136. A rachadura no que eu vi
Voltei para casa como quem atravessa um corredor muito longo, segurando os próprios pedaços para não desmoronar antes de chegar na porta.
Não lembro da metade do caminho.
Não lembro de Matteo dizendo nada — se disse.
Não lembro de agradecer, nem de me despedir.
Lembro só da imagem.
Dante.
Aquela mulher.
A proximidade indecente.
A mão dele na cintura dela como se fosse natural.
O sorriso dela como se já tivesse sido repetido antes.
E eu… eu ali, do lado de fora, como uma idiota que ain