Aquele domingo no kitnet de Marina parecia existir fora do tempo.
A luz da tarde entrava suave pela janela estreita, desenhando faixas douradas sobre o chão simples, sobre os móveis modestos que agora pareciam diferentes — como se o espaço tivesse se expandido só por eles estarem ali juntos.
Não havia pressa. Não havia compromissos. Apenas o silêncio confortável de quem já tinha atravessado o medo e agora descansava nele.
Marina estava sentada no chão, encostada no sofá, os joelhos dobrados, uma caneca esquecida entre as mãos. Kaito estava ao lado dela, descalço, apoiado no braço do sofá, observando-a com atenção tranquila. Não aquela atenção pública, treinada. Mas algo cru, doméstico, verdadeiro.
Eles conversaram sobre coisas pequenas no começo. Infâncias. Comidas favoritas. Músicas que escutavam quando ninguém estava por perto.
Em algum momento, Kaito falou de si de um jeito que raramente fazia.
Contou sobre a solidão silenciosa que vinha com a fama. Sobre como as pessoas achavam qu