Mundo de ficçãoIniciar sessãoÁgatha nunca foi do tipo que abaixa a cabeça. Bonita, ousada e com a língua mais afiada do que deveria, ela sabe como provocar — e gosta de jogar com os limites. Dante, por outro lado, é tudo aquilo que ela detesta: frio, controlador, calculista… mas também o único capaz de acender nela uma chama que beira a loucura. Entre eles, cada olhar é um desafio, cada silêncio, uma guerra, e cada toque, um incêndio prestes a consumir os dois. Ele a chama de vulgar. Ela o chama de arrogante. Ele tenta ignorá-la. Ela o provoca até perder o fôlego. Mas quando o jogo de orgulho, desejo e palavras cortantes se torna perigoso demais, Ágatha e Dante precisam decidir: ou se destroem em meio às chamas, ou aceitam que a única guerra que não podem vencer é a que travam contra os próprios sentimentos.
Ler maisO que mais me incomodava não era a imagem. Era o detalhe. Passei a manhã inteira tentando entender por quê, até aceitar que não era dor — era desalinho. Algo naquela cena não encaixava na pessoa que eu conhecia. Não na versão pública de Dante. Na privada. Dante não toca assim. Simples assim. Ele não é do tipo que envolve a cintura de alguém em público. Nunca foi. Nem quando quer parecer íntimo. Nem quando está tentando convencer. O gesto dele sempre foi outro: contido, calculado, quase austero. Dante controla o corpo como controla o mundo ao redor. E, naquela noite, o gesto que eu vi era… solto demais. Quase teatral. Aquilo não era o Dante que eu conhecia. Era uma versão ensaiada dele. Esse pensamento me atravessou com força suficiente para me fazer sentar na beira da cama, respirando fundo. — Não faz sentido… — murmurei. Porque, se ele estivesse mesmo envolvido com aquela mulher, não teria marcado comigo. Não teria insistido. Não teria deixado nada ao acaso. Dante odeia i
Voltei para casa como quem atravessa um corredor muito longo, segurando os próprios pedaços para não desmoronar antes de chegar na porta. Não lembro da metade do caminho. Não lembro de Matteo dizendo nada — se disse. Não lembro de agradecer, nem de me despedir. Lembro só da imagem. Dante. Aquela mulher. A proximidade indecente. A mão dele na cintura dela como se fosse natural. O sorriso dela como se já tivesse sido repetido antes. E eu… eu ali, do lado de fora, como uma idiota que ainda acreditava que ele era diferente. Entrei no apartamento sem acender as luzes. O escuro parecia mais honesto do que qualquer coisa que estivesse dentro de mim. Larguei a bolsa no chão. Apoiei as mãos na bancada. Respirei fundo. E doeu. Doía num lugar que eu fingia não existir. — Ridículo… — sussurrei para ninguém. — Você é ridícula. Bebi água direto da torneira — como se isso pudesse apagar o gosto amargo daquela cena. Mas não apagou. Nenhuma parte apagava. Eu não sabia quanto tempo
Eu não sei exatamente em que momento percebi que Matteo não estava dirigindo na direção da mansão.Acho que foi quando ele entrou numa avenida que eu sabia que não levava a lugar nenhum que Dante chamaria de “encontro”.— Matteo… isso não é o caminho para a mansão. — Minha voz saiu baixa, mas firme.Ele não respondeu.Apenas manteve as mãos no volante, rígidas, quase brancas na curva dos dedos.— Você disse que eu precisava ver alguma coisa.— Precisa — ele confirmou, ainda encarando a estrada. — Antes das nove.Um arrepio atravessou minhas costas.— Ver o quê?Ele demorou mais do que o necessário para responder.— A verdade.Quase ri.Uma risada seca, amarga.— Desde quando você é o guardião da verdade, Matteo?Ele respirou fundo — aquele tipo de respiração que tenta esconder tensão, mas falha miseravelmente.Não insisti.Porque, lá no fundo, alguma coisa me dizia que ele não responderia.E pior: que talvez eu nem quisesse ouvir a resposta.O carro atravessou ruas que eu não reconhec
Passei o resto da tarde fingindo que aquela folha não existia. Abri o notebook. Fechei. Anotei ideias para o projeto editorial. Rabisquei tudo. Tentei ouvir música. Troquei por silêncio. Tentei silêncio. Corri para a música. Nada funcionava. Cada vez que eu tentava mergulhar em algo que fosse meu, uma parte de mim puxava de volta para o mesmo ponto: 21h. Eu odiava isso. A sensação de estar reagindo a alguém. De ajustar meu ritmo ao passo de outra pessoa. De não ser totalmente minha. E, ainda assim, era impossível ignorar. O convite — ordem? — do Dante latejava mais forte do que qualquer lógica. Às sete da noite, eu decidi que não iria. Tomei banho. Vesti um moletom. Prendi o cabelo numa trança displicente. Me olhei no espelho. “Pronto. Isso parece a roupa de alguém que não vai.” Desci para comprar algo para comer. A rua estava tranquila; a cidade parecia respirar numa cadência mais lenta. Não sei se era o contraste com a minha cabeça acelerada ou pura coincidência.










Último capítulo