Mundo de ficçãoIniciar sessãoLilly só queria salvar a família. James só queria viver. O que era para ser um casamento perfeito, virou um caos. Lilly é abandonada no altar e obrigada a se casar com James, seu cunhado. Os dois, que não são nada compatíveis, tentam sobreviver no mesmo teto, enquanto Christopher, o noivo, tenta recuperar a mulher, a sua prometida.
Ler maisLilly Nunca pensei que o som dos sinos pudesse soar tão frio. Eles ecoavam pelo pátio da igreja como se zombassem de mim — um lembrete doloroso de que a cerimônia começaria em poucos minutos, e eu, vestida de branco, estava prestes a me tornar a esposa de um homem que mal conhecia.
O vestido era pesado, o tule arranhava meus braços a cada movimento, e o perfume das flores misturava-se ao cheiro doce e sufocante do nervosismo. Minha mãe andava de um lado para o outro na entrada da igreja, o celular colado ao ouvido, os dedos trêmulos tentando manter a compostura que sempre fora sua marca registrada. — Ele ainda não chegou — ela disse, a voz embargada, como se dissesse aquilo a si mesma. Por um instante, não entendi. Pisquei, devagar.James Desde que voltei para Londres, me enterrei no trabalho como quem cava a própria trincheira. Chego cedo, saio tarde, e quando percebo já escureceu do lado de fora das janelas de vidro do escritório. A cidade continua viva lá embaixo, apressada, indiferente, enquanto eu empilho relatórios, reuniões e decisões como se isso fosse capaz de silenciar qualquer pensamento que leve o nome da Lilly. O problema é que não leva. Ela aparece nos intervalos, nos espaços entre uma linha e outra, no reflexo da tela desligada do computador, no cansaço que se acumula atrás dos olhos. Henry entra na minha sala sem bater, como sempre fez. Ele carrega alguns relatórios debaixo do braço e os coloca sobre a mesa, alinhando as folhas com cuidado excessivo. Depois se joga na cadeira à minha frente e solta um suspiro pesado, daqueles que vêm do fundo do peito. — O que foi? — pergunto, sem levantar o olhar dos papéis. — Ando cansado ultimamente — ele responde, passando a mão pelo rosto. — Tira
Lilly A casa dos meus pais parecia menor naquela tarde, como se as paredes tivessem se aproximado umas das outras, comprimindo o ar e a minha respiração junto. O relógio da sala marcava um tempo que não passava, o tic-tac insistente me deixando ainda mais nervosa. Meu pai estava sentado em sua poltrona de sempre, com as mãos apoiadas nos braços, rígido demais. Minha mãe caminhava de um lado para o outro, inquieta, até parar à minha frente e cruzar os braços, tentando esconder a apreensão que transbordava no olhar. — Lilly, chega de suspense — ela disse, com a voz controlada demais para ser natural. — O que está acontecendo? Senti a garganta fechar. Inspirei fundo, tentando manter as lágrimas onde estavam, mas elas ardiam, ameaçando cair a qualquer segundo. Caminhei até o sofá e me sentei entre os dois, sentindo o peso daquele momento cair sobre mim. — Eu preciso que vocês me apoiem — comecei, com a voz trêmula. — Do mesmo jeito que apoiaram a Jodi quando ela se divorciou.
James Fui para um hotel como quem foge de um incêndio, sem olhar para trás, sem pensar muito, apenas dirigindo até não reconhecer mais as ruas. O prédio era alto, de vidro espelhado, desses que parecem não pertencer a ninguém. Entrei no saguão sentindo o cheiro neutro de limpeza e ar-condicionado, um contraste absurdo com o caos que estava dentro de mim. Fiz o check-in quase no automático, respondi perguntas básicas, peguei o cartão do quarto e subi. Quando a porta se fechou atrás de mim, o silêncio caiu pesado, quase ensurdecedor. Larguei a mala no chão, abri alguns botões da camisa e me sentei na beira da cama, encarando a parede como se ela pudesse me dizer o que fazer da minha vida a partir dali. Peguei o celular. O nome de Alice estava ali, fácil de achar. Respirei fundo antes de ligar. — Alice, sou eu, James — disse assim que ela atendeu. — James, tudo bem? — a voz dela soou cordial, profissional. — Vou desistir do contrato — fui direto. — Não vou seguir com a sala c
Lilly Entro em casa batendo a porta mais forte do que pretendia. O som ecoa pela sala silenciosa e volta para mim como um lembrete cruel de que nada, absolutamente nada, saiu como eu planejei. Jogo a bolsa sobre o aparador, tiro os sapatos no meio do caminho e passo a mão pelos cabelos, sentindo o corpo inteiro vibrar com a minha irritação. Estou irritada, exausta, emocionalmente drenada. A conversa com James fica se repetindo na minha cabeça como uma cena mal editada, cheia de cortes bruscos e palavras que doeram mais do que eu esperava. Eu sabia que esse momento chegaria. Talvez não hoje, talvez não desse jeito, mas em algum ponto nós dois iríamos perceber que somos feitos de materiais diferentes. Que amar, ou quase amar, não apaga abismos. O divórcio sempre esteve ali, à espreita, como uma decisão adiada. Só não imaginei que o peso dela cairia de uma vez só, esmagando tudo ao redor. O celular vibra. Quando pego, quase o deixo cair. O nome de Christopher aparece na tela. Res
James Chego ao apartamento do Christopher soltando um suspiro pesado, daqueles que parecem sair do fundo do peito e levar junto um pedaço da paciência. Jogo as chaves sobre o aparador e passo a mão pelo rosto, tentando me livrar da sensação incômoda de que estou carregando problemas demais para um dia só. Christopher está sentado no sofá, o laptop aberto sobre as pernas, concentrado em alguma coisa que ele fecha assim que me percebe. — E aí, como foi com o contrato? — ele pergunta, casual, como se minha cabeça não estivesse um caos completo. — Interessante — respondo, indo até a cozinha pegar um copo d’água. — Acabei passando o resto da tarde conversando com a corretora. Falamos de vida, de escolhas erradas, de problemas… Ele levanta uma sobrancelha, com o sorriso irritante que conhece minhas fraquezas melhor do que eu gostaria. — Interessante como? Você tá dando em cima da corretora pra conseguir algum benefício no aluguel? Reviro os olhos e bebo a água de uma vez. —
Lilly Dois dias sem notícias de James. Dois dias em que o silêncio dele virou um barulho ensurdecedor dentro da minha cabeça. No começo, liguei sem parar. Depois, mandei mensagens longas demais, explicativas demais. Agora, nem isso. Não sei mais se ainda sou casada ou se ele decidiu se afastar sem sequer me avisar. O que mais dói é não saber por quê. Fico revisitando cada detalhe dos últimos dias, tentando encontrar um erro, uma frase mal colocada, um olhar torto, qualquer coisa que explique esse sumiço. Respiro fundo antes de ligar para Christopher. Ele atende no primeiro toque. — Lilly? — Chris… você tem notícias do James? Há um silêncio curto demais para ser natural. — Isso não é coisa pra falar por telefone — ele diz. — A gente pode se encontrar? — Claro. Podemos, sim. Marcamos perto de um parque, um daqueles lugares que fingem calma mesmo quando tudo dentro da gente está em guerra. Quando chego, Christopher já está lá. Mal me cumprimenta direito antes de eu i















Último capítulo