Havia algo libertador no fundo do poço. Quando se cai o suficiente, o medo muda de forma, deixa de ser paralisia e vira movimento.
Valentina observava a própria imagem refletida na janela do apartamento de Breno.
Cabelos presos num coque malfeito, olheiras fundas, a pele mais pálida que o habitual. Mas os olhos… estavam diferentes.
Mais duros.
Mais vivos.
— Vai dar certo — disse ela a si mesma. Pela décima vez naquela manhã.
Breno ainda estava dormindo. Ela passara a noite em claro, rabiscando