Mundo de ficçãoIniciar sessãoJames volta para Nova York depois de uma temporada no exterior expandindo os negócios. Ao retornar, ele descobre que o seu irmão está noivo. Mas o que James não esperava, é se apaixonar à primeira vista pela mulher, que ele descobre ser a noiva do seu irmão, Liam.
Ler maisCinco anos. Parece pouco quando dito em voz alta, mas dentro da pele... é uma eternidade. A Grécia me deu mais do que eu vim buscar. Me acolheu com seu silêncio, com o som das cigarras nas tardes quentes, com o mar de um azul que nunca se repete. Com o tempo, aprendi a andar no compasso daqui, onde ninguém olha para o relógio com medo, onde a pressa parece ofensa. E era exatamente isso que eu precisava: desacelerar de tudo que me corroía por dentro. Nunca mais voltei para Manhattan. A decisão não foi drástica, não houve um rompimento dramático. Apenas fui ficando, mês após mês, até que não fazia mais sentido ir embora. Deixei meu cargo na empresa — um lugar onde, sinceramente, nunca me senti completamente em casa. Meu pai, contrariando sua aposentadoria, voltou ao comando. Assumiu como presidente, acumulando também o posto de CEO, como fazia nos velhos tempos. Eu sabia que ele gostava da rotina, da liderança. Aquele era o mundo dele, não o meu. Ainda assim, acompanhei tudo de
Liam continuava fechado num mundo só dele. Um mundo de negação, revolta e dor. James o visitava quase todos os dias, sempre com a esperança tola de que algo tivesse mudado. Que um “bom dia” ganhasse resposta. Que uma pergunta qualquer fosse recebida com mais do que um silêncio carregado ou um olhar cheio de desprezo. Mas dia após dia, o que ele encontrava era um irmão cada vez mais amargo — com o mundo, com os médicos, com os pais, consigo mesmo. E com ele. A cadeira de rodas estava ali, ao lado da cama, como uma sentença. Os médicos haviam sido claros: Liam enfrentaria um processo longo de recuperação. Havia comprometimentos musculares e neurológicos causados pelas fraturas múltiplas e, ainda que tivessem conseguido reduzir o edema cerebral nas primeiras 48 horas, o prognóstico exigia tempo, fisioterapia e força de vontade. Mas Liam não queria ouvir. Nem dos médicos. Nem dos pais. Muito menos de Dominique. Ela o visitou duas vezes nas últimas semanas. James soube por Cora e d
O restaurante escolhido por Sophie ficava discretamente posicionado entre os edifícios elegantes do Soho — o Lure Fishbar, com sua iluminação baixa, interior aconchegante e um clima que misturava sofisticação com acolhimento. Quando James entrou, sentiu o contraste imediato entre o mundo silencioso do hospital e o ambiente cheio de vozes suaves, taças tilintando e a música ambiente que preenchia o ar como um sopro leve. Ela já o esperava, sentada a uma mesa no canto, próxima da janela. Estava com um vestido simples, azul-escuro, e o cabelo preso de forma displicente, mas elegante. Quando o viu, sorriu de leve, um sorriso pequeno, como se aquele gesto contivesse uma memória inteira. — Obrigada por ter vindo — disse ela, quando ele se aproximou. James sentou-se devagar, como se ainda estivesse digerindo o que haviam vivido no hospital algumas horas antes. — Pensei que não seria uma má ideia jantar… já que mal comi o dia todo — respondeu, forçando um sorriso breve. O coração ai
O ar ainda carregava um frescor leve da madrugada quando James começou a correr pelas ruas quase vazias do bairro. O céu acima tingido por tons suaves de dourado e cinza, e o som dos próprios passos no asfalto era seu único companheiro. Não corria para manter a forma. Corria para silenciar a mente. Depois de mais de um ano afastado, voltar para Manhattan era como voltar para uma guerra que fora abandonada, decisões adiadas e realidades que ele preferia evitar. Mas fugir não parecia mais suficiente. Ele precisava estar ali. Pelo menos por enquanto. Quando voltou ao apartamento, já suado e com o corpo aquecido, tomou uma ducha rápida, vestiu-se de forma casual e saiu para um brunch — e naquela cidade, era quase uma tradição de sobrevivência para quem não tomava café cedo e almoçava tarde demais. Sentou-se numa cafeteria discreta, pediu ovos com torradas e café preto, e comeu em silêncio, ouvindo uma conversa vaga na mesa ao lado e deixando os pensamentos vagarem entre a vida n
Os dias passaram como folhas levadas por um vento indeciso — nem rápidos o suficiente para que ele sentisse alívio, nem lentos o bastante para que houvesse paz Liam, aos poucos, deixava para trás a UTI. As visitas do médico vinham acompanhadas de notícias progressivamente melhores: a sedação havia sido suspensa, o edema cerebral regredira, e os exames indicavam recuperação. Agora, ele estava em um quarto privativo, ainda frágil, mas consciente e lúcido o suficiente para escolher com quem falava — e com quem preferia não falar. James fazia visitas pontuais, quase sempre junto aos pais. Sentava-se em silêncio em um dos cantos do quarto, observando as máquinas, o ritmo calmo da respiração do irmão, o olhar perdido de Cora que parecia, desde o acidente, nunca sair dali de verdade. Às vezes, Sophie aparecia com Chloe e Martha, caminhando pelos corredores do hospital como quem já conhecia os cheiros e as luzes daquele lugar. As interações entre eles eram delicadas, contidas, como se
A sala de espera estava mais silenciosa do que de costume naquela manhã. James se recostou na poltrona, o olhar fixo na televisão desligada à sua frente. As atualizações sobre Liam vinham devagar, em boletins médicos espaçados, como se cada detalhe fosse medido para não trazer nem pânico, nem esperança precipitada. Ele já havia se acostumado com o ritmo gelado dos corredores do hospital, com o tilintar de carrinhos metálicos, com os passos apressados de enfermeiros e os olhares vagos de quem também esperava. Ouviu os passos leves antes de vê-la. Sophie se aproximou com dois copos de café de tampa branca. Estendeu um a ele com um leve sorriso. — É só café comum. Nada grego dessa vez. James aceitou, os dedos roçando os dela por um segundo. — Obrigado. — disse, sem conseguir disfarçar o cansaço na voz. Ela o observou por um instante antes de se sentar ao seu lado. — Você está diferente. — comentou, após um gole. — O cabelo mais comprido… a barba… Ele sorriu de leve, os ol










Último capítulo