Mundo de ficçãoIniciar sessãoValentina Costa é herdeira de um conglomerado. No entanto, a má convivência com o pai a mantém distante nos negócios da família. Mas, nem a busca por uma carreira solo consegue livrá-la do controle do patriarca, que contrata um segurança particular para a única filha. Heitor Valiakk é chamado para o serviço. Ele tem uma áurea misteriosa e tantas habilidades que o tornam suspeito. A convivência forçada mexe com Valentina, que deseja odiá-lo para manter as coisas no controle. Quanto mais o tempo passa e mais ameças surgem, o fogo do desejo fica mais difícil de ser ignorado.
Ler maisO silêncio estava ficando insuportável. Não o silêncio do apartamento — esse até era bem-vindo. Mas o silêncio dele.Heitor havia sumido de vez. Sem mensagem. Sem sombra. Nem mesmo aquela sensação de ser vigiada que a deixava nervosa, mas secretamente segura.Era como se tivesse deixado um buraco no mundo.Valentina fechou o laptop e esfregou o rosto com força. Tinha passado a manhã inteira cruzando registros de Maré Alta Participações com as viagens da mãe, sem conseguir nenhuma pista nova. Breno estava fora, rastreando um contato que dizia ter trabalhado com Augusto, anos atrás.Sozinha, ela sentiu o peso de tudo vir sobre ela de uma vez.— Não dá pra parar agora — murmurou para si mesma, levantando-se.Vestiu uma jaqueta e pegou o carro emprestado de Breno, dirigindo até o antigo escritório de advocacia que cuidava dos contratos do Grupo Costa. O prédio estava fechado, abandonado, como se o tempo tivesse parado.Atravessou o portão e encontrou a porta principal destrancada.
Havia algo libertador no fundo do poço. Quando se cai o suficiente, o medo muda de forma, deixa de ser paralisia e vira movimento.Valentina observava a própria imagem refletida na janela do apartamento de Breno.Cabelos presos num coque malfeito, olheiras fundas, a pele mais pálida que o habitual. Mas os olhos… estavam diferentes.Mais duros.Mais vivos.— Vai dar certo — disse ela a si mesma. Pela décima vez naquela manhã.Breno ainda estava dormindo. Ela passara a noite em claro, rabiscando ideias sobre como se reerguer, como reconstruir o Caligrafia, como limpar o próprio nome — e talvez, um dia, recomeçar longe de tudo isso. Queria provar ao pai que não era co-dependente dele, que podia se livrar de sua influência.Mas por mais que tentasse se concentrar em si mesma, o nome dele voltava, como um eco persistente:Heitor.Onde ele estava?Ele desaparecera como se nunca tivesse existido. Nenhuma mensagem. Nenhuma tentativa de contato. Nada. Parte dela agradecia, a outra… só queria q
O telefone tocou no meio da tarde. Breno olhou para o visor e entregou o aparelho a ela sem dizer nada, Valentina leu o nome na tela e sentiu o estômago revirar:“AUGUSTO COSTA”Ela pensou em não atender.Mas atendeu.— Pai.— Até que enfim, pensei que teria que vir te buscar pessoalmente.Ela revirou os olhos.— Você está bem?— Estou ótimo. Ainda vivo, apesar dos alarmistas de plantão. E agora que tudo estourou, é hora de agir, hora de eu assumir as rédeas.Ela respirou fundo.— Assumir as rédeas de quê, exatamente?A resposta veio com o tom que ela conhecia desde criança. Frio. Racional. Irrefutável.— Do conglomerado, da narrativa e da sua vida pública. Você vai dar um depoimento, Valentina, vai dizer que o Caligrafia está sendo vítima de chantagem. E que você confia em mim, como sempre confiou.Ela ficou em silêncio por segundos longos.— Não vou mentir por você.— Não estou pedindo, estou te ordenando.Ela riu. Baixo. Amargo.— Isso nunca funcionou, pai.— Sempre funcionou, filh
O som da porta se fechando foi mais forte do que qualquer disparo que já ouvira.Ele ficou parado no corredor por minutos que pareceram horas. O mundo seguiu, indiferente. Os carros passavam, buzinas distantes, crianças brincando na calçada. Mas dentro de Heitor, tudo havia silenciado.Ela o expulsou.Não com ódio, mas com o tipo de dor que não se remenda, com o tipo de adeus que vem depois da confiança destruída.Ele andou até o carro sem olhar para trás. Entrou, ligou o motor, mas não dirigiu.A cabeça encostada no volante, a respiração pesada, como se o próprio ar tivesse se tornado um castigo.Você teve uma missão. Uma ordem clara. E falhou.Mas a parte mais insuportável era outra:Você a amou. E ainda assim, mentiu.***Horas depois, num quarto barato de hotel em um bairro onde ninguém fazia perguntas, ele ligou a televisão.Precisava de ruído.Mas o ruído veio como soco.“URGENTE: Polícia federal confirma que Alexei Duarte, desaparecido há seis anos, mantinha relações diretas c
Último capítulo