Mundo de ficçãoIniciar sessãoLaura e Apollo sempre foram inseparáveis. Desde os dias de infância até as noites em que dividiam segredos sob o céu estrelado, eles acreditavam que nada poderia abalar a amizade pura e intensa que os unia. Mas o tempo, com sua forma silenciosa de transformar sentimentos, começou a mudar o que antes era simples. Quando um acontecimento inesperado ameaça afastá-los, ambos são forçados a confrontar o que há muito tempo evitavam: o amor escondido por trás de cada olhar, cada toque, cada sorriso. Entre escolhas difíceis, palavras não ditas e corações acelerados, Laura e Apollo precisarão decidir se vale a pena arriscar a amizade mais preciosa por um amor que pode ser eterno — ou acabar antes mesmo de começar.
Ler maisEra madrugada. A cidade dormia sob um céu opaco, encoberto por nuvens pesadas e silêncio. Laura acordou com uma dor que rasgava diferente. Não era como as contrações de treinamento. Era fundo, pulsante, um chamado.Sentou-se na cama, respirando devagar. Olhou o relógio: 03:12 da manhã. Sentiu outra contração — mais intensa, mais certeira.— Apollo... — chamou, com a voz trêmula.Ele acordou num pulo.— Tá tudo bem? Laura?— Acho que... chegou a hora.A frase soou como um trovão silencioso. Ele vestiu a primeira camisa que viu, tropeçou em um chinelo, correu até a porta e depois voltou pra ampará-la com cuidado.— Respira comigo, amor. Devagar... isso, assim...Entre respirações e instruções da obstetra pelo telefone, colocaram a bolsa da maternidade no carro e partiram. O mundo parecia suspenso, as luzes dos postes passavam como vultos dourados, e dentro do carro só se ouvia o som ritmado da respiração de Laura
Aurora.Esse foi o nome que escolheram.Laura o disse em voz alta pela primeira vez enquanto acariciava a barriga, sentada na poltrona branca do quarto que estavam montando. Apollo ouviu e parou o que estava fazendo — tentava montar o berço sem olhar o manual.— Aurora? — ele repetiu.— A luz depois da escuridão. O recomeço. O nascer de um novo dia... — Ela virou o rosto para ele. — Acho que é o nome dela.Apollo deixou a chave de fenda cair devagar no chão e foi até Laura. Ajoelhou-se, pousou a cabeça sobre a barriga já um pouco saliente e sussurrou:— Oi, Aurora. Eu sou o seu pai. E vou te amar pra sempre.---Os preparativos começaram como um redemoinho de emoções. O quarto foi ganhando vida aos poucos: tons de lilás e creme, bichinhos de pelúcia, quadros com frases inspiradoras, e o móbile que Apollo montou sozinho e pendurou com orgulho sobre o berço.Laura, porém, começou a sentir as mudanças emocionai
Laura passava os dedos lentamente sobre a barriga ainda discreta, como se pudesse tocar o pequeno universo que crescia ali dentro. Cada dia parecia mais real, mais vibrante, mais vivo. O coração batia em ritmo acelerado só de pensar: “Hoje, a gente vai descobrir quem é você.”Apollo estava eufórico desde que acordara. Correu pela casa colocando balões, fitas, organizando a playlist e checando se tudo estava perfeito. Era a primeira grande comemoração deles como uma família em formação — e ele queria que fosse inesquecível.— Você acha que é menino ou menina? — ele perguntou pela terceira vez naquela manhã, colocando o último balão na parede da varanda.Laura sorriu, observando-o com ternura.— Eu sonho com uma menininha. Mas também sonho com um menininho. Então... acho que sonho com você em versão miniatura.— Uma versão de nós dois. Isso já é surreal o suficiente.— Não importa o que venha... já é tudo o que eu sempre quis.---O chá revelação seria simples e acolhedor, como tudo que
O teste já estava guardado em uma caixinha branca, trancada na gaveta da escrivaninha, mas parecia vibrar em silêncio cada vez que Laura passava por perto. Fazia duas semanas desde que ela e Apollo descobriram que seriam pais. Eles prometeram guardar a notícia apenas entre os dois por um tempo, e até ali tinham conseguido. Quase.— Eu vou explodir se não contar isso pra alguém — Apollo disse num domingo qualquer, enquanto eles arrumavam a sala para receber os pais de Laura para um almoço.— Eu também — Laura riu, ajeitando as almofadas do sofá. — Mas vamos fazer isso direito. Hoje, contamos pra minha família. Depois, a sua. E então… pro mundo.Apollo passou o braço pela cintura dela e beijou sua testa.— Vamos fazer isso do nosso jeito. Do jeitinho certo.---Os pais de Laura chegaram pontualmente às 13h. Dona Vera, com sua energia vibrante, trouxe flores e um bolo caseiro. O pai, Seu Marcos, entrou sorrindo, com aquele olha
Último capítulo