Mundo ficciónIniciar sesiónRomance. Suspense. Segredos. Poder. Obsessão. Alessandro Lombardi, o temido Don da familia mafiosa mais poderosa da Itália, carrega o peso de um passado manchado de sangue. A morte trágica da esposa, Chiara, em uma explosão de carro atribuída ao seu inimigo russo, destruiu sua humanidade e o afastou até dos próprios filhos: Giulietta, rebelde e hostil, e o pequeno Lorenzo, que não fala desde o acidente. Isabella Marconetti, de 26 anos, tenta reconstruir a vida após um divorcio traumático e dividas sufocantes. Desesperada, candidata-se ao cargo de babá na mansão Lombardi - apesar da regra inflexível do Don: nenhuma mulher jovem será contratada. Mas quando Alessandro a vÊ, algo nele vacila. Contra suas próprias ordens, ele a aceita. O que eles não sabem é que o destino deles se cruzou antes... Na mansão, Isabella enfrenta hostilidade: Giulietta tenta expulsa-la, Lorenzo permanece fechado e Donna Raffaella observa cada passo. Mas lentamente Isabella transforma o ambiente: conquista as crianças, ganha o respeito da matriarca e desperta em Alessandro sentimentos que ele tentou enterrar - irritação, desejo, vulnerabilidade... vida. Enquanto Isabella tenta recomeçar, Alessandro se vÊ cada vez mais preso a ela. Mas há um segredo mortal escondido dentro da própria casa. Alessandro busca vingança - enquanto se apaixona perigosamente pela única mulher capaz de destruí-lo.
Leer másA madrugada ainda colava na minha pele quando encostei a porta do apartamento atrás de mim. O cheiro enjoativo de perfume barato e fumaça de cigarro ainda grudava nos meus cabelos, lembrando-me exatamente de onde eu vinha. Mais uma noite no Rouge Velvet, dançando até meus músculos implorarem descanso. Sorri sozinha, cansada demais para sentir vergonha. A vergonha tinha deixado minha vida junto com o meu divórcio.
Joguei minha bolsa no sofá desbotado e fui direto ao banheiro. A luz fria acendeu, revelando minhas olheiras profundas e a maquiagem borrada. Soltei um suspiro longo, daqueles que parecem empurrar a alma contra o chão.
— Acabou por hoje… — murmurei ao meu próprio reflexo.
Abri o chuveiro e deixei a água quente cair sobre mim como se pudesse lavar a noite inteira. Os homens bêbados. As notas amassadas enfiadas no meu sutiã. A música alta que ainda ecoava na minha cabeça.
Mas a água não levava nada embora. Nunca levava.
Quando terminei, vesti uma camiseta larga e shorts velhos. Assim que saí do banheiro, Rex — meu bull terrier branco com uma mancha preta no olho — veio correndo, batendo a cabeça nas minhas pernas como se fosse um carneiro.
— Bom dia, meu amor. — agachei-me para lhe fazer festinhas na cabeça. — Tu és o único macho decente da minha vida, sabias?
Ele latiu baixo, como se concordasse.
Fui até a cozinha minúscula, coloquei ração na tigela dele e começei a preparar meu café. Rex atacou a comida como se estivesse a morrer de fome, e eu sorri com a boca cansada. O aroma do café quente preencheu o espaço apertado, e por um momento, tudo pareceu quase normal.
Foi quando bateram à porta.
Olhei para o relógio. 6h25 da manhã. Quem, em sã consciência, visita alguém a essa hora?
O coração acelerou — reflexo automático de quem vive no limite entre sobreviver e desabar.
Abri a porta devagar.
— Bom dia, senhorita Marconetti? — o carteiro sorriu, segurando um envelope grosso, com carimbo do Tribunal de Bari.
Meu estômago afundou.
— Sim… sou eu.
Ele pediu assinatura. Quando fechou a porta, o silêncio ficou pesado. Sentei no sofá, com Rex me encarando como se pressentisse algo ruim. Passei o dedo pela borda do envelope, hesitando. Depois respirei fundo e abri.
A cada linha que lia, o sangue deixava o meu rosto.
Mais dívidas. Mais processos. Mais consequências do fracasso do meu ex-marido.
— Não… não pode ser… — sussurrei, mas a letra impressa não desapareceu.
Eu devia. Eu. Porque tínhamos bens compartilhados. Porque ele falsificou a minha assinatura em alguns contratos. Porque, no papel, eu era responsável tanto quanto ele.
As lágrimas vieram antes mesmo que eu percebesse. Caíram mudas, quentes, poçando no papel.
Puxei o celular. Minhas mãos tremiam.
— Atende… por favor… atende, Nicky… — murmurei, apertando chamada.
Minha irmã atendeu na terceira tentativa.
— Isabella? Aconteceu alguma coisa?
— Nicky… — minha voz falhou. Tive de inspirar fundo. — Recebi outra carta do tribunal. Mais dívidas, mais taxas… Eu não… isso é real? Isso pode ser real?
Silêncio por um segundo. Ela já sabia a resposta. Eu também.
— Infelizmente… sim. — a voz dela veio suave, mas firme. — Eu te disse, Isa. Enquanto o processo do divórcio não fechar completamente e enquanto vocês ainda forem considerados corresponsáveis… esses débitos podem continuar aparecendo.
— Mas isso é ridículo! É injusto!
— É. — Ela suspirou. — Mas é a lei. E… eu sinto muito.
Passei a mão pelo rosto, sentindo a pele quente de chorar. Rex subiu no sofá, encostando o focinho na minha perna.
— Eu vou pagar, então. — sussurrei. — Não tenho escolha.
— Isa… eu posso te ajudar a procurar outra solução. Talvez…
— Não. — fechei os olhos. — Eu só… preciso trabalhar mais.
Nicoletta ficou em silêncio.
— Qualquer coisa, me liga, tá? — ela disse afinal.
— Tá… obrigada, Nicky.
Desliguei e deixei o celular cair no meu peito. Por alguns segundos, chorei sem fazer som, apenas deixando tudo sair. Depois respirei fundo e me sentei, pegando o telefone de novo.
Abri o site de procura de emprego.
“Babá — horário das 6h às 18h — salário muito acima da média — residência nos subúrbios. Procuramos alguém responsável, discreta e paciente.”
— Discreta… hm. — sorri com ironia. — Perfeito para mim.
Enviei o currículo.
Depois de dias de noites longas e corpos estranhos, cuidar de crianças parecia quase… um sonho.
Fechei o celular e deitei no sofá com Rex enroscado nos meus pés. O sono veio rápido, pesado.
Mas durou pouco.
O telefone tocou, arrancando-me do cochilo. O número era desconhecido.
— Alô? — perguntei, ainda com a voz rouca.
— Senhorita Isabella Marconetti? — a voz era de uma senhora idosa, firme, mas gentil.
— Sim, sou eu.
— Aqui é Donna Raffaella Lombardi. Recebi sua candidatura para babá. Gostaria que viesse para uma entrevista hoje mesmo.
Sentei imediatamente.
— Hoje? Claro, claro! A que horas?
— O quanto antes. Enviarei a morada por mensagem.
— Obrigada, senhora… muito obrigada.
— Não agradeça ainda, senhorita. — ela disse num tom quase afetuoso. — Apenas venha.
O telefone desligou.
Levantei-me num salto, troquei de roupa, peguei meu carro — um Fiat velho que tossia mais do que funcionava — e parti.
Conduzi até os subúrbios afastados de Bari. Árvores altas ladeavam a estrada, e o silêncio crescia quanto mais eu me afastava. Quando o GPS finalmente indicou a chegada, um enorme portão de ferro se ergueu diante de mim, com o brasão da família Lombardi gravado no centro.
Engoli seco.
A mansão ao fundo parecia saída de um filme: mediterrânea, revestida de pedra clara, janelas arqueadas, sacadas elegantes e pilares de mármore que sustentavam a entrada principal. As oliveiras antigas ao redor davam um ar ancestral, poderoso.
Apertei o botão no painel. A voz da governanta soou pelo interfone:
— Nome?
— Isabella Marconetti. Tenho entrevista para babá.
O portão se abriu lentamente.
Ao estacionar, a mesma senhora apareceu na porta. Uma mulher de cabelo grisalho preso num coque impecável, postura rígida e olhar treinado para julgar.
— Senhora Marconetti? — ela inclinou a cabeça. — Sou Assunta, a governanta. Venha.
Entrei e, imediatamente, fiquei sem palavras. Pisos de mármore polido, um enorme lustre de cristal pendurado no teto alto, escadas curvas com corrimão dourado. A sala estava decorada com móveis clássicos, tapetes persas, quadros antigos. O tipo de riqueza que não era exibida: era imposta.
Assunta indicou:
— Pode esperar aqui na sala. O Don está ocupado no momento.
Don?
O título pesou.
Caminhei devagar, observando cada detalhe. Minha mão quase tocou uma estátua de bronze quando ouvi vozes vindas de uma porta semiaberta.
Reconheci imediatamente a voz da senhora do telefone.
— Alessandro, já não temos mais candidatas. Você rejeitou todas, meu filho…
A resposta veio como um trovão: grave, rouca, autoritária.
— Non voglio una ragazza giovane na minha casa, mamma. Já disse isso. Não preciso de problemas.
Meu corpo arrepou inteiro.
Essa senhora que falara mais cedo comigo no celular era a mãe dele?
Ela respondeu num tom mais caloroso, quase provocador:
— Talvez você devesse conhecer antes de julgar.
Houve silêncio.
Curiosa — e idiota — dei um passo a mais para ouvir melhor.
— Alessandro… — ela sussurrou. — Às vezes a vida surpreende.
Foi então que meu pé tocou no tapete de forma errada.
E eu tropecei.
A porta abriu de vez enquanto eu caía para a frente, as mãos no chão e a dignidade em algum lugar atrás de mim.
— Merda… — murmurei sem pensar.
Quando levantei o rosto, vi os pés de alguém. Depois as pernas. Depois o torso largo sob uma camisa preta. E finalmente…
O homem.
O Don.
Alessandro Lombardi.
Ele era… imenso. Forte. Imperturbável. O tipo de presença que enche o ar e o toma para si. Os olhos dele eram azuis. Um azul escuro, intenso, perigoso. O rosto sério, másculo, com uma barba rente que parecia desenhada com precisão.
E ele me encarava como se eu tivesse acabado de invadir território proibido.
Meu coração bateu tão forte que quase pude ouvir.
A senhora que estava com ele correu até mim.
— Meu Deus, menina, está bem? — ela me ajudou a levantar, mas meus olhos estavam presos nele.
Ele não disse nada por longos segundos. Apenas me observou de cima abaixo. Não de forma vulgar. De forma… analítica. Como se estivesse tentando entender por que eu existia.
Finalmente, ele falou, a voz baixa e cortante:
— Você é a candidata?
Engoli em seco.
— S-sim… senhor.
Ele estreitou os olhos, claramente descontente.
— Muito jovem.
Antes que eu respondesse, a mãe dele retrucou:
— E também é a única que apareceu, Alessandro. A única que não saiu correndo ao saber que é para trabalhar aqui.
Ele olhou para ela, irritado.
Depois para mim.
E por um segundo, juro, vi algo mover-se atrás daquele semblante congelado. Algo que fez minha respiração falhar.
Desejo? Reconhecimento? Ou apenas incômodo?
Não sei.
Mas vi.
E ele viu que eu vi.
— Levante-se direito — ele ordenou. — Vamos conversar.
A ordem fez meu corpo obedecer antes da minha mente.
Quando me endireitei, seu olhar caiu de novo sobre mim. Havia algo queimando ali. Algo que eu não soube nomear.
Mas uma coisa ficou clara:
A entrevista não seria como qualquer outra.
E Alessandro Lombardi não era um homem que se esquecia facilmente de quem ousava mexer com o seu mundo.
A tarde na mansão arrastou-se como melado, pesada com o peso daquele quarto trancado queimando na minha mente. Tentei focar nas aulas — frações pra Giulietta, que rabiscava coraçãozinhos no caderno, e formas geométricas pro Lorenzo, que empilhava blocos sem entusiasmo. Mas a loira do retrato… aqueles olhos azuis gélidos me perseguiam. Quando as crianças foram liberadas pro lanche, corri pra cozinha, onde Assunta cortava vegetais com precisão cirúrgica.— Assunta, preciso falar com você — soltei, voz baixa, olhando pros lados. Rex dormia no tapete, alheio. — Quem é aquela mulher do quarto trancado? A do quadro enorme?Ela parou, faca no ar, olhos cinzentos estreitando. — Isabella, baixa a voz.— Não consigo! Entrei sem querer… Giulietta armou esconde-esconde, deixou a porta entreaberta. Vi tudo: vestidos, joias, o retrato. Alessandro quase me matou! “Chi ti ha dado permesso?”, gritando como se eu tivesse profanado um túmulo. Foi armadilha dela, tenho certeza.Assunta suspirou, limpand
O sol da tarde filtrava pelas cortinas pesadas da suíte improvisada, lançando sombras compridas no chão de mármore. Eu havia dormido pouco mais de duas horas, mas o peso do novo teto — e do Don que comandava essa casa — já me fazia sentir uma intrusa permanente. Rex roncava ao pé da cama, alheio ao caos que eu tentara deixar para trás no apartamento inundado. Olhei o relógio: 8h45. Hora de enfrentar as crianças.Desci as escadas com o dossiê na mão, o cheiro de café fresco misturando-se ao aroma de oliveiras antigas que invadia os corredores. A mansão parecia viva de um jeito diferente agora que eu fazia parte dela — ou pelo menos dormia sob seu teto. Assunta me encontrou na cozinha, arrumando o café da manhã das crianças com eficiência militar. — Dormiu bem? — perguntou ela, sem tirar os olhos da torradeira. — O Don já checou os estudos de hoje. Matemática avançada pra Giulietta, formas geométricas pro Lorenzo.Assenti, pegando uma xícara de café forte. — Como uma pedra. Rex conqu
O Fiat velho roncou pela última vez ao estacionar em frente ao meu prédio em Bari, já passava das quatro da manhã. O céu ainda estava escuro, mas o cansaço nos meus ossos parecia pesar mais que a noite inteira no Rouge Velvet. As luzes de néon do clube ainda piscavam na minha cabeça, junto com os olhares dos clientes e as notas amassadas que eu havia enfiado na bolsa. Desci do carro com as pernas bambas, Rex latindo animado do banco de trás, como se minha volta fosse a melhor coisa do mundo. Abri a porta dele e ele pulou direto nas minhas pernas, lambendo minhas mãos cansadas.— Calma, meu amor — murmurei, coçando atrás da orelha dele enquanto subia as escadas rangentes. — Hoje foi longa.Mal consegui girar a chave na fechadura do apartamento quando ouvi o som. Um gorgolejar baixo, como água entupida em cano velho. Entrei e acendi a luz da sala. O tapete da cozinha estava encharcado. Meu coração deu um salto. Corri até o armário debaixo da pia — água jorrava como uma torneira quebrada
O almoço decorreu com a serenidade que só as grandes casas sabem ter. Aquelas mesas longas, imponentes, pareciam exigir silêncio. A comida, apesar de deliciosa, parecia um mero detalhe diante das interações que se desenrolavam ali. Giulietta fez alguns comentários sarcásticos sobre o arroz, mencionando que "não sabia que risoto poderia ter tantos tipos", o que, claro, era só mais uma tentativa de desviar o foco daquilo que realmente importava. Ela estava, como sempre, insatisfeita com tudo. Lorenzo, por outro lado, permaneceu em seu silêncio habitual, comendo de forma mecânica, sem dar sinais de interesse ou sequer de um simples gesto de simpatia.Eu tentei manter a compostura, mas algo dentro de mim parecia se desgastar cada vez mais. A vida com as crianças na mansão Lombardi não estava sendo como eu esperava. Giulietta me testava constantemente, enquanto Lorenzo se fechava ainda mais. E Alessandro… bem, Alessandro era uma história à parte. Um enigma difícil de decifrar, sempre obser
ISABELLAO som do relógio na parede parecia mais alto do que o normal. Talvez fosse o peso da manhã, ou a ansiedade que me consumia, mas os segundos pareciam arrastados enquanto tentava manter a concentração nas frações que tentava ensinar a Giulietta e Lorenzo. A sala de estudos da mansão Lombardi tinha aquele ar impessoal, uma mistura de luxo e frieza, como se a própria casa me observasse. Mas o que mais me desafiava não era a grandeza do lugar. Era lidar com as crianças.Giulietta, de 14 anos, estava claramente desinteressada. A garota tinha uma maneira quase artística de ignorar tudo à sua volta. Ela mantinha o livro fechado, olhando pela janela com a cabeça levemente inclinada para o lado, como se o mundo exterior fosse infinitamente mais interessante do que qualquer coisa que eu pudesse dizer.Lorenzo, mais quieto e introspectivo, se sentava no canto, com os olhos fixos em algum ponto distante. Ele raramente falava, e quando o fazia, sua voz era baixa, como se as palavras pesass
ISABELLACheguei em casa às 4 da manhã, depois de uma noite longa e difícil. O corpo pesado, mas a mente ainda acelerada. O que tinha acontecido na mansão, o que eu ainda não entendia completamente, ficava girando em minha cabeça. Mas não havia tempo para parar e refletir. Eu sabia que precisava descansar um pouco, mas a noite já havia se arrastado, e o dia seguinte estava chegando. O cansaço estava me consumindo, mas, ao mesmo tempo, uma adrenalina desconhecida me impelia a seguir em frente. Respirei fundo, abracei Rex, que estava me esperando com os olhos brilhando de alegria, e me joguei no sofá.Meu celular estava em silêncio. Nicky, minha irmã, ainda não sabia de nada. Ela não sabia que trabalha no Rouge Velvet como stripper. O peso de manter aquele segredo me dava uma sensação estranha. Mas era o que tinha que ser.Com os olhos pesados, peguei o dossiê de Donna Raffaella e comecei a ler. As palavras no papel começaram a formar uma rotina que eu jamais imaginaria. A família Lomba





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