Mundo ficciónIniciar sesiónRenata tem a vida destruída ao flagrar o noivo na cama com a própria meia-irmã. Órfã de mãe e rejeitada pelo pai, que insiste em um casamento de aparências, ela rompe o noivado e abandona a casa onde cresceu. Sem ter para onde ir, encontra abrigo na casa da madrinha — uma mulher simples, de coração generoso, que lhe oferece um quarto, trabalho em sua lanchonete e a chance de seguir o sonho recém-conquistado: cursar Medicina, porém, é forçada a encarar o passado no casamento do ex-noivo com a irmã. É ali que conhece Rafael, um médico de olhos azuis intensos, que a protege da hostilidade do pai, das provocações da irmã e da crueldade do homem que quase destruiu sua vida. Entre conversas, danças e um beijo inesquecível, nasce uma conexão intensa — livre de promessas, marcada pelo desejo e pela proteção. A distância, as ameaças do passado e a decisão de Rafael de seguir uma formação no exterior impedem que esse sentimento se transforme em compromisso. Anos depois, formada e mais forte, Renata aceita um trabalho em Itajubá. O que ela não imagina é que o destino a colocará novamente frente a frente com o único homem que a fez se sentir segura quando tudo estava desmoronando. E alguns amores não terminam — apenas esperam o momento certo para recomeçar. Livro 2: Anthony é médico-diretor de um grande hospital e aprendeu a manter o coração trancado. Marcado por perdas, ele vive sem promessas e sem raízes. Após um episódio violento, é forçado a aceitar ajuda em sua própria casa. Rosângela surge intensa, reservada e cheia de segredos. A convivência desperta uma atração que nenhum dos dois planejou. Entre silêncios, desejo e feridas abertas, o passado ameaça interferir. Amar pode ser o risco que eles nunca quiseram correr.
Leer másRenata
Eu queria fazer uma surpresa.
Era só isso.
Mesmo com tudo começando a dar errado na loja do meu pai, mesmo com as cobranças da Juraci e com as comparações da Patrícia… Ricardo sempre foi o meu porto seguro.Ou eu pensava que era.
Depois do cursinho, parei na padaria, comprei o lanche que ele mais gostava e fui até sua casa.
Não avisei. Ele vivia dizendo que amava quando eu aparecia de repente.Abri o portão com a chave que ele mesmo me deu.
A casa estava silenciosa.
Silêncio demais.Deixei a sacola na mesa da sala e só percebi depois:
Um salto alto feminino no chão.
Vermelho. Não era meu.O ar ficou pesado.
Mesmo assim, eu subi as escadas.
Devagar. Cada degrau machucando mais que o anterior.E então eu ouvi.
Um gemido.
Depois outro. Um riso abafado.Meu corpo inteiro gelou.
A mão tremia tanto que eu precisei segurar o corrimão.A porta do quarto estava encostada.
Eu empurrei.E foi ali que minha vida se dividiu entre antes e depois.
Ricardo estava na cama.
Com uma mulher por baixo dele.E quando ela virou o rosto para ver quem entrou…
Era a Patrícia.
Minha meia-irmã.
A garota que cresceu comigo. Que sentava ao meu lado no café da manhã. Que dormia no quarto ao lado. Que dizia ser “minha irmã”.Ela sorriu.
Um sorriso lento… debochado… como se sempre tivesse esperado por esse momento.
Ricardo congelou, empurrou ela para o lado, tentou cobrir o corpo.
— Renata! Espera!
Eu não ouvi direito. Era como se um zumbido estivesse dentro da minha cabeça.— Você… com ela? minha voz saiu fina, estrangulada, como se não fosse minha.
Patrícia passou a mão no cabelo, preguiçosa.
— Ah, Renata… você chegou cedo hoje, né?O mundo girou.
Ricardo veio na minha direção.
Eu recuei imediatamente.— Não toca em mim.
— Deixa eu explicar, amor…
Eu ri.
Um riso curto e triste, o riso de alguém que acabou de perder tudo.— Amor? eu disse quase sussurrando. Era isso que você fazia enquanto escolhia as alianças comigo?
Ninguém respondeu.
Eu saí.
Desci as escadas sem sentir as pernas. Nem ouvi direito eles chamando meu nome.Quando coloquei o pé na rua, percebi que tinha deixado o lanche na sala.
Eu tinha ido levar amor.
E voltei carregando uma ferida que mudaria tudo.
Eu cheguei em casa sem sentir minhas pernas.
A Juraci estava na sala, como sempre, folheando uma revista de moda enquanto fingia que cuidava da casa. Ela levantou os olhos quando me viu entrar, com o rosto molhado de lágrimas.— O que aconteceu, Renata? ela perguntou, mas não era preocupação… era curiosidade.
Eu não consegui responder.
Só sentei no sofá e chorei.Meu pai desceu as escadas com aquela expressão cansada que ele carrega desde que a doença da minha mãe levou metade dele embora.
— Filha? O que está acontecendo?
Eu respirei fundo.
O peito doía.— O Ricardo… minha voz falhou. Eu… eu encontrei ele… com a Patrícia.
A Juraci deu um pulo do sofá.
— O quê? os olhos dela arregalaram. Como assim com a Patrícia? Patrícia? A minha filha?
Ela dizia “minha filha” como se eu não fosse nada.
— Eu vi falei, limpando o rosto. Eu abri a porta… e os dois estavam… juntos.
Meu pai levou a mão à cabeça.
— Não, não… isso não pode estar acontecendo…Por um segundo, eu achei que ele estava pensando em mim.
Ingenua.Ele sentou na poltrona, o olhar perdido.
— Renata… você não pode terminar com o Ricardo por causa disso.
Eu nem entendi o que estava ouvindo.
— O quê? Pai, ele me traiu com a Patrícia! a voz saiu alta demais.
Ele levantou um pouco a mão, pedindo silêncio, como se eu fosse uma criança que estivesse fazendo drama.
— Eu sei que é difícil, filha… mas você precisa pensar com calma. Ele é o filho do meu sócio.
Ele engoliu seco. — Se você romper o compromisso agora… isso pode causar uma briga entre as famílias. E eu… eu não posso me dar a esse luxo neste momento.Meu coração partiu pela segunda vez no mesmo dia.
— O senhor… está dizendo para eu perdoar MINHA irmã por dormir com o meu noivo… para salvar um contrato?
Ele fechou os olhos, doloroso.
Mas não disse “não”. Não me abraçou. Não me defendeu.Juraci bufou alto, como se estivesse cansada de ouvir minha voz.
— Antônio, meu amor, deixa eu falar. Ela se levantou e veio até mim com aquela falsa delicadeza. Renata, minha filha… às vezes a gente precisa entender que os homens erram.
Sorriu de canto. — E se você não quiser casar mais com o Ricardo… a Patrícia casa. Afinal… ele já desonrou a nossa menina também.Eu senti o ar sumir.
Desonrou… a nossa menina.
Não eu.
Nunca eu.— Vocês estão falando sério? perguntei, chocada. Depois do que eu passei, depois do que eu vi, vocês querem que eu aceite… que eu perdoe… ou que deixem a Patrícia ficar com o meu noivo?!
Juraci cruzou os braços, vitoriosa.
— Ora, Renata… ninguém tem culpa se você é sensível demais.
Ela deu de ombros. — E o casamento tem que acontecer de qualquer jeito. Se não for com você, será com ela.Meu pai não disse nada.
Nada.Foi naquele silêncio que a ficha caiu:
Eu estava completamente sozinha naquela casa.
Completamente sozinha no mundo.
Eu respirei fundo, levantei devagar e disse:
— Eu não vou casar com um homem que me traiu.
— Renata… meu pai tentou interromper. — E não vou dividir mais nem o ar com gente que acha isso normal.Subi para o meu quarto, arrumei minha mochila, peguei minhas roupas e meus documentos.
Quando desci, Juraci sorriu como se tivesse vencido.
Mas eu passei por ela como se não existisse.
Antes de sair pela porta, olhei para o meu pai.
— Eu vou me cuidar sozinha.
— Renata… — Mas não se preocupe, pai. Eu não vou manchar seu negócio. Eu só… não quero mais ser parte disso.— Pra onde você vai, menina?! o pai rosna, dando um passo à frente, o rosto ficando vermelho de raiva. — Deixa disso, sua ingrata! Você vai me fazer perder milhões!
Eu seguro a alça da mala com mais força, tentando manter a voz firme.
— Não vou fazer o senhor perder nada, pai. A Patrícia casa com o Ricardo. Acho que era isso que ela sempre quis desde o começo.
A Juraci dá um sorriso torto... Satisfeita.
— Pelo menos alguém aqui pensa na família ela dispara, olhando pra mim com desprezo. Se essa ingrata não quer, a minha filha casa com ele. Afinal… ela ergue o queixo. Ele desonrou a Patrícia também.
Mentira. E todos ali sabiam.
Mas ninguém falou nada.
O meu pai passa a mão pelos cabelos, desesperado.
— Você não está entendendo! ele esbraveja. Se você romper esse compromisso, eu perco o sócio, perco contratos, perco dinheiro! Minhas empresas não estão bem, e você sabe! Eu conto com você! Não pode fazer isso comigo!
Eu respiro fundo. O coração dói, mas a decisão não muda.
— Já fiz muito pelo senhor, pai. Mais do que devia. Agora vou fazer algo por mim.
Ele dá um passo, como se fosse arrancar a mala das minhas mãos.
— Pra onde você vai?!
Olho para ele pela última vez, sentindo a ferida abrir mais um pouco… mas também a liberdade chegando pela porta.
— Não se preocupa, pai. Vou pra casa da minha madrinha, por enquanto. Já liguei pra ela. Ela está me aguardando.
Silêncio.
A Juraci cruza os braços, vitoriosa.
E o meu pai… abaixa os ombros, derrotado.
— Adeus pai! Sai deixando uma lágrima rolar por meu rosto, por perceber que sou apenas uma peça substituível nesse tabuleiro.
Anthony Assim que ela seguiu em direção à recepção, eu virei para o outro lado do corredor.Caminhei até a sala do Rogério sem bater, abrindo a porta com a intimidade de sempre.— Oxente… — ele levantou o olhar na mesma hora, surpreso. — O que é que tu faz aqui?Soltei um riso de canto, entrando.— Vim acompanhar a Rosângela. Ela tá fazendo entrevista com o Leonardo.Ele arqueou a sobrancelha.— Oxe… então ela vai trabalhar aqui?— Vai. Vai trabalhar com o Leonardo.Rogério balançou a cabeça, rindo.— Rapaz, eu não sabia disso não.Dei de ombros, me jogando na cadeira à frente da mesa dele.— Eu também não. Descobri agora.Ele riu mais uma vez, se recostando na cadeira.— E aí… — cruzou os braços, me analisando — como é que tá essa vida de casado?Passei a mão na barba, soltando um suspiro leve… mas com um sorriso que eu nem tentei esconder.— Tem alguém pra atender agora?— Não, tô de boa. Fala.Inclinei o corpo pra frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.— Tem sido uma loucura…
Rosângela Eu estava completamente atrasada, despenteada e com o cheiro dele impregnado em cada poro.Anthony ergueu o rosto do meu pescoço devagar, os olhos ainda carregados… mas agora mais calmos, satisfeitos.— A entrevista… — murmurei, ainda tentando organizar meus pensamentos.Ele soltou um riso baixo.— A gente definitivamente se empolgou.Sorri, passando a mão pelos cabelos.— Um pouco.Ficamos em silêncio por alguns segundos, daquele jeito confortável… sem peso, sem dúvida. Só nós.Então ele se levantou da cama e estendeu a mão pra mim.— Vem.— Pra onde?— Banho. Você não vai chegar lá assim, né?Olhei pra mim mesma e ri.— Justo.Segurei a mão dele e me deixei puxar. Entramos no banheiro juntos, e logo o som da água preenchia o ambiente. O vapor começou a subir, criando aquele clima quente e acolhedor.Anthony me puxou pela cintura, me encaixando contra o corpo dele debaixo do chuveiro.Dessa vez não havia urgência.Só cuidado.As mãos dele deslizavam devagar pelos meus braç
Rosângela — Anthony... eu... — minha voz sumiu, transformada em um suspiro agudo.Ele não parou. Pelo contrário, intensificou o contato, sugando com uma força que me fez perder o chão. O prazer veio como uma onda gigante, começando na base da minha espinha e explodindo em cada terminação nervosa.Eu travei. Meus dedos cravaram no couro cabeludo dele enquanto o primeiro espasmo me atingia.— Isso... — ele murmurou contra a minha pele, a voz abafada, mas sentindo cada tremor meu.Eu gozei. Forte. Desesperadamente.Senti meu corpo relaxar contra o colchão enquanto as contrações vinham uma atrás da outra, despejando tudo na boca dele. O Anthony não se afastou; ele saboreou cada segundo, mantendo o rosto colado a mim, bebendo do meu prazer como se fosse o néctar mais precioso do mundo.O silêncio que se seguiu no quarto era preenchido apenas pela minha respiração ruidosa e descompassada. Meus olhos estavam fechados, e a sensação de flutuar era quase real.Senti quando ele subiu de
Rosângela Subi as escadas sentindo o peso do olhar dele nas minhas costas. No café, eu tinha deixado claro: ia tomar um banho e sair para ver um emprego. Naquele momento, o Antony parou tudo. Ficou me olhando, com aquele jeito de quem não conseguia entender por que eu estava escolhendo o caminho mais difícil.— Não precisa você ir, pimentinha... — ele disse, com a voz baixa — eu te dou o que você estiver precisando.Eu sabia que, para ele, era simples assim. Mas para mim, não.— Eu sei, Anthony... mas eu quero.Ele não insistiu mais lá embaixo, apenas assentiu, mas aquele silêncio dele dizia muita coisa.Entrei no quarto, fui direto para o banheiro e deixei a água levar um pouco da ansiedade. Eu precisava me sentir útil, precisava do meu próprio espaço. Quando terminei, me enrolei na toalha e saí, ainda secando o rosto.Parei de repente.O Anthony estava lá. Sentado na cama, me esperando.— Pensei que você já tivesse descido — falei, sentindo meu corpo reagir à presença dele





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