Mundo de ficçãoIniciar sessão“Assine aqui e sua mãe vive. Recuse, e ela morre.” Para Elisa Campos, a escolha era impossível, mas necessária. Com uma dívida milionária e a vida de sua mãe por um fio, ela se vê encurralada pelo homem mais poderoso e perigoso do Rio de Janeiro: Gabriel Montiel. Ele é frio, arrogante e precisa de uma esposa de fachada para assumir o império da família. Ela é desesperada, inocente e precisa de dinheiro. O acordo parecia simples: um ano de casamento, uma vida de luxo e mentiras, e depois o divórcio. Mas havia uma única regra escrita com tinta dourada na Cláusula 5 do contrato: “É estritamente proibido se apaixonar.” Elisa achou que seria fácil odiar seu marido cruel. Mas o que acontece quando o ódio se transforma em desejo? E o que ela fará quando descobrir que o contrato esconde um segredo sombrio que pode destruir não apenas seu coração, mas sua vida inteira? Ele comprou o corpo dela. Mas será que conseguirá domar sua alma?
Ler maisO som seco e definitivo do carimbo batendo contra o papel ecoou na sala pequena e refrigerada como um tiro de revólver à queima-roupa. Aquele ruído selou o meu destino.
— Negado — disse o gerente do banco, Sr. Almeida, sem nem mesmo se dar ao trabalho de levantar os olhos da tela do computador para me encarar. — Sinto muito, Srta. Elisa. O sistema foi claro. Sem garantias reais, sem fiador e com o histórico recente de inadimplência, não há linha de crédito disponível para você. O banco não é uma instituição de caridade.
Senti o chão desaparecer sob meus pés, como se um buraco negro tivesse se aberto no piso de linóleo barato. Minhas mãos, pousadas sobre o colo, tremiam tanto que tive que entrelaçar os dedos com força para esconder o desespero.
— Por favor, Sr. Almeida — minha voz saiu como um sussurro quebrado, arranhando minha garganta. — O senhor não entende. Não é para comprar um carro ou viajar. É para a cirurgia da minha mãe. Se eu não pagar a entrada do hospital até sexta-feira, eles vão suspender o tratamento. É uma questão de vida ou morte. Eu trabalho em dois empregos, faço horas extras, eu prometo que vou pagar cada centavo, nem que leve a vida toda…
O homem suspirou, um som longo e irritado, e finalmente olhou para o relógio de pulso dourado, claramente entediado com a minha tragédia pessoal.
— Próximo! — ele gritou para a antessala, ignorando completamente minha súplica, como se eu fosse invisível.
Saí do banco cambaleando, com as pernas fracas. O sol do meio-dia no Rio de Janeiro atingiu meu rosto com violência, zombando da minha miséria. O calor era sufocante, o barulho do trânsito era ensurdecedor, mas eu sentia um frio terrível, um gelo que vinha de dentro dos meus ossos.
Quinhentos mil reais. Esse era o preço da vida da única pessoa que me amava incondicionalmente no mundo. E eu tinha exatos trinta e sete reais e cinquenta centavos na conta bancária. A ironia era cruel demais.
Caminhei sem rumo pela calçada movimentada da Avenida Rio Branco, esbarrando em executivos apressados que nem notavam minha existência. As lágrimas começaram a embaçar minha visão, transformando as luzes dos semáforos em borrões coloridos. Eu era uma ninguém. Uma formiga que poderia ser esmagada pelo destino a qualquer momento.
Foi quando a realidade mudou.
Um carro preto, lustroso e imponente como uma fera de metal, cortou o trânsito e freou bruscamente ao meu lado, bloqueando minha passagem na calçada. Era um sedã de luxo, blindado, do tipo que custava mais do que eu ganharia em dez vidas.
O vidro traseiro desceu lentamente, com um zumbido elétrico quase imperceptível. Um jato de ar condicionado gelado escapou de dentro do veículo, trazendo consigo o cheiro inconfundível de couro caro e perfume masculino importado, uma fragrância de madeira e poder.
Um homem estava sentado lá dentro, imerso na penumbra do interior luxuoso. Ele usava óculos escuros de grife, mas mesmo sem ver seus olhos, eu podia sentir a intensidade do seu olhar me dissecando, avaliando cada centímetro da minha postura derrotada, como se eu fosse um produto em uma prateleira de liquidação.
— Elisa Campos? — a voz dele era grave, autoritária e não admitia questionamentos. Não era uma pergunta, era uma confirmação.
Dei um passo para trás, assustada, apertando a alça da minha bolsa velha. — Quem é você? Como sabe meu nome?
Ele não respondeu imediatamente. Em vez disso, estendeu um envelope pardo pela janela aberta. O papel era grosso, pesado, de uma qualidade que eu jamais tinha tocado.
— Eu sei tudo sobre você, Elisa. Sei da dívida hospitalar da sua mãe, Dona Marta. Sei que você foi demitida da cafeteria ontem por chegar atrasada depois de passar a noite no hospital. E sei que você está desesperada o suficiente para fazer qualquer coisa.
Meu coração falhou uma batida, batendo dolorosamente contra as costelas. O medo se misturou com uma esperança perigosa. — O que você quer? — perguntei, minha voz trêmula.
Os lábios dele se curvaram em um sorriso que não chegou aos olhos. Era um sorriso predador, de um lobo que acabou de encurralar um cordeiro.
— A pergunta certa não é o que eu quero — ele disse, abrindo a porta do carro com um clique suave. — A pergunta é: o que você está disposta a vender para salvar a sua mãe? Entre. Temos um negócio para discutir.
Eu sabia que não devia. Minha mente gritava PERIGO em letras neon. Minha mãe sempre me disse para nunca entrar no carro de estranhos. Mas a imagem dela, pálida e frágil na cama do hospital, conectada a máquinas que apitavam ritmicamente, brilhou na minha mente, apagando qualquer senso de autopreservação.
Engoli o medo a seco, sentindo o gosto amargo da bile na boca, e entrei no carro. A porta bateu, trancando o mundo lá fora e me prendendo na escuridão com aquele estranho. Eu tinha acabado de vender minha alma ao diabo, só não sabia o preço ainda.
A mensagem chegou às três da manhã. Eu estava sentada no chão do meu quarto, encostada na porta trancada, com uma faca de cozinha que eu tinha roubado do jantar escondida sob o tapete.O celular vibrou. Uma foto. Minha mãe, Dona Marta, estendendo roupa no varal da casa dela. A foto tinha sido tirada de muito perto. De dentro do quintal. A legenda:"Ela parece frágil, não parece? Um susto poderia ser fatal. Mantenha a boca fechada, Elisa. Ou eu faço uma visita."O ar saiu dos meus pulmões. Lucas não estava mais brincando de amante rejeitado. Ele estava ameaçando a única pessoa que eu amava mais do que minha própria vida.Na manhã seguinte, desci as escadas correndo, interceptando Gabriel antes que ele saísse para a empresa. Eu parecia um fantasma: o pijama largo demais no meu corpo que emagrecia a cada dia, olheiras roxas profundas sob os olhos, as mãos tremendo.— Gabriel — chamei, a voz rouca.Ele parou, ajustando o relógio de pulso.
Gabriel voltou do Japão dois dias depois. Eu estava na sala de estar, fingindo ler um livro, mas na verdade estava vigiando a janela, aterrorizada com a possibilidade de o carro de Lucas aparecer no portão. Desde a noite na agência, recebi doze e-mails de endereços anônimos com fotos minhas saindo de casa, entrando no carro, indo à padaria. Lucas estava me vigiando.Quando o Maybach de Gabriel entrou na garagem, senti um alívio momentâneo, seguido imediatamente por um pânico gelado. O homem que desceu do carro não era o meu marido. Era o CEO da Montiel Mining.Ele entrou em casa sem me olhar. Passou direto por mim no hall, entregando a maleta para a Sra. Odete. — Gabriel? — chamei, levantando-me. — Você chegou.Ele parou no pé da escada. Virou-se devagar. O rosto dele estava pálido, com olheiras profundas, mas os olhos eram dois poços de escuridão. — Cheguei — ele disse, a voz monótona. — O contrato foi assinado. A fusão está completa. Sua presença não foi neces
A ressaca moral da ligação perdida com Gabriel ainda pulsava na minha cabeça, mas eu precisava trabalhar. A Vértice tinha um prazo final para a campanha de cosméticos, e Lucas insistiu que precisávamos ficar até tarde na agência para finalizar os arquivos.Às nove da noite, o escritório estava vazio. Apenas o zumbido do ar-condicionado e o clique do meu mouse quebravam o silêncio. Lucas apareceu na porta da minha sala com duas taças de vinho. O sorriso dele, antes acolhedor, agora parecia ter uma borda afiada que eu não tinha notado antes.— Pausa para o combustível — ele disse, colocando a taça na minha mesa. Ele não se sentou na cadeira de visitante; em vez disso, sentou-se na beirada da minha mesa, invadindo meu espaço.— Obrigada, Lucas, mas eu quero terminar isso e ir para casa — respondi, sem tocar no vinho. — Não estou num bom dia.— Eu sei — ele murmurou, inclinando-se para frente. — Aquele troglodita desligou na sua cara ontem. Ele te deixou sozi
A porta se abriu e Mariana entrou, trazendo consigo o cheiro de chuva e perfume caro. Ela olhou para o celular estilhaçado no chão, depois para mim, sentado na poltrona com uma garrafa de uísque japonêsHibikipela metade.Ela não disse nada a princípio. Apenas fechou a porta suavemente e trancou-a. O clique da fechadura soou alto no quarto silencioso.— Você está sangrando — ela disse, caminhando até mim.Olhei para a minha mão. Havia um corte nos nós dos dedos, provavelmente de quando soquei a parede antes de jogar o celular. Eu nem tinha sentido. A dor física era irrelevante comparada ao buraco no meu peito.— Vá embora, Mariana — murmurei, enchendo o copo novamente. — Não sou uma boa companhia hoje.— Eu não quero boa companhia — ela respondeu, tirando o casaco e revelando um vestido de seda que parecia uma segunda pele. — Eu quero cuidar de você. Eu ouvi os gritos, Gabriel. Eu sei que ela fez algo.Ela se ajoelhou ao
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