Mundo de ficçãoIniciar sessãoMarina sempre nutriu um amor platônico por Kaito Hayami, um renomado seiyuu cuja voz parecia alcançar sua alma — mesmo sem nunca tê-lo conhecido. Ao se mudar para o Japão em busca de um novo começo, o improvável acontece: seus caminhos se cruzam. Entre diferenças culturais, o peso da fama e sentimentos que crescem a cada encontro, Marina tenta lutar contra o que sente. Mas como resistir ao homem cuja voz foi, desde sempre, o som que guiou seu coração?
Ler maisNo dia seguinte, Kaito acordou antes mesmo do despertador. O quarto ainda estava envolto por uma luz pálida que entrava pelas frestas da cortina, e por alguns segundos ele permaneceu imóvel, encarando o teto, ouvindo apenas a própria respiração. A decisão já estava tomada antes mesmo de ser dita em voz alta.Ir à agência naquele dia seria inútil. Ele sabia. Os repórteres estariam lá — talvez desde a madrugada — esperando por qualquer movimento, qualquer expressão fora do lugar. Cada passo dele seria analisado, distorcido, transformado em manchete. E, acima de tudo, ele não queria arrastar Marina para aquele caos sem controle.Virou o rosto e a encontrou acordada, observando-o em silêncio, como se já soubesse.— Você não vai hoje, né? — ela perguntou, a voz baixa, ainda carregada de sono e tensão.Kaito suspirou, passando a mão pelo rosto.— Não. — respondeu com firmeza. — Se eu aparecer lá, só vai piorar. Eles querem uma reação. Um deslize.Marina se sentou na cama, abraçando os própr
Eles subiram juntos, sem trocar muitas palavras.O corredor era estreito, silencioso, iluminado por uma luz amarelada que dava ao lugar um ar quase doméstico. Nada ali lembrava os hotéis luxuosos que Kaito costumava frequentar em viagens ou compromissos de trabalho. Não havia tapetes macios demais, nem funcionários atentos demais, nem aquela sensação constante de estar sendo observado.O quarto era simples. Uma cama de casal bem arrumada, uma pequena mesa, duas cadeiras, uma janela com cortinas claras deixando entrar a luz do fim da manhã. Limpo, discreto. Suficiente.Kaito fechou a porta atrás deles com cuidado, girando a chave uma vez só. O som ecoou baixo no quarto e, por algum motivo, pareceu definitivo demais.Eles ficaram ali, parados.Marina deixou a bolsa sobre a mesa e ficou de pé perto da janela, os braços cruzados junto ao corpo. Kaito apoiou a pequena mala ao lado da cama e passou a mão pelo rosto, como se tentasse organizar os pensamentos que vinham em ondas.O silêncio n
Assim como Marina, Kaito estava incrédulo com a matéria. Ele sempre soube que aquela resposta no programa abriria margem para especulações — era quase automático no meio em que vivia —, mas não imaginou que a curiosidade se transformaria tão rápido em algo concreto, invasivo, real.Acordara antes do despertador, o corpo inquieto, como se algo o tivesse arrancado do sono. O quarto ainda estava mergulhado em penumbra, o silêncio quebrado apenas pelo som distante da cidade acordando. Havia uma pressão estranha no peito, um desconforto que não se explicava. Virou de lado, tentou fechar os olhos outra vez, mas o sono já tinha ido embora.Pegou o celular quase por reflexo, mais para se distrair do que por qualquer intenção real. Rolaria a timeline, leria alguma coisa banal, talvez o cansaço voltasse. Mas, no instante em que a tela acendeu, o estômago afundou.Seu nome estava ali. No topo.O coração acelerou. Por um segundo, pensou em largar o aparelho, fingir que não tinha visto. Mas sabia
O domingo avançava com uma tranquilidade quase preguiçosa. A luz do início da tarde entrava pela janela do kitnet de Marina em tons suaves, desenhando sombras no chão e deixando o ar morno, confortável. Kaito estava sentado no sofá, vestido de forma simples — camiseta escura, jeans gasto, pés descalços. Sem produção, sem personagem, apenas ele. Havia algo naquela casualidade que o tornava ainda mais próximo, mais real.Marina saiu da cozinha com duas xícaras de café e se sentou ao lado dele. O sofá rangiu levemente com o movimento, obrigando-os a ficarem próximos demais para qualquer formalidade. Ela lhe entregou uma das xícaras e, por alguns segundos, ficaram em silêncio, ouvindo apenas o barulho distante da rua e o som baixo do próprio respirar.— Posso te perguntar uma coisa? — ela disse, enfim, num tom calmo, cuidadoso. Não havia acusação ali, apenas a necessidade de entender.Kaito virou o rosto para ela, atento. — Pode.Marina respirou fundo. — Sobre a entrevista. — Fez uma paus
Embora cada parte de Kaito gritasse para ficar, ele sabia que precisava ir. O relógio parecia cruel naquela quietude recém-conquistada, lembrando-o de que o mundo lá fora continuava existindo — com horários, compromissos e olhares atentos demais. No dia seguinte, trabalhariam juntos como sempre, e embora já fosse habitual serem vistos lado a lado, nunca chegavam juntos. Era um limite tácito, uma proteção. E ele não queria, de forma alguma, colocá-la em uma posição desconfortável.Marina percebeu antes mesmo que ele dissesse qualquer coisa.O modo como ele respirou fundo, o cuidado ao se mover para fora da cama, como se cada gesto precisasse ser lento para não quebrar o que haviam compartilhado. Ela estendeu a mão quase por reflexo, os dedos fechando-se ao redor do pulso dele.— Já…? — sua voz saiu baixa, carregada de um pedido que ela não verbalizou por completo.Kaito voltou-se para ela imediatamente. Seus olhos suavizaram, cheios de algo quente e dolorosamente sincero. Ele se inclin
Aquele domingo no kitnet de Marina parecia existir fora do tempo.A luz da tarde entrava suave pela janela estreita, desenhando faixas douradas sobre o chão simples, sobre os móveis modestos que agora pareciam diferentes — como se o espaço tivesse se expandido só por eles estarem ali juntos.Não havia pressa. Não havia compromissos. Apenas o silêncio confortável de quem já tinha atravessado o medo e agora descansava nele.Marina estava sentada no chão, encostada no sofá, os joelhos dobrados, uma caneca esquecida entre as mãos. Kaito estava ao lado dela, descalço, apoiado no braço do sofá, observando-a com atenção tranquila. Não aquela atenção pública, treinada. Mas algo cru, doméstico, verdadeiro.Eles conversaram sobre coisas pequenas no começo. Infâncias. Comidas favoritas. Músicas que escutavam quando ninguém estava por perto.Em algum momento, Kaito falou de si de um jeito que raramente fazia.Contou sobre a solidão silenciosa que vinha com a fama. Sobre como as pessoas achavam qu





Último capítulo