Meu cunhado, meu marido

Meu cunhado, meu maridoPT

Romance
Última atualização: 2026-01-31
EllenRoza  concluído
goodnovel16goodnovel
10
1 Classificação
79Capítulos
3.2Kleituras
Ler
Adicionado
Resumo
Índice

Lilly só queria salvar a família. James só queria viver. O que era para ser um casamento perfeito, virou um caos. Lilly é abandonada no altar e obrigada a se casar com James, seu cunhado. Os dois, que não são nada compatíveis, tentam sobreviver no mesmo teto, enquanto Christopher, o noivo, tenta recuperar a mulher, a sua prometida.

Ler mais

Capítulo 1

Capítulo 1 - O casamento

  Lilly

  Nunca pensei que o som dos sinos pudesse soar tão frio. Eles ecoavam pelo pátio da igreja como se zombassem de mim — um lembrete doloroso de que a cerimônia começaria em poucos minutos, e eu, vestida de branco, estava prestes a me tornar a esposa de um homem que mal conhecia.

  O vestido era pesado, o tule arranhava meus braços a cada movimento, e o perfume das flores misturava-se ao cheiro doce e sufocante do nervosismo. Minha mãe andava de um lado para o outro na entrada da igreja, o celular colado ao ouvido, os dedos trêmulos tentando manter a compostura que sempre fora sua marca registrada.

  — Ele ainda não chegou — ela disse, a voz embargada, como se dissesse aquilo a si mesma.

  Por um instante, não entendi. Pisquei, devagar.

  — Como assim, não chegou?

  — Christopher… — Ela respirou fundo, desviando o olhar de mim. — Ele ainda não apareceu.

  Olhei para os convidados que chegavam, sorrindo, animados, completamente alheios ao caos que começava a se instalar nos bastidores. O fotógrafo me observava, pronto para registrar o grande momento, e tudo que eu conseguia pensar era que talvez não houvesse momento algum para registrar.

  Uma das madrinhas me segurou pelo braço e me conduziu até a pequena sala ao lado da sacristia — o “refúgio das noivas”, como chamavam. Ironia do destino. Aquele lugar cheirava a rosas e promessa, mas eu só sentia o gosto amargo da dúvida.

  Minha mãe entrou logo depois, seguida do pai de Christopher, o senhor Zabott, um homem imponente, com olhos que pareciam medir cada um de nós como peças em um tabuleiro de negócios. Atrás dele, estava outro homem — alto, de postura displicente e olhar indiferente. James Zabott. O irmão de Chris. 

  Ouvi alguém comentar que ele tinha acabado de chegar do exterior, convocado apenas para prestigiar o casamento do irmão. Era o tipo de homem que atraía atenção sem precisar fazer esforço algum. As mangas da camisa estavam dobradas até os cotovelos, o paletó aberto, e o cabelo desalinhado parecia combinar perfeitamente com o jeito entediado de quem já havia visto o suficiente do mundo para se aborrecer com cerimônias.

  Enquanto todos tentavam ligar para Christopher, o ar na sala se tornava cada vez mais denso.

  — O telefone está desligado — anunciou meu pai, pela quinta vez.

  — Isso é um absurdo! — bradou o senhor Zabott. — Meu filho jamais faria uma coisa dessas. Deve ter acontecido algum imprevisto.

  Mas os minutos passaram. Dez. Quinze. Quarenta. E a esperança foi morrendo devagar, como vela ao vento.

  Ninguém dizia em voz alta, mas todos sabiam. Christopher Zabott havia me deixado no altar.

  Sentei na poltrona, tentando controlar o tremor das mãos. Sempre fui ensinada a manter a calma, a racionalidade, a não permitir que as emoções ditassem minhas atitudes. Mas como ser racional quando o mundo desaba diante de todos, com as câmeras prontas e os convidados esperando?

  Minha mãe chorava baixinho. Meu pai discutia com o senhor Zabott, e as palavras “vergonha”, “acordo” e “famílias” ecoavam entre as paredes. Eu me sentia um fantoche no meio de um teatro de aparências, uma boneca de porcelana prestes a rachar.

  — O que faremos? — dizia o pai de Christopher. — Esse casamento precisa acontecer.

  — O senhor quer que ela se case com o vento? — retrucou meu pai. — Seu filho desapareceu!

  Foi então que alguém — não sei quem — sugeriu o impensável.

  — James pode substituí-lo.

  O silêncio que se instalou foi cortante. Todos olharam para ele.

  James arqueou uma sobrancelha, e soltou uma risada curta, descrente.

  — Estão brincando, certo?

  — Não há tempo — insistiu o pai. — É o mínimo que você pode fazer pela família.

  — O mínimo? — Ele deu um passo à frente, encarando o pai com um sorriso que não alcançava os olhos.   — O mínimo seria não me empurrar pro altar no lugar de um irmão que finalmente mostrou que é um covarde, pai. Eu não tenho nada a ver com essa loucura. 

  — Você não vai jogar fora tudo que tem, James. Se recusar, está fora da herança. — A voz do senhor Zabott cortou o ar como uma lâmina.

  James piscou devagar, como se calculasse o preço da própria liberdade.

  Por um segundo, pensei que ele diria “não”. E parte de mim queria que dissesse. Queria ir embora, me esconder, sumir debaixo do peso da vergonha. Mas então, ele suspirou. Um som rouco, quase resignado.

  — Que seja. Se é isso que vocês querem… Vamos acabar logo com isso. 

  Meu coração bateu forte, e eu não soube se era medo, raiva ou pura incredulidade.

  Eu me casaria, naquele mesmo dia, com um homem que mal sabia meu nome. E todos fingiriam que estava tudo bem, quando no fundo, era apenas o desespero de ambos os lados falando mais alto. 

                                ***

  O altar parecia mais frio do que antes. Talvez fosse o olhar de James, firme e carregado de um tipo de julgamento que me atravessava inteira. Ele não dizia nada, mas a forma como me observava, como se eu tivesse sido a causa de todo aquele teatro, era o suficiente para me fazer querer desaparecer sob o véu.

  As vozes se misturavam em um murmúrio constrangido. Todos sabiam que algo estava errado, mas ninguém ousava perguntar. As famílias Zabott e Moss eram poderosas demais para admitir um escândalo, e a sociedade, curiosa demais para deixar passar um.

  O padre hesitou por um segundo, olhando discretamente para os pais de ambos, como se pedisse uma confirmação muda. E ela veio, com o simples aceno de cabeça do senhor Zabott.

  James estava ao meu lado, as mãos nos bolsos, o olhar perdido entre o altar e as portas da igreja.

Quando ele finalmente estendeu a mão para mim, o fez com lentidão, como quem segura uma corda que queima.

  Suas palavras no momento do “sim” soaram quase como deboche, uma nota seca e sem emoção. O oposto absoluto do que aquele instante deveria ser. Eu apenas repeti as palavras, sentindo a garganta arder. O noivo errado. O casamento errado. Mas o dever, esse maldito dever, ainda era o mesmo.

  A cada flash das câmeras, eu me sentia menos real. Um retrato bem enquadrado de um erro que não poderia ser desfeito.

  Quando o padre declarou o que todos esperavam ouvir, houve um aplauso breve, quase educado, e então o silêncio desconfortável retornou. Mas o beijo dos noivos, seguiram outro roteiro. Não houve além de olhares e acenos com a cabeça. 

                                    ***

  O salão de festas ficava em uma propriedade costeira, na Carolina do Sul, e o som distante das ondas parecia zombar de nós também. As paredes de vidro refletiam o brilho do mar ao entardecer, e as luzes de cristal pendiam do teto como estrelas cansadas.

  As pessoas tentavam sorrir. Tentavam fazer parecer que nada havia saído do controle, que o novo casal era apenas… improvável, não escandaloso. Mas os olhares denunciavam o contrário. Havia cochichos, sorrisos disfarçados, perguntas não feitas.

  James estava ao meu lado o tempo todo, calado, com uma taça de champanhe que ele mal encostava nos lábios. Parecia observar o mundo como quem assiste a um espetáculo entediante.

  Quando chamaram os noivos para a primeira dança, ele suspirou. Um som breve, quase irônico.

  — Acho que chegou a hora da performance final — disse ele, oferecendo-me a mão.

  Segurei, mesmo sem vontade. Minhas luvas tremiam.

  A música começou numa melodia lenta, quase melancólica. Nossos passos estavam perfeitamente sincronizados, mas tudo no olhar dele gritava distância.

  — Antes que diga qualquer coisa, senhorita Moss — murmurou, inclinado o suficiente para que só eu ouvisse —, deixe-me esclarecer: só estou aqui para salvar a pele do meu irmão.

  Ergui o rosto para ele, e por um instante, nossa proximidade pareceu cortar o ar.

  — Não precisa mentir — respondi com calma. — Fez isso pelo dinheiro.

  Um meio sorriso curvou os lábios dele.

  — Direta. Gosto disso. Mas se quer mesmo saber, não estou interessado no seu dote, nem no seu drama familiar. Eu simplesmente prezo por uma vida confortável. — Ele inclinou o rosto, o olhar faiscando um sarcasmo preguiçoso. — E meu pai é um homem que sabe o que é cortar as asas de quem o desobedece.

  — E o amor? — perguntei, quase sem pensar. — Não faz parte do seu vocabulário?

  — Amor? — ele riu, baixo, o som mais descrente que já ouvi. — Não costumo usar palavras que não entendo.

  Dei um passo para trás, mantendo a compostura, mesmo quando ele segurou minha cintura de novo, trazendo-me de volta à dança.

  — Não se preocupe, Lilly — ele disse, num tom que soou quase gentil, mas carregado de cinismo. — Em breve você será uma mulher livre outra vez. Só precisamos fingir bem o suficiente até lá.

  A música terminou, e as palmas dos convidados ecoaram como um aplauso vazio. Eu sorri. Não por alegria, mas por orgulho — o mesmo orgulho que sempre me impediu de desabar diante de quem quer que fosse. E, por dentro, eu só conseguia pensar em uma coisa: Christopher Zabott fugira do altar, mas quem realmente me deixou sozinha foi o homem que ficou no lugar dele.

Mais
Próximo Capítulo
Baixar

Último capítulo

Mais Capítulos

Você também vai gostar de

Romances Relacionados

Novos lançamentos de romances

Último capítulo

user avatar
Nyancolors Pizza e Zuma
Eu gostei muito desse livro. Escrita boa, personagens reais e uma história que acontece rápido. Parabéns! Queria mais livros curtos como esse.
2026-03-24 19:41:19
2
79 chapters
Capítulo 1 - O casamento
Capítulo 2 - Lua de mel
Capítulo 3 - O jogo
Capítulo 4 - Um acordo
Capítulo 5 - Consciência
Capítulo 6 - Atração
Capítulo 7 - Crepúsculo
Capítulo 8 - Mudanças
Capítulo 9 - Sinceridade
Capítulo 10 - Suspenso
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App