OBSESSÃO - Clã Lombardi

OBSESSÃO - Clã LombardiPT

Romance
Última actualización: 2026-01-25
Drica Penteado  Recién actualizado
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Resumen
Índice

Romance. Suspense. Segredos. Poder. Obsessão. Alessandro Lombardi, o temido Don da familia mafiosa mais poderosa da Itália, carrega o peso de um passado manchado de sangue. A morte trágica da esposa, Chiara, em uma explosão de carro atribuída ao seu inimigo russo, destruiu sua humanidade e o afastou até dos próprios filhos: Giulietta, rebelde e hostil, e o pequeno Lorenzo, que não fala desde o acidente. Isabella Marconetti, de 26 anos, tenta reconstruir a vida após um divorcio traumático e dividas sufocantes. Desesperada, candidata-se ao cargo de babá na mansão Lombardi - apesar da regra inflexível do Don: nenhuma mulher jovem será contratada. Mas quando Alessandro a vÊ, algo nele vacila. Contra suas próprias ordens, ele a aceita. O que eles não sabem é que o destino deles se cruzou antes... Na mansão, Isabella enfrenta hostilidade: Giulietta tenta expulsa-la, Lorenzo permanece fechado e Donna Raffaella observa cada passo. Mas lentamente Isabella transforma o ambiente: conquista as crianças, ganha o respeito da matriarca e desperta em Alessandro sentimentos que ele tentou enterrar - irritação, desejo, vulnerabilidade... vida. Enquanto Isabella tenta recomeçar, Alessandro se vÊ cada vez mais preso a ela. Mas há um segredo mortal escondido dentro da própria casa. Alessandro busca vingança - enquanto se apaixona perigosamente pela única mulher capaz de destruí-lo.

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Capítulo 1

A Entrevista

A madrugada ainda colava na minha pele quando encostei a porta do apartamento atrás de mim. O cheiro enjoativo de perfume barato e fumaça de cigarro ainda grudava nos meus cabelos, lembrando-me exatamente de onde eu vinha. Mais uma noite no Rouge Velvet, dançando até meus músculos implorarem descanso. Sorri sozinha, cansada demais para sentir vergonha. A vergonha tinha deixado minha vida junto com o meu divórcio.

Joguei minha bolsa no sofá desbotado e fui direto ao banheiro. A luz fria acendeu, revelando minhas olheiras profundas e a maquiagem borrada. Soltei um suspiro longo, daqueles que parecem empurrar a alma contra o chão.

— Acabou por hoje… — murmurei ao meu próprio reflexo.

Abri o chuveiro e deixei a água quente cair sobre mim como se pudesse lavar a noite inteira. Os homens bêbados. As notas amassadas enfiadas no meu sutiã. A música alta que ainda ecoava na minha cabeça.

Mas a água não levava nada embora. Nunca levava.

Quando terminei, vesti uma camiseta larga e shorts velhos. Assim que saí do banheiro, Rex — meu bull terrier branco com uma mancha preta no olho — veio correndo, batendo a cabeça nas minhas pernas como se fosse um carneiro.

— Bom dia, meu amor. — agachei-me para lhe fazer festinhas na cabeça. — Tu és o único macho decente da minha vida, sabias?

Ele latiu baixo, como se concordasse.

Fui até a cozinha minúscula, coloquei ração na tigela dele e começei a preparar meu café. Rex atacou a comida como se estivesse a morrer de fome, e eu sorri com a boca cansada. O aroma do café quente preencheu o espaço apertado, e por um momento, tudo pareceu quase normal.

Foi quando bateram à porta.

Olhei para o relógio. 6h25 da manhã. Quem, em sã consciência, visita alguém a essa hora?

O coração acelerou — reflexo automático de quem vive no limite entre sobreviver e desabar.

Abri a porta devagar.

— Bom dia, senhorita Marconetti? — o carteiro sorriu, segurando um envelope grosso, com carimbo do Tribunal de Bari.

Meu estômago afundou.

— Sim… sou eu.

Ele pediu assinatura. Quando fechou a porta, o silêncio ficou pesado. Sentei no sofá, com Rex me encarando como se pressentisse algo ruim. Passei o dedo pela borda do envelope, hesitando. Depois respirei fundo e abri.

A cada linha que lia, o sangue deixava o meu rosto.

Mais dívidas. Mais processos. Mais consequências do fracasso do meu ex-marido.

— Não… não pode ser… — sussurrei, mas a letra impressa não desapareceu.

Eu devia. Eu. Porque tínhamos bens compartilhados. Porque ele falsificou a minha assinatura em alguns contratos. Porque, no papel, eu era responsável tanto quanto ele.

As lágrimas vieram antes mesmo que eu percebesse. Caíram mudas, quentes, poçando no papel.

Puxei o celular. Minhas mãos tremiam.

— Atende… por favor… atende, Nicky… — murmurei, apertando chamada.

Minha irmã atendeu na terceira tentativa.

— Isabella? Aconteceu alguma coisa?

— Nicky… — minha voz falhou. Tive de inspirar fundo. — Recebi outra carta do tribunal. Mais dívidas, mais taxas… Eu não… isso é real? Isso pode ser real?

Silêncio por um segundo. Ela já sabia a resposta. Eu também.

— Infelizmente… sim. — a voz dela veio suave, mas firme. — Eu te disse, Isa. Enquanto o processo do divórcio não fechar completamente e enquanto vocês ainda forem considerados corresponsáveis… esses débitos podem continuar aparecendo.

— Mas isso é ridículo! É injusto!

— É. — Ela suspirou. — Mas é a lei. E… eu sinto muito.

Passei a mão pelo rosto, sentindo a pele quente de chorar. Rex subiu no sofá, encostando o focinho na minha perna.

— Eu vou pagar, então. — sussurrei. — Não tenho escolha.

— Isa… eu posso te ajudar a procurar outra solução. Talvez…

— Não. — fechei os olhos. — Eu só… preciso trabalhar mais.

Nicoletta ficou em silêncio.

— Qualquer coisa, me liga, tá? — ela disse afinal.

— Tá… obrigada, Nicky.

Desliguei e deixei o celular cair no meu peito. Por alguns segundos, chorei sem fazer som, apenas deixando tudo sair. Depois respirei fundo e me sentei, pegando o telefone de novo.

Abri o site de procura de emprego.

“Babá — horário das 6h às 18h — salário muito acima da média — residência nos subúrbios. Procuramos alguém responsável, discreta e paciente.”

— Discreta… hm. — sorri com ironia. — Perfeito para mim.

Enviei o currículo.

Depois de dias de noites longas e corpos estranhos, cuidar de crianças parecia quase… um sonho.

Fechei o celular e deitei no sofá com Rex enroscado nos meus pés. O sono veio rápido, pesado.

Mas durou pouco.

O telefone tocou, arrancando-me do cochilo. O número era desconhecido.

— Alô? — perguntei, ainda com a voz rouca.

— Senhorita Isabella Marconetti? — a voz era de uma senhora idosa, firme, mas gentil.

— Sim, sou eu.

— Aqui é Donna Raffaella Lombardi. Recebi sua candidatura para babá. Gostaria que viesse para uma entrevista hoje mesmo.

Sentei imediatamente.

— Hoje? Claro, claro! A que horas?

— O quanto antes. Enviarei a morada por mensagem.

— Obrigada, senhora… muito obrigada.

— Não agradeça ainda, senhorita. — ela disse num tom quase afetuoso. — Apenas venha.

O telefone desligou.

Levantei-me num salto, troquei de roupa, peguei meu carro — um Fiat velho que tossia mais do que funcionava — e parti.

Conduzi até os subúrbios afastados de Bari. Árvores altas ladeavam a estrada, e o silêncio crescia quanto mais eu me afastava. Quando o GPS finalmente indicou a chegada, um enorme portão de ferro se ergueu diante de mim, com o brasão da família Lombardi gravado no centro.

Engoli seco.

A mansão ao fundo parecia saída de um filme: mediterrânea, revestida de pedra clara, janelas arqueadas, sacadas elegantes e pilares de mármore que sustentavam a entrada principal. As oliveiras antigas ao redor davam um ar ancestral, poderoso.

Apertei o botão no painel. A voz da governanta soou pelo interfone:

— Nome?

— Isabella Marconetti. Tenho entrevista para babá.

O portão se abriu lentamente.

Ao estacionar, a mesma senhora apareceu na porta. Uma mulher de cabelo grisalho preso num coque impecável, postura rígida e olhar treinado para julgar.

— Senhora Marconetti? — ela inclinou a cabeça. — Sou Assunta, a governanta. Venha.

Entrei e, imediatamente, fiquei sem palavras. Pisos de mármore polido, um enorme lustre de cristal pendurado no teto alto, escadas curvas com corrimão dourado. A sala estava decorada com móveis clássicos, tapetes persas, quadros antigos. O tipo de riqueza que não era exibida: era imposta.

Assunta indicou:

— Pode esperar aqui na sala. O Don está ocupado no momento.

Don?

O título pesou.

Caminhei devagar, observando cada detalhe. Minha mão quase tocou uma estátua de bronze quando ouvi vozes vindas de uma porta semiaberta.

Reconheci imediatamente a voz da senhora do telefone.

— Alessandro, já não temos mais candidatas. Você rejeitou todas, meu filho…

A resposta veio como um trovão: grave, rouca, autoritária.

— Non voglio una ragazza giovane na minha casa, mamma. Já disse isso. Não preciso de problemas.

Meu corpo arrepou inteiro.

Essa senhora que falara mais cedo comigo no celular era a mãe dele?

Ela respondeu num tom mais caloroso, quase provocador:

— Talvez você devesse conhecer antes de julgar.

Houve silêncio.

Curiosa — e idiota — dei um passo a mais para ouvir melhor.

— Alessandro… — ela sussurrou. — Às vezes a vida surpreende.

Foi então que meu pé tocou no tapete de forma errada.

E eu tropecei.

A porta abriu de vez enquanto eu caía para a frente, as mãos no chão e a dignidade em algum lugar atrás de mim.

— Merda… — murmurei sem pensar.

Quando levantei o rosto, vi os pés de alguém. Depois as pernas. Depois o torso largo sob uma camisa preta. E finalmente…

O homem.

O Don.

Alessandro Lombardi.

Ele era… imenso. Forte. Imperturbável. O tipo de presença que enche o ar e o toma para si. Os olhos dele eram azuis. Um azul escuro, intenso, perigoso. O rosto sério, másculo, com uma barba rente que parecia desenhada com precisão.

E ele me encarava como se eu tivesse acabado de invadir território proibido.

Meu coração bateu tão forte que quase pude ouvir.

A senhora que estava com ele correu até mim.

— Meu Deus, menina, está bem? — ela me ajudou a levantar, mas meus olhos estavam presos nele.

Ele não disse nada por longos segundos. Apenas me observou de cima abaixo. Não de forma vulgar. De forma… analítica. Como se estivesse tentando entender por que eu existia.

Finalmente, ele falou, a voz baixa e cortante:

— Você é a candidata?

Engoli em seco.

— S-sim… senhor.

Ele estreitou os olhos, claramente descontente.

— Muito jovem.

Antes que eu respondesse, a mãe dele retrucou:

— E também é a única que apareceu, Alessandro. A única que não saiu correndo ao saber que é para trabalhar aqui.

Ele olhou para ela, irritado.

Depois para mim.

E por um segundo, juro, vi algo mover-se atrás daquele semblante congelado. Algo que fez minha respiração falhar.

Desejo? Reconhecimento? Ou apenas incômodo?

Não sei.

Mas vi.

E ele viu que eu vi.

— Levante-se direito — ele ordenou. — Vamos conversar.

A ordem fez meu corpo obedecer antes da minha mente.

Quando me endireitei, seu olhar caiu de novo sobre mim. Havia algo queimando ali. Algo que eu não soube nomear.

Mas uma coisa ficou clara:

A entrevista não seria como qualquer outra.

E Alessandro Lombardi não era um homem que se esquecia facilmente de quem ousava mexer com o seu mundo.

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