Mundo ficciónIniciar sesiónMarina sempre nutriu um amor platônico por Kaito Hayami, um renomado seiyuu cuja voz parecia alcançar sua alma — mesmo sem nunca tê-lo conhecido. Ao se mudar para o Japão em busca de um novo começo, o improvável acontece: seus caminhos se cruzam. Entre diferenças culturais, o peso da fama e sentimentos que crescem a cada encontro, Marina tenta lutar contra o que sente. Mas como resistir ao homem cuja voz foi, desde sempre, o som que guiou seu coração?
Leer másTrês meses depois.O tempo havia passado de forma estranha, rápido demais para quem tentava assimilar tantas mudanças, mas lento o suficiente para que cada momento fosse sentido com intensidade.E agora, Kaito estava ali. De pé, diante do pequeno altar montado em um elegante salão, ajustando discretamente as mangas do terno pela terceira vez em poucos minutos.Nervoso. Muito mais do que imaginava que ficaria.O espaço escolhido para a cerimônia civil era sofisticado, mas acolhedor. Um salão amplo, com grandes janelas de vidro que deixavam a luz suave da tarde entrar, iluminando tudo com um brilho dourado e delicado.Arranjos florais em tons claros, branco, creme e leves toques de rosa, estavam distribuídos de forma elegante pelo ambiente. Rosas, lírios e pequenas flores delicadas compunham uma decoração romântica, sem exageros, mas cheia de significado.Velas em suportes de vidro completavam o cenário, trazendo uma sensação de calor e intimidade.Não era um evento grandioso. Era deles
Kaito abriu a porta do apartamento com a chave que Marina havia lhe dado há algum tempo. Ele entrou e algo estava diferente.Não havia música, nem o som da televisão, nem o barulho de passos ou objetos sendo arrumados. Apenas um silêncio denso, quase palpável.— Marina? — chamou, a voz soando mais séria do que o habitual.Nenhuma resposta, o aperto no peito aumentou.Ele fechou a porta atrás de si e avançou pelo pequeno espaço, os olhos atentos, como se procurasse por qualquer sinal.— Marina?Ainda nada. Foi então que a viu no quarto parada diante da janela. De costas para ele e imóvel.O corpo ereto, mas havia algo na postura dela que não parecia normal. Como se estivesse ali fisicamente, mas em outro lugar ao mesmo tempo.— Marina…Ela não reagiu, nem se moveu e sequer virou o rosto.A preocupação cresceu rápido, misturada com uma tensão que ele já não conseguia esconder.Ele deu mais alguns passos, aproximando-se devagar.— Marina — chamou novamente, um pouco mais firme dessa vez.
A cabeça de Marina se transformou em um turbilhão.Os pensamentos vinham rápidos, desordenados, quase atropelando uns aos outros, sem dar espaço para que ela organizasse qualquer coisa com clareza.Grávida. A palavra ecoava, insistente.Mas não vinha sozinha. Vinham junto imagens, possibilidades, medos.E perguntas. Muitas perguntas.Ela se apoiou na pia, olhando para o próprio reflexo, mas sem realmente se ver.“E se for verdade…?”Seu coração apertou. Não era tristeza. Não era rejeição. Não era nem exatamente medo da ideia em si.Era o peso dela.Porque, no fundo, Marina sabia que, se estivesse grávida aquilo não seria algo ruim.Era inesperado, mas não indesejado.O que a assustava era todo o resto.A reação de Kaito.O silêncio que poderia vir. Ou pior, a responsabilidade surgindo rápido demais.Eles nunca tinham conversado sobre isso.Nunca tinham falado sobre filhos, sobre família, sobre um futuro tão concreto assim.Tudo entre eles ainda era recente, mesmo que intenso.Ainda es
Alguns dias depois, a rotina já havia retomado seu ritmo habitual — pelo menos na superfície.Marina estava sentada à sua mesa na agência, o tablet à frente, a agenda de Kaito aberta em blocos organizados de compromissos. A semana seria cheia: eventos importantes, entrevistas já agendadas. Ela analisava tudo com atenção, ajustando horários, reorganizando encaixes, antecipando possíveis conflitos.— Isso aqui vai ter que mudar… — murmurou baixinho, passando o dedo pela tela.Ela anotou uma alteração, depois outra, a mente funcionando no automático eficiente que havia desenvolvido ao longo dos meses.Mas, de repente algo mudou.Uma leve sensação de vazio, como se o chão tivesse se afastado por um segundo. Marina piscou, tentando focar melhor, mas as letras na tela pareceram ondular levemente, como se estivessem fora de lugar.Ela franziu a testa.— Hm…Levou a mão à têmpora, massageando de leve, esperando que aquilo passasse tão rápido quanto veio.Mas não passou.A tontura aumentou um





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