Durante quatro anos de casamento, o marido dela traiu a relação que juraram proteger. Ele se lançou loucamente atrás de seu amor da juventude, tentando compensar os arrependimentos do passado. Helena Santos o amava profundamente e se esforçou para retê-lo. Mas ele segurando o seu primeiro amor nos braços, zombou: — Helena, não há nada de sexy em você! Só de olhar para esse seu rosto frio, perco completamente o interesse. Foi nesse momento que Helena finalmente perdeu as esperanças. Ela não se apegou mais e partiu com dignidade. ... Quando se reencontraram, Bruno Lima não reconheceu a ex-esposa. Helena abandonou sua imagem rígida e se tornou uma mulher doce e encantadora. Homens enlouqueciam por ela, e até mesmo Rui Luís, o homem mais poderoso, só sorria para sua Helena. Bruno enlouqueceu! Passava todas as noites diante da porta da ex-mulher, oferecendo cheques e joias, querendo arrancar o próprio coração para entregá-lo a ela. Curiosos perguntavam sobre a relação entre os dois, e Helena, com um sorriso tranquilo, respondeu: — O Sr. Bruno é apenas um homem que me acompanhou no passado.
Ler maisBruno entrou no carro.Juliana, sentada no banco do passageiro, virou o rosto e disse suavemente:— Meia hora depois começa a nossa reunião mensal, o senhor quer dar uma olhada no material antes?Bruno folheou algumas páginas, mas estava inquieto, como se algo fosse acontecer. Ele largou os documentos e disse a Juliana:— Cancele a reunião, remarque para amanhã.Juliana ficou surpresa.Mais tarde, Bruno dirigiu sozinho até o apartamento de Helena.Nesses dias, sempre que a saudade o consumia, ele ia até lá, limpava o lugar, preparava uma refeição, fingia que Helena ainda estava ali, que ainda eram marido e mulher, que a qualquer momento ela abriria a porta dizendo:— Bruno, voltei.Mas agora, até ouvir uma única palavra dela tinha se tornado um luxo.Como de costume, ele arrumou todo o apartamento, trocou o vaso por um buquê de copos-de-leite brancos, trouxe ingredientes frescos. Só quando estava ocupado Bruno conseguia sentir alguma calma.Logo, o som da faca picando legumes ecoava da
O interior da van era espaçoso. Fabrício, de terno, se agachou diante de Helena e, após um momento em silêncio, disse baixinho:— Que tal ficar comigo? Eu vou cuidar de você e da criança, vou trabalhar duro, não vou deixar que você se preocupe com nada.Helena não respondeu, apenas acariciou suavemente a cabeça do “cachorrinho leal” e disse com ternura:— Fabrício, uma pessoa ferida por dentro não tem como dar felicidade a outra. O que eu quero é ver você feliz. Aos meus olhos, você...— Eu já não sou mais uma criança! — Interrompeu ele, a voz áspera.Fabrício agarrou a mão dela e a levou até o próprio peito, fazendo-a sentir os músculos firmes, e ainda tentou forçar a descê-la mais. Helena se desvencilhou e voltou a acariciar a sua cabeça, mas não disse nada.O rapaz ficou ansioso:— Por você, eu me tornei como ele, mas você ainda não gosta de mim. Me diga, em que mais eu ainda não fiz o suficiente? Eu mudo, pode ser?Helena balançou a cabeça, fitou o rapaz e disse baixinho:— Fabríci
Em Março, os negócios do Grupo Glory iam de vento em popa. Bruno mergulhou toda a sua energia no trabalho, e os resultados da empresa subiam como a maré.No fim do mês, ele participou de um banquete. Apesar de estar mais magro, vestia um clássico smoking preto e branco que realçava ainda mais sua beleza elegante. Inúmeras mulheres o olhavam com desejo, sonhando em se casar com ele.Bruno segurava uma taça de champanhe, mas a solidão lhe pesava. Ele já não conseguia mais ver aquela pessoa que tanto queria ver.O pai de Fabrício, Roger, se aproximou todo sorridente, comentando:— Bruno, por que sozinho aqui? Mulheres bonitas querendo conversar com você não faltam.— Que nada, Sr. Braga. — Bruno sorriu de leve.Ao notar seu desânimo, Roger mudou logo de assunto:— Bruno, graças à sua recomendação, o Fabrício amadureceu muito, já parece um homem, consegue lidar sozinho com várias situações. Isso tudo devemos a você.O nome de Fabrício o deixou atordoado por um instante.Fabrício... Ainda e
No fim de janeiro, Bruno recebeu um telefonema da Cidade D. A chamada vinha da Rua Glória do Carmo, nº 618, o endereço do principal manicômio da cidade.Após um mês de interrogatório, Melissa se manteve firme, resistindo sem abrir a boca, mas um laudo médico de doença mental foi suficiente para mandá-la ao manicômio.O médico responsável pela Melissa, de sobrenome Guedes, era um homem de cerca de quarenta anos, bastante esperto. Ele sempre informava Bruno imediatamente sobre qualquer novidade a respeito dela.Do outro lado da linha, a voz grave do Dr. Guedes soou:— Agora há pouco, a Srta. Melissa sofreu um aborto espontâneo.Na sala da presidência do Grupo Glory, sentado no sofá diante da ampla janela, Bruno segurava o celular. Seu rosto estava impassível e a voz soou indiferente:— Vou estar aí em meia hora.— Sei como proceder, pode ficar tranquilo, Sr. Bruno. — Assentiu Dr. Guedes....Meia hora depois, um Rolls-Royce Phantom preto entrou lentamente na Rua Glória do Carmo, nº 618.
Ele ainda era muito pequeno, com apenas um pouquinho de tamanho. Se o carma, o ciclo das causas e efeitos, e as punições do mundo espiritual puderem recair todas sobre Bruno, mesmo que isso significasse um sofrimento eterno, mesmo que seu corpo fosse despedaçado, ele não se importaria!“Deuses no céu, por favor, deem ao meu filho Gonçalo um lugar para repousar.”...Depois de voltar do templo, Bruno adoeceu gravemente. Os médicos não tinham solução, e só na metade de janeiro ele começou a melhorar um pouco.No final da tarde, nuvens roxas e vermelhas cobriam o céu.Uma limusine preta brilhante entrou devagar na Mansão Torrente. Quando o carro parou, o motorista desceu para abrir a porta. Harley, vestida elegantemente, saiu do carro carregando uma caixa de comida bem bonita, onde estavam os pãezinhos de queijo que ela tinha feito com as próprias mãos.A empregada veio recebê-la:— Senhora.Harley entregou a caixa para a empregada e, subindo as escadas, perguntou:— O Bruno está melhor?
Bruno saiu do prédio, e pelo corredor atrás dele parecia ainda ecoar o grito estridente de Melissa.Ao redor, um silêncio assustador, como se estivesse emboscado por inúmeros espíritos e demônios.Bruno não acreditava em deuses, mas sentia que esses espíritos haviam se transformado em ganância, raiva e ignorância, se infiltrando em seus ossos e sangue. Seu destino de hoje foi causado justamente por esses demônios interiores.Se ele não fosse tão apegado ao poder, teria percebido cedo seus sentimentos pela Helena. Não teria deixado uma mulher que o amava sofrer por quatro anos, perdendo a avó e o filho que carregava no ventre.O monge do Templo da Esperança disse certa vez que ele estava cheio de rancor e poderia ferir aqueles ao seu redor, ninguém terminaria bem assim.O vento frio da noite soprava forte, levantando os fios de cabelo de Bruno, trazendo um arrepio por todo o corpo. As luzes da rua alongavam sua sombra.Ele entrou no carro gelado, e sua mente repassava os acontecimentos
Último capítulo