Mundo de ficçãoIniciar sessãoApós seis anos ao lado de Henrique Albuquerque, Lívia Monteiro acreditava que finalmente se tornaria sua esposa. Ela suportou ausências, promessas adiadas e o desprezo silencioso da família dele, convencida de que o amor que sentia era suficiente para manter tudo de pé. Mas tudo desmorona na noite em que, por acaso, ela presencia Henrique ajoelhado diante de outra mulher, pedindo-a em casamento diante de todos. Sem imaginar que Lívia estava ali, ele ainda declara com arrogância que ela jamais teria coragem de deixá-lo, porque o ama mais do que ama a si mesma. O que Henrique não sabe é que, naquele instante, algo dentro de Lívia se quebra para sempre. Determinada a reconstruir a própria dignidade, ela decide desaparecer da vida dele e recomeçar. Mas quando surge Augusto Vale, o maior rival empresarial de Henrique, oferecendo uma oportunidade inesperada, Lívia percebe que o destino pode ter planos muito diferentes para sua história. Agora, enquanto Henrique acredita que ainda pode recuperá-la quando quiser, ele descobrirá da forma mais cruel possível que algumas perdas são definitivas. Porque, desta vez, o arrependimento dele terá um preço.
Ler maisUma semana.Havia passado uma semana desde que ele viu aquela foto.Sete dias.E ainda estava lá.Não saía.Ele havia tentado.Havia mergulhado no trabalho como sempre fazia quando precisava não pensar em algo.Reuniões longas.Decisões que poderiam esperar mas que ele antecipou só para ter algo ocupando o espaço na cabeça.Almoços que se estenderam além do necessário.Documentos que ele leu três vezes sem absorver nada.Nada funcionou.A foto ficava.Ela com as mãos no peito dele.Ele inclinado sobre ela.Os dois se beijando na calçada sem se importar com quem estivesse olhando.Como se o mundo ao redor simplesmente não existisse.Como se fossem só eles.Henrique conhecia esse sentimento.Ou achava que conhecia.Mas nunca havia sido o responsável por colocar aquela expressão no rosto de Lívia.E isso era o que mais pesava.Não a raiva.Não o ciúme.Era a consciência clara e incômoda
Helena saiu do apartamento com passos calmos. Sem pressa. Sem olhar para trás. O elevador chegou imediatamente. Ela entrou. As portas se fecharam. E só então — sozinha, com o reflexo dela mesma no espelho do elevador — o rosto mudou. A expressão vulnerável. A voz levemente trêmula. O olhar de mulher cansada e magoada. Tudo desapareceu. Como se alguém tivesse desligado uma luz. O que ficou foi ela. A Helena real. Ela olhou para o próprio reflexo. Ajeitou o cabelo com um gesto preciso. Respirou fundo. E sorriu. Não o sorriso que ela usava para Henrique. Não o sorriso que ela usava em eventos. Era outro. Frio. Satisfeito. O sorriso de quem acabou de executar exatamente o que havia planejado. O carro estava esperando na frente do prédio.
Henrique descobriu numa segunda-feira.Não por Vinícius.Não por nenhuma fonte próxima.Por uma foto.Publicada no domingo por uma colunista de eventos num perfil que tinha trezentos mil seguidores e que cobria a vida social de São Paulo com uma precisão cirúrgica que ele sempre achou útil.Até aquela manhã.A foto não era simples.Era direta.Lívia e Augusto num sábado à noite.Ela com as mãos no peito dele.Ele com o rosto inclinado sobre o dela.Se beijando.Na calçada.Com a cidade ao fundo.Sem se importar com quem pudesse estar olhando.Ele ficou olhando para a imagem por um longo tempo.Depois leu a legenda.“Augusto Valle apaixonado? Quem é a sortuda?”Apaixonado.A palavra ficou.Henrique colocou o celular sobre a mesa.Levantou.Foi até a janela.São Paulo estava lá embaixo como sempre.Indiferente.Seguindo.Sem parar por ninguém.Ele ficou parado por alguns minutos.Tentando organizar o que sentia.Não conseguiu.Porque o que sentia era uma mistura de coisas que não combin
A semana passou com aquela leveza nova que Lívia ainda estava aprendendo a carregar. Era diferente de tudo que ela conhecia. Não havia aquela ansiedade constante de antes. Aquele monitoramento silencioso de mensagens, de horários, de humor. Aquela sensação permanente de que precisava se encaixar em algum espaço que nunca era exatamente o tamanho dela. Com Augusto era diferente. Ele mandava mensagem quando queria falar. Ela respondia quando podia. Às vezes ele aparecia. Às vezes era ela que aparecia. Sem agenda rígida. Sem cobrança. Apenas os dois existindo um na vida do outro de um jeito que parecia natural demais para ser tão novo. Na quarta-feira ele mandou mensagem no final da tarde. “Você está na galeria ainda?” “Estou. Saio em uns vinte minutos.” Uma pausa. “Posso passar aí ?” Ela franziu levemente a testa. Augusto não pedia para passar. Ele dizia que ia passar. A diferença era pequena mas ela percebeu. “Pode.” Ele chegou quinze minutos depois. De paletó.





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