134. A linha que eu não deveria cruzar
Passei o resto da tarde fingindo que aquela folha não existia.
Abri o notebook.
Fechei.
Anotei ideias para o projeto editorial.
Rabisquei tudo.
Tentei ouvir música.
Troquei por silêncio.
Tentei silêncio.
Corri para a música.
Nada funcionava.
Cada vez que eu tentava mergulhar em algo que fosse meu, uma parte de mim puxava de volta para o mesmo ponto: 21h.
Eu odiava isso. A sensação de estar reagindo a alguém. De ajustar meu ritmo ao passo de outra pessoa. De não ser totalmente minha.