Aquele domingo no kitnet de Marina parecia existir fora do tempo.
A luz da tarde entrava suave pela janela estreita, desenhando faixas douradas sobre o chão simples, sobre os móveis modestos que agora pareciam diferentes — como se o espaço tivesse se expandido só por eles estarem ali juntos.
Não havia pressa. Não havia compromissos. Apenas o silêncio confortável de quem já tinha atravessado o medo e agora descansava nele.
Marina estava sentada no chão, encostada no sofá, os joelhos dobrados, um