Mundo de ficçãoIniciar sessãoÀs vezes, a saída mais perigosa é a única que resta. Carolina vive sob o peso de uma dívida que não contraiu e de um ódio que não merece. Criada pelos tios após uma tragédia familiar, ela é forçada a conviver com a hostilidade fria de Célia, cujo ressentimento vai muito além de ciúmes ou preocupações financeiras. Quando a situação atinge seu limite, um caminho inesperado e perigosamente tentador se abre para ela. Uma proposta feita entre copos e luzes baixas promete não apenas aliviar o desespero de sua família, mas também dar a ela a chance de recomeçar longe daquela casa opressora. O preço? Conquistar Christopher Moretti, um herdeiro marcado pela desilusão e pela rebeldia, que desconfia de todos ao seu redor. O que começa como um jogo de interesses rapidamente se transforma em algo mais profundo, enquanto segredos do passado e chantagens do presente ameaçam despedaçar não apenas o plano, mas a própria identidade de Carolina. Em um mundo onde lealdade e traição se confundem, ela precisará descobrir até onde está disposta a ir pela família que ama, e quanto do seu próprio coração está disposta a sacrificar pela liberdade. Uma história intensa sobre as cicatrizes que herdamos, os laços que nos definem e os preços sombrios que pagamos por um novo começo.
Ler maisA noite em Milão caiu como um manto pesado sobre os ombros de Carolina. Após Christopher deixar sua suíte, ela permaneceu parada por longos minutos, olhando para a porta fechada como se pudesse, por força da vontade, ver através da madeira maciça e decifrar os pensamentos do homem que acabara de sair. A bandeja com comida esfriava sobre a mesa de mármore, um testemunho silencioso de uma gentileza que a dilacerava por dentro.Você é substituível, querida. Como todas as outras.As palavras de Melissa ecoavam em sua mente, uma melodia venenosa que distorcia cada gesto gentil de Christopher, cada olhar de preocupação, cada palavra suave sussurrada na escuridão. Ela era apenas mais uma? A conexão que sentira — tão visceral, tão real — era meramente a repetição de um padrão, a encenação de uma peça que já havia sido encenada antes?Caminhou até a varanda, precisando do ar frio da noite para clarear seus pensamentos. As luzes de Milão cintilavam abaixo, indiferentes ao seu tormento. Abaixo,
O almoço no elegante restaurante próximo ao escritório milanês foi uma experiência surreal para Carolina. Enquanto saboreava uma massa perfeita que mal conseguia sentir o gosto, ela sentia o peso de três pares de olhos sobre si: Os olhos de Christopher, que agora carregavam uma intensidade renovada - uma mistura de admiração profissional e algo mais pessoal, mais possessivo, que a fazia tremer por dentro. Os olhos de Melissa, que lançavam avisos silenciosos através da mesa como dardos envenenados, lembrando-a constantemente do acordo que pesava sobre seus ombros. E os olhos de Lucas, que a observavam com uma expressão de preocupação e confusão crescentes, como se estivesse tentando decifrar um código complexo. "Você está quieta hoje, Cortez," observou Christopher durante o café. "A reunião da manhã foi exaustiva?" "Algo assim," ela murmurou, evitando seu olhar. "Apenas processando tudo." Diego, sempre o mediador, interveio com uma piada sobre a paixão italiana por gesticular dura
A luz da manhã italiana, forte e dourada, invadiu a suíte pelas frestas das pesadas cortinas de veludo, iluminando finas partículas de poeira que dançavam no ar. Para Carolina e Christopher, no entanto, aquela beleza era uma agressão. O despertador do telefone ecoou como um alarme de bomba, arrancando ambos de um sono superficial e agitado.Eles se olharam através do quarto, num espelho de exaustão. Olheiras escuras sob os olhos vermelhos, expressões pálidas e levemente inchadas. Christopher, normalmente impecável, parecia ter dormido com o fato. Carolina, por sua vez, sentia a cabeça pesada e os pensamentos nebulosos.— Café — ele rosnou, a voz mais áspera do que o habitual, esfregando o rosto. — Muito café.— Duas xícaras. No mínimo — ela concordou, a voz rouca, enquanto se dirigia rapidamente à casa de banho, desesperada por um banho gelado para tentar despertar.Uma hora depois, encontravam-se no saguão do hotel, onde o resto do grupo já os aguardava. Diego, impecável e radiante c
A suíte, antes um cenário de sonho com sua vista deslumbrante, havia se transformado em uma arena de desconforto silencioso e latente. As luzes principais estavam apagadas, deixando apenas a luz suave de um abajur de base de mármore na mesa de cabeceira de Christopher e o brilho fantasmagórico de Milão que entrava pela sacada semiaberta. Esse banho de luz prateada e dourada criava sombras longas e dançantes que se esticavam pelos móveis elegantes, como dedos tentando alcançar o outro lado do quarto.Cada som era amplificado no silêncio da noite europeia. O zumbido distante do tráfego era como um mar ao longe. O rangido quase imperceptível da estrutura do prédio secular. O próprio ritmo da respiração do outro, um sussurro íntimo e constante no escuro.Carolina estava deitada de costas, os olhos abertos fixos no dossel de seda da cama king size. Ela estava hiperconsciente de cada movimento de Christopher na cama a apenas alguns metros de distância. O som da cama mexendo os lençóis de al
O suave, mas inconfundível, solavanco do trem de pouso foi o primeiro sinal. Seguido pela mudança sútil na pressão do ar e pelo tilintar dos cintos de segurança sendo afivelados à distância, foi o suficiente para arrancar Carolina daquele sono profundo e inesperadamente reparador. Ela piscou, desorientada, as pálpebras pesadas. A penumbra da cabine, o zumbido constante dos motores agora em modo de descida... levou-lhe um precioso segundo para se localizar. Então, a realidade colidiu com ela como um choque térmico. O avião, A viagem, A conversa... a exaustão... o ombro de Christopher. Ela endireitou-se tão abruptamente no assento de couro macio que uma leve tontura a fez agarrar os apoios de braço. Seu rosto incendiou-se num rubor tão profundo e quente que ela sentiu as orelhas a arder. O paletó de lã fina e escura dele, que a cobria como um cobertor de proteção, escorregou de seus ombros e caiu no vão entre os assentos. — Senhor Moretti! — a voz saiu um sopro constrangido, cheio de h
O interior do jato privado da Moretti era um mundo à parte: luxuoso, silencioso e cheiroso a couro novo e café fresco. Enquanto todos se acomodavam, Marcela trocou um olhar rápido e significativo com Diego. — Diego, preciso revisar aqueles números do último relatório dos acionistas italianos com você antes de pousarmos — anunciou Marcela, com uma voz um tanto teatral. — É crucial para a reunião. Vamos sentar juntos ali atrás? Diego, captando a deixa com a velocidade de um tenista, concordou imediatamente. — Boa ideia, Marcela. Lucas, você vem conosco. Precisa entender a fundo como essa galera da Itália pensa, são mais complicados que quebra-cabeça de mil peças. Lucas, que já se encaminhava para o assento ao lado de Carolina, parou, confuso. — Mas eu pensei que… — Melhor oportunidade do que agora, garoto! — Diego colocou um braço amigável sobre os ombros de Lucas e o guiou para os assentos mais ao fundo, longe do par de poltronas que agora ficavam isoladas. Melissa, por sua vez, n
Último capítulo