O domingo avançava com uma tranquilidade quase preguiçosa. A luz do início da tarde entrava pela janela do kitnet de Marina em tons suaves, desenhando sombras no chão e deixando o ar morno, confortável. Kaito estava sentado no sofá, vestido de forma simples — camiseta escura, jeans gasto, pés descalços. Sem produção, sem personagem, apenas ele. Havia algo naquela casualidade que o tornava ainda mais próximo, mais real.
Marina saiu da cozinha com duas xícaras de café e se sentou ao lado dele. O sofá rangiu levemente com o movimento, obrigando-os a ficarem próximos demais para qualquer formalidade. Ela lhe entregou uma das xícaras e, por alguns segundos, ficaram em silêncio, ouvindo apenas o barulho distante da rua e o som baixo do próprio respirar.
— Posso te perguntar uma coisa? — ela disse, enfim, num tom calmo, cuidadoso. Não havia acusação ali, apenas a necessidade de entender.
Kaito virou o rosto para ela, atento. — Pode.
Marina respirou fundo. — Sobre a entrevista. — Fez uma paus