enquanto tomavam espresso, e o burburinho constante de conversas sobre reuniões, projetos e deadlines. Por volta das nove horas, quando o movimento matinal estava começando a diminuir, Nina estava organizando as mesas do pátio externo quando ouviu Miguel gritar do balcão: — Nina! Pedido para viagem! Café americano duplo, sem açúcar! — Já vou! Respondeu ela, terminando de limpar a última mesa. Nina entrou correndo no café, pegou o copo de papel com o café fumegante e se dirigiu ao balcão onde um homem estava de costas, mexendo no celular. Ela podia ver apenas que ele era alto, vestia um terno escuro impecável e tinha cabelos pretos bem cortados. — Café americano duplo! Anunciou Nina, estendendo o copo. O homem se virou, e Nina sentiu como se o mundo tivesse parado por um segundo. Olhos verdes intensos, quase esmeralda, a encararam com uma expressão que misturava surpresa e algo que ela não conseguiu identificar. O rosto era anguloso, com uma mandíbula marcada e lábios que pareciam ter sido esculpidos por um artista. Ele era, sem dúvida, o homem mais bonito que ela já havia visto na vida. Por um momento que pareceu uma eternidade, eles apenas se olharam. Nina sentiu seu coração acelerar de uma forma que não tinha nada a ver com a correria matinal, e uma sensação estranha se espalhou pelo seu estômago, como se milhares de borboletas tivessem decidido fazer uma festa ali dentro. — Obrigado. Ele disse, e até mesmo a voz era perfeita - grave, aveludada, com um tom que fazia Nina querer ouvir mais. Ela estendeu o copo, tentando parecer profissional, mas suas mãos estavam ligeiramente trêmulas. Foi quando aconteceu o desastre que mudaria sua vida para sempre. Nina, em sua eterna falta de coordenação motora, tropeçou no próprio pé ao dar um passo para trás. Seus braços se agitaram no ar numa tentativa desesperada de recuperar o equilíbrio, mas foi tarde demais. O copo de café voou de suas mãos como se tivesse vida própria, descrevendo um arco perfeito no ar antes de aterrissar diretamente na camisa branca impecável do homem mais bonito que ela já havia visto. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Nina ficou paralisada, observando a mancha marrom se espalhando pela camisa cara, enquanto o café pingava no chão de madeira. Dona Rosa e Miguel pararam o que estavam fazendo, e os poucos clientes presentes se viraram para ver o que havia acontecido. — Ai, meu Deus! Eu sinto muito! Muito, muito mesmo! Eu sou um desastre ambulante, eu juro que não foi de propósito! Ela pegou vários guardanapos do balcão e começou a tentar limpar a camisa dele, sem perceber que estava praticamente tocando o peito do homem. Suas mãos tremiam enquanto ela tentava desesperadamente reparar o estrago. — Eu vou pagar a lavanderia! Ou comprar uma camisa nova! Ou as duas coisas! Ai, que vergonha, desculpa mesmo, eu sou muito estabanada, sempre faço essas coisas, minha mãe sempre disse que eu nasci com dois pés esquerdos... Nina continuava falando sem parar, numa mistura de nervosismo e mortificação, quando sentiu uma mão firme segurar delicadamente seu pulso, interrompendo seus movimentos frenéticos de limpeza. — Está tudo bem. Ele disse, e havia algo na voz dele que a fez parar de falar imediatamente. Nina levantou os olhos e se deparou novamente com aqueles olhos verdes hipnotizantes. Ele não parecia irritado, como ela esperava. Na verdade, havia um brilho divertido em seu olhar, como se estivesse se esforçando para não sorrir. — Eu... eu sinto muito. Ela repetiu, mais baixo desta vez, subitamente consciente de que ainda estava muito próxima dele e que podia sentir o perfume masculino que emanava de sua pele - algo caro e sofisticado que a fazia querer respirar mais profundamente. — Acidentes acontecem. Não se preocupe. — Mas sua camisa... Nina olhou para a mancha com expressão de desespero. — É só uma camisa. A simplicidade da resposta a surpreendeu. A maioria dos executivos que frequentavam o café ficaria furiosa com uma situação dessas. Mas ele parecia genuinamente tranquilo, como se derramar café em roupas caras fosse algo corriqueiro em sua vida. — Deixe-me pelo menos pagar a lavanderia. Nina insistiu, procurando na bolsa por um cartão ou papel onde pudesse anotar seu número. — Não é necessário. Mas obrigado pela oferta. Ele disse, pegando alguns guardanapos para terminar de se limpar. Ele colocou uma nota de vinte dólares no balcão - muito mais do que custava o café - e se dirigiu à porta. Nina ficou parada, ainda processando o que havia acontecido, quando ele se virou uma última vez. — Tenha um bom dia. Disse ele, e dessa vez Nina teve certeza de que viu um pequeno sorriso no canto de sua boca antes dele sair. Nina ficou ali parada, olhando pela vitrine enquanto ele caminhava pela calçada com passos confiantes, até desaparecer na multidão matinal. Só então ela percebeu que Dona Rosa e Miguel estavam a observando com expressões divertidas. — Bem, essa foi interessante. Disse Miguel, voltando para a máquina de café. — Nina, querida, você está vermelha como um tomate. Dona Rosa se aproximou com um sorriso maternal. — Eu derramei café nele! No homem mais bonito que eu já vi na vida! Como eu posso ser tão desastrada? — Ele não pareceu incomodado. Na verdade, parecia até... interessado. Observou Miguel. — Interessado? Eu derramei café nele! Ninguém fica interessado em alguém que derrama café neles! — Você ficaria surpresa. Às vezes os encontros mais inesperados são os que marcam nossa vida. Dona Rosa disse, dando tapinhas carinhosos no ombro de Nina. Nina balançou a cabeça, ainda mortificada. — Ele provavelmente nunca mais vai voltar aqui. E se voltar, vai pedir para outra pessoa atendê-lo. — Veremos. Miguel disse com um sorriso misterioso. O resto da manhã passou rapidamente, mas Nina não conseguiu tirar o homem misterioso da cabeça. Ela se pegou olhando pela vitrine várias vezes, esperando vê-lo passar novamente, e se irritou consigo mesma por isso. Era ridículo ficar pensando em alguém que ela havia conhecido por menos de cinco minutos e em quem havia derramado café. Durante o almoço, quando o movimento diminuiu, Nina se sentou em uma das mesas do fundo com seu sanduíche e abriu o laptop que sempre levava para o trabalho. Tinha o hábito de usar os intervalos para estudar ou procurar oportunidades de emprego na área de tecnologia. Foi quando ela viu o anúncio que mudaria sua vida. "CyberShield Corp - Programa Trainee para Profissionais Experientes. Você se formou há mais de dois anos e ainda não teve a oportunidade de trabalhar na sua área? Este programa é para você! Oferecemos treinamento intensivo e oportunidade de crescimento na maior empresa de segurança cibernética do mundo. Requisitos: Formação superior em área relacionada à tecnologia, determinação para aprender e crescer, disponibilidade para dedicação integral. Envie seu currículo para..." Nina leu o anúncio três vezes, sem acreditar no que estava vendo. Era exatamente o que ela estava procurando - uma chance de finalmente trabalhar na área para a qual havia estudado. CyberShield Corp era uma empresa famosa, conhecida mundialmente por suas soluções inovadoras em segurança digital. Sem pensar duas vezes, ela abriu seu currículo e começou a adaptá-lo para a vaga. Passou o resto do intervalo escrevendo uma carta de apresentação apaixonada, explicando sua situação e demonstrando seu conhecimento na área através dos cursos que havia feito por conta própria. — O que você está fazendo aí com essa cara de concentração? Perguntou Dona Rosa, se aproximando com uma xícara de café. — Encontrei uma vaga de emprego perfeita. É em uma empresa de segurança cibernética. Exatamente o que eu sempre quis. — Que maravilha, minha filha! Você vai conseguir, tenho certeza. Nina sorriu, sentindo uma mistura de esperança e nervosismo. — Vou enviar agora mesmo. Quem sabe não é a oportunidade que eu estava esperando? Ela clicou em "enviar" e fechou o laptop, voltando ao trabalho com uma sensação diferente no peito. Pela primeira vez em muito tempo, sentia que algo bom estava prestes a acontecer em sua vida. Se ela soubesse que o homem em quem havia derramado café algumas horas antes era o CEO da CyberShield Corp, talvez tivesse pensado duas vezes antes de se candidatar. Mas o destino, como sempre, tinha seus próprios planos para Nina Santos. O resto do dia passou voando, e quando chegou a hora de fechar o café, Nina se despediu de Dona Rosa e Miguel com um sorriso no rosto. Durante o trajeto de volta para casa no metrô, ela não conseguiu parar de pensar em duas coisas: o homem misterioso dos olhos verdes e a vaga na CyberShield Corp. Sem saber que essas duas coisas estavam mais conectadas do que ela jamais poderia imaginar.A consciência chegou como uma maré suja.Primeiro, uma onda de calor na nuca.Depois, um latejar profundo na base do crânio.E então… a escuridão morna do torpor começou a se dissipar.Nina tentou abrir os olhos, mas foi como forçar pálpebras grudadas. Uma luz fraca os atravessava, alaranjada, vibrando como uma lâmpada prestes a queimar. Um zumbido grave preenchia o ar — talvez um gerador? Ou apenas o próprio sangue batendo em suas têmporas?Ela moveu a mão.Ou tentou.Um puxão seco, metálico, respondeu.O som de uma corrente ecoou pelas paredes.Seus olhos se abriram de vez.O teto era de concreto grosso, rachado nos cantos, coberto de fios expostos e encanamentos de cobre. A luz vinha de uma lâmpada amarela e oscilante, presa a um fio torto no alto, lançando sombras alongadas nas paredes manchadas.Estava deitada sobre um colchão fino, jogado sobre o chão de cimento. Um cobertor velho, áspero e sujo cobria parcialmente suas pernas. O ar era úmido, denso, com cheiro de ferrugem e alg
O domingo nasceu calmo. Quase irônico. A luz entrava pelas janelas da casa com uma suavidade que enganava os sentidos. O cheiro de café pairava no ar, e o som das árvores lá fora dava à manhã um ar preguiçoso.Alex, no entanto, não estava em casa.Ele havia saído cedo para uma reunião emergencial com Marcus na CyberShield. A equipe técnica trabalhava sem descanso nos rastros do carro preto que havia surgido nas câmeras dias antes, sempre à espreita de Nina. Os bilhetes. Os padrões de acesso. A ameaça se fechava em círculos — e Alex sabia.No meio da reunião, seu celular vibrou com uma mensagem de Nina:“Amor, esqueci um documento da TechNova que preciso revisar antes da semana começar. Vou lá rapidinho buscar. Te amo.”Alex leu e já sentiu o sangue subir.“NÃO vai sozinha. Vai com o Henrique. E me avisa assim que estiver de volta.”“Pode deixar. Ele já está vindo comigo.”Alívio parcial. Mas só parcial.****O carro estacionou diante do prédio da TechNova. A cidade parecia suspensa no
O alarme suave de um rádio portátil soou no canto do salão principal da casa nova. Henrique ergueu o olhar, tenso, enquanto dois agentes de segurança, vestidos com uniformes pretos discretos, ajustavam as últimas câmeras de vigilância nas frestas das janelas.— Já estamos com oito patrulheiros fixos — informou Henrique, apontando para o mapa eletrônico projetado na parede. — E agora mais dois posicionados em pontos estratégicos do terreno. Nenhuma brecha, nem por um minuto.A porta se abriu e Alex entrou, trajando terno escuro e gravata leve, segurando uma pasta com relatórios de câmeras de tráfego e coordenadas de segurança. Ele acenou para Henrique com um aceno curto.— Obrigado, Henrique. Quero rondas a cada duas horas. Se notar qualquer coisa fora do padrão, me avisa imediatamente.— Sim, senhor. Estamos em alerta máximo.— Ótimo. Vamos manter a casa blindada. Eu cuido do resto aqui dentro.— Pode deixar comigo.Com as medidas acertadas, Alex seguiu para a cozinha, onde encontrou
O sol da tarde filtrava-se pelas grandes janelas da sala de estar, aquecendo o ambiente com um dourado suave. Nina andava de um lado para o outro, ajeitando almofadas que já estavam perfeitamente alinhadas, reorganizando flores recém-colhidas na mesa central — nervosa como se fosse uma adolescente esperando o primeiro encontro.— Vai dar tudo certo, amor — disse Alex, encostado no batente da porta com os braços cruzados, sorriso calmo no rosto. — Você já sobreviveu. Ela vai sobreviver também.— Alex! — Nina exclamou, os olhos arregalados. — Você é o homem mais importante da minha vida e o pai dos meus filhos. É óbvio que ela vai te dissecar com os olhos.— Espero que ela aprove o prato.— Que prato?— Eu. O prato principal.Ela bufou, rindo, mas antes que pudesse responder, Henrique apareceu na entrada principal com um discreto aceno.— A senhora já chegou. Estacionei o carro e vou ajudar com a bagagem.Nina correu para a porta e, quando a abriu, o tempo pareceu dar uma pausa. Maria e
— Em uma semana — disse Alex, apoiado no batente da porta da cozinha, uma xícara de café na mão. — Tudo pronto. Os móveis já foram entregues. O sistema de automação ativado. Só falta a gente.Nina, sentada à mesa com um pedaço de bolo de banana e uma xícara de chá, ergueu os olhos.— Uma semana?— E sem estresse. A gente só precisa levar o que você quiser do apartamento. Ou… — ele fez uma pausa proposital — podemos deixar tudo para trás. Começar do zero. Casa nova, tudo novo. Até os talheres, se quiser.Ela riu, balançando a cabeça.— Você é muito exagerado.— Eu sou bilionário. Exagero é minha linguagem de amor.— E eu sou uma mulher apegada. Gosto das minhas coisinhas.Alex se aproximou e passou a mão nos cabelos dela.— Tudo bem. A gente leva tudo que você quiser. Mas não carrega peso. Nem dobra roupa. Nem sobe em escada.— E se eu quiser empacotar meus livros?— Só se empacotar um por dia e me prometer que vai deixar o resto com os carregadores.— Fechado.Ele puxou uma cadeira e
O carro deslizava pelas ruas arborizadas do bairro afastado, onde o silêncio era interrompido apenas pelo som de pássaros e pelo vento batendo nas folhas. O céu estava claro, o clima ameno, e Nina se recostava confortavelmente no banco do passageiro, com uma das mãos apoiada na barriga já bem arredondada. Os bebês se mexiam — não com força, mas com ritmo — como se também estivessem ansiosos para ver o que estava por vir.Alex dirigia com tranquilidade, uma mão no volante e a outra entrelaçada à dela.— Nervosa? — ele perguntou, virando o rosto com um sorriso de canto.— Curiosa. E… talvez um pouco emocionada.— Prepare-se. Está ainda melhor do que você imaginava.Ao cruzarem os portões da propriedade, Nina levou a mão livre à boca. Já da entrada dava para ver as mudanças: a nova fachada com pintura restaurada, o paisagismo começando a tomar forma e as estruturas de vidro que substituíram as antigas janelas. A casa parecia respirar.Alex estacionou com discrição, contornou o veículo, a





Último capítulo