Kaito respirou fundo, como se estivesse organizando as palavras dentro do peito antes de soltá-las. Seus olhos, escuros e atentos, não deixavam o rosto de Marina por um segundo sequer.
— Desde aquele dia… — ele começou, com a voz suave, mas carregada de algo que Marina não soube identificar. — Eu fiquei preocupado com você.
Ela sentiu o coração dar um salto dolorido. Não esperava ouvir aquilo. Não esperava nada daquilo.
— As coisas que ele disse… — Kaito continuou, apertando levemente as mãos, como se não soubesse onde colocar a própria culpa. — Foram duras. Injustas. Humilhantes. Eu sei. E eu sei como palavras assim podem… quebrar alguém por dentro.
Marina desviou o olhar, engolindo um nó na garganta que voltou a arder como se tudo tivesse acabado de acontecer.
Mas Kaito deu um passo à frente, aproximando-se apenas o suficiente para que ela sentisse o cuidado no gesto — e não invasão.
— Eu preciso que você entenda… — ele disse baixinho. — Eu me sinto responsável.
Ela o encarou, surpr