Mundo de ficçãoIniciar sessãoOliver Stewart sempre acreditou ter tudo. Inteligência, charme, sucesso, uma esposa amorosa e uma filha adorável. Sua vida perfeita desmoronou com a morte trágica da esposa, deixando-o consumido pela culpa e pelo luto. Incapaz de enfrentar a dor, ele tomou uma decisão impulsiva. Deixar a pequena Zoe de apenas três anos, em um internato na cidade de Banff, no interior do Canadá, e partir para Londres, acreditando que a distância o ajudaria a sobreviver à perda. Durante dois anos, Oliver apenas existiu em meio à solidão, preso a dias frios e silenciosos. Exausto de fugir, decide voltar a Banff, onde tudo começou. Lá, encontra uma filha diferente da menininha assustada que deixou para trás. Zoe agora sorri, está segura e profundamente ligada a Rebecca Viturino, uma das professoras do internato, a quem enxerga como uma mãe. Rebecca cresceu naquele lugar desde os cinco anos e vê em Zoe reflexos de sua própria história. Unidas pelo abandono, as duas criaram um laço de amor e cuidado que mudou suas vidas. O retorno de Oliver rompe esse equilíbrio. Dividido entre culpa e esperança, ele precisa encarar o passado, enquanto Rebecca enfrenta suas próprias feridas. Entre conflitos, perdão e afeto, talvez ambos descubram que estão conectados de uma forma linda através do sorriso da doce garotinha que tanto amam.
Ler maisOliver Stewart
Certas coisas acontecem em nossa vida de forma tão inesperada, tão de repente que quando percebemos, estamos soterrado tão fundo dentro de um poço escuro e sem esperança alguma.
No meu caso, eu afundei há três anos.
Há três anos...
— Vamos meu amor, antes que Zoe acorde. — chama a minha adorável esposa com sua voz doce e meiga.
— Claro, — apanho a chave do carro. — mana, você cuida da Zoe se ela acordar? — indago minha irmã Amélia que veio conosco nessa viagem.
— Não se preocupe Ollie, eu já disse que cuido — nos abre um sorriso genuíno.
— Vamos só comprar fraldas para mais uma semana — Chloe completa.
Para aproveitarmos as férias da melhor forma possível, viemos para uma praia isolada do mundo, há alguns longos quilômetros da cidade e infelizmente o verão é o único momento que dá para apreciar o mar sem quase morrer congelado, sem falar que é muito distante de onde moramos, mas precisávamos nos divertir em família.
Depois que Zoe nasceu, essa é nossa primeira viagem. Nossa menina tem apenas um ano e três meses, Zoe é uma garotinha sorridente, sapeca e muito parecida com a mãe. Ela tem os olhos de Chloe, azuis bem mais claros que os meus.
Chloe por sua vez, é completamente apaixonada pela filha, sempre foi o seu sonho ser mãe de menina e quando descobrimos que seria uma garotinha, Chloe quase surtou de tamanha felicidade e agora faz o possível e o impossível para ver nossa menina bem.
Sem dúvidas, a melhor mãe e esposa do mundo.
Entramos no carro e aos poucos nos distanciamos da casa onde estamos hospedados. A música baixa, leve e romântica toca no rádio do carro e como sempre, Chloe acompanha cantarolando com sua voz suave e adocicada que toda vez faz meu coração acelerar, ainda não consegui deixar de ficar encantado com sua voz. Nem sei se um dia vou me acostumar, é sempre a mesma coisa, aquele mesmo frio na barriga que me deixa completamente apaixonado.
Por um breve segundo, tiro meus olhos da pista para admirar a beleza da minha esposa enquanto ela canta de olhos fechados completamente envolvida naquele momento, essa é sua música preferida.
Foram apenas alguns breves segundos, que nem deu tempo de ver quando o carro invade a a contramão fazendo uma ultrapassagem não permitida e por causa desses poucos segundos, eu não consigo tirar o carro antes ou ao menos ir para o acostamento, tudo que vejo é aquele carro colidir com o nosso e sinto o mundo rodar. Nosso carro capotou várias vezes e o que mais me deixa agoniado nesse momento são os gritos desesperados de Chloe.
Assim que o carro para, mesmo ainda atordoado, tudo que lembro de fazer é olhar para o lado e encontro o amor da minha vida toda ensanguentada. Por sorte o carro parou com os pneus no chão, assim consigo olhar em seu rosto com mais facilidade.
— Chloe... — o desespero toma conta do meu ser. — Vai ficar tudo bem, meu amor. — procuro sua mão tentando acalmá-la.
Vai ficar tudo bem... Vai ficar tudo bem... Vai ficar... tudo bem...
Repito mentalmente incontáveis vezes com o coração desesperado, até consigo ouvir minhas próprias pulsações.
— Minha cabeça... — ela resmunga num sussurro.
— Shh... vai ficar tudo bem — solto meu cinto e me viro para ela ignorando a dor que sinto no meu próprio corpo. — A ajuda vai chegar.
— Ollie... — uma lágrima solitária rola na sua face e toco sua bochecha secando-a.
— Vai ficar tudo bem, meu amor...
Só então olho para seu corpo e vejo uma de suas pernas completamente esmagada entre as ferragens jorrando sangue. Meu primeiro instinto é levar o meu braço, mas assim que o estico escuto um pequeno estralo e uma dor insuportável que ainda não tinha sentido.
Não... Eu preciso... eu preciso estancar... o sangramento...
— Ollie...
Volto minha atenção aos seus olhos em completo desespero sem ter o que fazer, eu não aguento meu braço.
— Eu consigo, eu vou parar o sangramento. — levo meu braço bom até sua perna e assim que toco ela grita de dor deixando meu coração ainda mais pequeno pelo tanto que ele dói ao ver a dor da minha esposa.
— Ollie... promete para mim
— Não... vamos sair daqui, a ajuda está... está chegando...
— Sabemos que não — sua voz é fraca
— Eu tenho certeza, nós vamos ficar bem... — desta vez é dos meus olhos que as lágrimas rolam.
— Cuida dela, não deixa ela sozinha, Ollie... — meu coração se aperta ao ver suas lágrimas.
— Nós vamos cuidar dela juntos
Com meu braço não quebrado toco seu rosto sentindo sua respiração ficar mais pesada e seus lindos olhos azuis, agora parecem mais escuros.
— Promete para mim, Ollie... por... favor — ela soluça esmagando ainda mais o meu pobre coração.
— Chloe... — As lágrimas rolam como enxurrada no meu rosto, eu não posso...
Eu não posso... não posso te... perder.
— Ollie... — seus olhos ficam cada vez mais distantes.
— Eu prometo, — aperto firme sua mão. — agora, fique quietinha, a ajuda está chegando.
— Eu te amo — Ela solta num sussurro.
— Eu te amo muito mais. — Beijo sua testa.
— Cuida dela... Ollie...
Essas foram suas últimas palavras antes de apagar.
Antes de partir...
Antes de me deixar aqui sozinho...
Permaneci ao seu lado, segurando sua mão até os paramédicos chegarem alguns minutos depois, talvez se não tivessem demorado tanto, talvez se... talvez se tivessem acelerado um pouco mais, ela não teria partido.
Talvez...
Talvez se eu tivesse prestado atenção na estrada, eu...
Eu não teria matado a minha esposa.
Se eu não tivesse olhado para o lado, se eu não tivesse olhado ela cantar, estaríamos chegando na cidade.
Talvez se...
É tudo culpa minha.
Eu nem sei o que mais doí, a perda do amor da minha vida bem diante dos meus olhos ou a dor na minha perna, enquanto os paramédicos tentam me tirar do meio das ferragens. Não foi só a perna da Chloe a ser esmagada. A dela só foi pior.
Ela partiu sentindo dor...
Foi culpa minha.
Eu matei a minha esposa.
Com tudo, com tanta dor, o meu pobre corpo não resistiu.
"Está quase... pronto..."
Oliver StewartDepois de tantos anos, tanta dor e tanto arrependimento, esse foi o melhor final de semana da minha vida. Eu morei em Londres por dois longos anos e nenhum dia sequer foi tão lindo, leve e pacífico quanto este. Cada segundo ao lado dela valeu a pena.Zoe é tão esperta e inteligente quanto sua mãe e nem parece que tem só cinco aninhos, eu sei que não tenho mérito por isso, mas sigo orgulhoso pela minha filha. Neste exato momento, depois de um dia completamente cheio de brincadeiras, risadas e cansaço, estamos deitados no sofá da sala e ela está com a cabeça apoiada no meu braço quase dormindo.Eu queria ficar preso nesse dia, refazer tudo de novo.Hoje seria o dia perfeito para ficar preso num loop temporal, caso isso existisse.Por que o tempo passa tão rápido?Amanhã ela já tem que retornar para o colégio e eu ficarei uma semana longe da minha pequenina, sim. Será uma semana tortuosa.— Papai... — ela sussurra sem se mexer.— Oi, meu amor — acaricio seus cabelos clar
Rebecca ViturinoBalanço a cabeça na tentativa frustrada de deixar aquele olhar esquecido na memória e resolvo tomar um banho, talvez ajude.A água morna nas minhas costas pareceu ajudar.A tensão da semana, o cansaço e o alívio de ter sobrevivido mais uma semana, nem acredito que consegui. Foi uma semana muito difícil, cansativa e pensei que não ia conseguir, talvez seja meu ciclo irregular que me deixa mal humorada e ao mesmo tempo, triste como se alguém tivesse partido, mas no fim, eu consegui, deu tudo certo e nem surtei.Além de dar aulas, eu faço faculdade à noite, e não vejo a hora de terminar nos próximos meses, o dia já é cansativo com tantas meninas e de noite, tenho aulas até as dez horas, o que torna tudo ainda mais exaustivo. Saio do banho, visto uma camiseta manga longa branca, uma calça jeans preta e para aquecer coloco um casaco também preto. Agora é quase fim de outono e as noites tendem começar esfriar, nada insuportável, mas é bom andar prevenida.Olho para o criad
Rebecca ViturinoSaio do quarto em direção ao pátio para me despedir das demais alunas e preciso me acostumar com a ideia de que Zoe tem uma família, ela tem um pai e não é igual a mim, isso é bom. Ela não vai sofrer tanto quanto eu, não que ela já não tenha sofrido.Preciso me despedir dela e entregar sua mochila, já que saiu tão rápido e ansiosa que nem lembrou de pegar a mochila.Eu amo cada menina, todas tem um espacinho no meu coração e meu carinho, mas Zoella parece diferente. Desde que chegou aqui toda receosa e com medo, desde o primeiro momento ela conquistou meu coração.Zoe é especial.Enquanto me despeço de uma das meninas, ouço a voz da minha princesa, mas assim que lhe olho, fico envergonhada ao receber sobre mim dois pares de olhos azuis me encarando.Eu pensei que o senhor Stewart fosse um homem comum, mas como Zoe seria linda se o pai fosse feio?Balanço minha cabeça de forma imperceptível, tentando afastar os pensamentos sobre como ele é bonito.A fina camada de barb
Rebecca ViturinoÉ como dizem, nada na vida é como a gente quer, e comigo não foi diferente. Ser abandonada por seus pais é algo doloroso demais e eu fui desprezada quando ainda era uma criança junto de minha irmã Natasha.Eu tinha cinco anos e Nat com oito anos, e como se não pudesse ser pior, fomos forçadas a ficar separadas. Eu era tão apegada com ela, eu achei que nunca nos fosse acontecer algo, mas o inesperado aconteceu.Nem gosto de me lembrar.Nat foi morar com nossa tia-avó, porém, ela já era uma senhora e não tinha condições para cuidar de duas crianças, então nesse caso, ela escolheu Nat que já poderia ajudar ela com os afazeres da casa e me mandou para um colégio interno, onde vivi toda a minha vida.Essa nossa tia conhecia a diretora do colégio e de alguma forma conseguiu uma vaga para mim de graça, já que hoje eu sei o quanto custa estudar aqui. E dessa forma, tive acesso a cuidados, educação, ganhei uma cama para dormir e ainda permaneço aqui.A senhora Barbara, diretor
Oliver StewartPoucos minutos depois que na verdade pareceram horas para mim, vejo a porta ser aberta e minha pequenina me encara com seus lindos e brilhantes olhos azuis.— Papai... — ela fica estática e seus olhos começam ficar vermelhos assim como seu nariz.— Oi, meu amor.— Papai...Mesmo que estivéssemos a poucos metros um do outro, ela correu para meus braços e levanto ela no meu colo abraçando apertado a minha maior riqueza. Como pude ficar tanto tempo longe de você, filha?— Não vai embora de novo, né papai? — Questiona deitada a cabeça no meu ombro.— Não filha, nunca mais.— Promete? — ela me olha.— Sim, eu prometo.— Eu te amo, papai.Foi a melhor frase que ouvi nesses últimos dias. O eu te amo mais puro que já ouvi.— Eu também te amo, meu anjinho.Ela me olha com carinho, os mesmo olhos carinhosos de Chloe e acaricia o meu rosto coberto por uma camada fina de barba e deposita um beijo na minha bochecha.— Vamos papai?— Claro. Deixo alguns beijos na sua bochecha e el
Oliver Stewart— Ah menino, que bom te ver. — Sou recebido no pé da escada por Regina. — Esta casa é tão silenciosa, espero que tudo volte ao normal. — abraço-a com carinho.— Também é bom te ver, Regina.— Fiquei muito feliz quando soube que o senhor estava vindo.— Estou feliz por estar de volta.— Seja bem-vindo ao lar, senhor.— Não me chame de senhor, somente Oliver. — seguro sua mão e ela sorri.Eu detesto que me chamem pelo meu nome, apenas a minha família me chama assim. É assim que prefiro ser respeitado por todos ao meu redor, e mesmo que Regina seja uma as minhas empregadas, ela também é da família.Para ela é uma exceção.— Vou tentar, Oliver.— Assim é melhor. — sorrio junto dela.— Vamos o jantar está servido. — ela dá alguns tapinhas no meu ombro e se distancia.Vou até a sala de jantar logo atrás dela e me sento junto dos meus irmãos. Pela primeira vez em anos, eu me sinto feliz e tranquilo num jantar.Pode parecer que não, mas eu sentia falta da minha família.Estou f





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