Mundo ficciónIniciar sesiónRenata tem a vida destruída ao flagrar o noivo na cama com a própria meia-irmã. Órfã de mãe e rejeitada pelo pai, que insiste em um casamento de aparências, ela rompe o noivado e abandona a casa onde cresceu. Sem ter para onde ir, encontra abrigo na casa da madrinha — uma mulher simples, de coração generoso, que lhe oferece um quarto, trabalho em sua lanchonete e a chance de seguir o sonho recém-conquistado: cursar Medicina. Entre aulas exaustivas e jornadas longas de trabalho, Renata aprende a sobreviver sozinha. Anos antes, porém, é forçada a encarar o passado no casamento do ex-noivo com a irmã. É ali que conhece Rafael, um médico de olhos azuis intensos, que a protege da hostilidade do pai, das provocações da irmã e da crueldade do homem que quase destruiu sua vida. Entre conversas, danças e um beijo inesquecível, nasce uma conexão intensa — livre de promessas, marcada pelo desejo e pela proteção. A distância, as ameaças do passado e a decisão de Rafael de seguir uma formação no exterior impedem que esse sentimento se transforme em compromisso. Anos depois, formada e mais forte, Renata aceita um trabalho em Itajubá. O que ela não imagina é que o destino a colocará novamente frente a frente com o único homem que a fez se sentir segura quando tudo estava desmoronando. E alguns amores não terminam — apenas esperam o momento certo para recomeçar.
Leer másRenata
Eu queria fazer uma surpresa.
Era só isso.
Mesmo com tudo começando a dar errado na loja do meu pai, mesmo com as cobranças da Juraci e com as comparações da Patrícia… Ricardo sempre foi o meu porto seguro.Ou eu pensava que era.
Depois do cursinho, parei na padaria, comprei o lanche que ele mais gostava e fui até sua casa.
Não avisei. Ele vivia dizendo que amava quando eu aparecia de repente.Abri o portão com a chave que ele mesmo me deu.
A casa estava silenciosa.
Silêncio demais.Deixei a sacola na mesa da sala e só percebi depois:
Um salto alto feminino no chão.
Vermelho. Não era meu.O ar ficou pesado.
Mesmo assim, eu subi as escadas.
Devagar. Cada degrau machucando mais que o anterior.E então eu ouvi.
Um gemido.
Depois outro. Um riso abafado.Meu corpo inteiro gelou.
A mão tremia tanto que eu precisei segurar o corrimão.A porta do quarto estava encostada.
Eu empurrei.E foi ali que minha vida se dividiu entre antes e depois.
Ricardo estava na cama.
Com uma mulher por baixo dele.E quando ela virou o rosto para ver quem entrou…
Era a Patrícia.
Minha meia-irmã.
A garota que cresceu comigo. Que sentava ao meu lado no café da manhã. Que dormia no quarto ao lado. Que dizia ser “minha irmã”.Ela sorriu.
Um sorriso lento… debochado… como se sempre tivesse esperado por esse momento.
Ricardo congelou, empurrou ela para o lado, tentou cobrir o corpo.
— Renata! Espera!
Eu não ouvi direito. Era como se um zumbido estivesse dentro da minha cabeça.— Você… com ela? minha voz saiu fina, estrangulada, como se não fosse minha.
Patrícia passou a mão no cabelo, preguiçosa.
— Ah, Renata… você chegou cedo hoje, né?O mundo girou.
Ricardo veio na minha direção.
Eu recuei imediatamente.— Não toca em mim.
— Deixa eu explicar, amor…
Eu ri.
Um riso curto e triste, o riso de alguém que acabou de perder tudo.— Amor? eu disse quase sussurrando. Era isso que você fazia enquanto escolhia as alianças comigo?
Ninguém respondeu.
Eu saí.
Desci as escadas sem sentir as pernas. Nem ouvi direito eles chamando meu nome.Quando coloquei o pé na rua, percebi que tinha deixado o lanche na sala.
Eu tinha ido levar amor.
E voltei carregando uma ferida que mudaria tudo.
Eu cheguei em casa sem sentir minhas pernas.
A Juraci estava na sala, como sempre, folheando uma revista de moda enquanto fingia que cuidava da casa. Ela levantou os olhos quando me viu entrar, com o rosto molhado de lágrimas.— O que aconteceu, Renata? ela perguntou, mas não era preocupação… era curiosidade.
Eu não consegui responder.
Só sentei no sofá e chorei.Meu pai desceu as escadas com aquela expressão cansada que ele carrega desde que a doença da minha mãe levou metade dele embora.
— Filha? O que está acontecendo?
Eu respirei fundo.
O peito doía.— O Ricardo… minha voz falhou. Eu… eu encontrei ele… com a Patrícia.
A Juraci deu um pulo do sofá.
— O quê? os olhos dela arregalaram. Como assim com a Patrícia? Patrícia? A minha filha?
Ela dizia “minha filha” como se eu não fosse nada.
— Eu vi falei, limpando o rosto. Eu abri a porta… e os dois estavam… juntos.
Meu pai levou a mão à cabeça.
— Não, não… isso não pode estar acontecendo…Por um segundo, eu achei que ele estava pensando em mim.
Ingenua.Ele sentou na poltrona, o olhar perdido.
— Renata… você não pode terminar com o Ricardo por causa disso.
Eu nem entendi o que estava ouvindo.
— O quê? Pai, ele me traiu com a Patrícia! a voz saiu alta demais.
Ele levantou um pouco a mão, pedindo silêncio, como se eu fosse uma criança que estivesse fazendo drama.
— Eu sei que é difícil, filha… mas você precisa pensar com calma. Ele é o filho do meu sócio.
Ele engoliu seco. — Se você romper o compromisso agora… isso pode causar uma briga entre as famílias. E eu… eu não posso me dar a esse luxo neste momento.Meu coração partiu pela segunda vez no mesmo dia.
— O senhor… está dizendo para eu perdoar MINHA irmã por dormir com o meu noivo… para salvar um contrato?
Ele fechou os olhos, doloroso.
Mas não disse “não”. Não me abraçou. Não me defendeu.Juraci bufou alto, como se estivesse cansada de ouvir minha voz.
— Antônio, meu amor, deixa eu falar. Ela se levantou e veio até mim com aquela falsa delicadeza. Renata, minha filha… às vezes a gente precisa entender que os homens erram.
Sorriu de canto. — E se você não quiser casar mais com o Ricardo… a Patrícia casa. Afinal… ele já desonrou a nossa menina também.Eu senti o ar sumir.
Desonrou… a nossa menina.
Não eu.
Nunca eu.— Vocês estão falando sério? perguntei, chocada. Depois do que eu passei, depois do que eu vi, vocês querem que eu aceite… que eu perdoe… ou que deixem a Patrícia ficar com o meu noivo?!
Juraci cruzou os braços, vitoriosa.
— Ora, Renata… ninguém tem culpa se você é sensível demais.
Ela deu de ombros. — E o casamento tem que acontecer de qualquer jeito. Se não for com você, será com ela.Meu pai não disse nada.
Nada.Foi naquele silêncio que a ficha caiu:
Eu estava completamente sozinha naquela casa.
Completamente sozinha no mundo.
Eu respirei fundo, levantei devagar e disse:
— Eu não vou casar com um homem que me traiu.
— Renata… meu pai tentou interromper. — E não vou dividir mais nem o ar com gente que acha isso normal.Subi para o meu quarto, arrumei minha mochila, peguei minhas roupas e meus documentos.
Quando desci, Juraci sorriu como se tivesse vencido.
Mas eu passei por ela como se não existisse.
Antes de sair pela porta, olhei para o meu pai.
— Eu vou me cuidar sozinha.
— Renata… — Mas não se preocupe, pai. Eu não vou manchar seu negócio. Eu só… não quero mais ser parte disso.— Pra onde você vai, menina?! o pai rosna, dando um passo à frente, o rosto ficando vermelho de raiva. — Deixa disso, sua ingrata! Você vai me fazer perder milhões!
Eu seguro a alça da mala com mais força, tentando manter a voz firme.
— Não vou fazer o senhor perder nada, pai. A Patrícia casa com o Ricardo. Acho que era isso que ela sempre quis desde o começo.
A Juraci dá um sorriso torto... Satisfeita.
— Pelo menos alguém aqui pensa na família ela dispara, olhando pra mim com desprezo. Se essa ingrata não quer, a minha filha casa com ele. Afinal… ela ergue o queixo. Ele desonrou a Patrícia também.
Mentira. E todos ali sabiam.
Mas ninguém falou nada.
O meu pai passa a mão pelos cabelos, desesperado.
— Você não está entendendo! ele esbraveja. Se você romper esse compromisso, eu perco o sócio, perco contratos, perco dinheiro! Minhas empresas não estão bem, e você sabe! Eu conto com você! Não pode fazer isso comigo!
Eu respiro fundo. O coração dói, mas a decisão não muda.
— Já fiz muito pelo senhor, pai. Mais do que devia. Agora vou fazer algo por mim.
Ele dá um passo, como se fosse arrancar a mala das minhas mãos.
— Pra onde você vai?!
Olho para ele pela última vez, sentindo a ferida abrir mais um pouco… mas também a liberdade chegando pela porta.
— Não se preocupa, pai. Vou pra casa da minha madrinha, por enquanto. Já liguei pra ela. Ela está me aguardando.
Silêncio.
A Juraci cruza os braços, vitoriosa.
E o meu pai… abaixa os ombros, derrotado.
— Adeus pai! Sai deixando uma lágrima rolar por meu rosto, por perceber que sou apenas uma peça substituível nesse tabuleiro.
Renato Meu rosto ainda queimava não só pelo que fizemos, mas pela aparição completamente absurda do Antony com um pratinho de bolo.Se eu viver cem anos… nunca vou esquecer disso.Eu respirei fundo, tentando recuperar um mínimo de dignidade, e puxei o vestido para cima, ajeitando a alça que ele tinha baixado com tanta fome. Minha mão tremia. Meu corpo ainda pulsava.— A gente… precisa voltar consegui dizer, a voz fraca, rouca demais para alguém que supostamente só “foi pegar um ar”. Minha amiga deve estar preocupada… e eu também preciso achá-la.Rafael estava me olhando daquele jeito… como se estivesse memorizando cada detalhe meu. Ele não falou nada por um segundo. Só passou a mão devagar pela minha coxa, como se estivesse se despedindo dela, e depois se afastou para me ajudar.Ele ajeitou meu vestido com cuidado, como se eu fosse uma coisa preciosa. Tocou meu cabelo, tirou alguns fios do pescoço. Depois arrumou minha maquiagem com o polegar, limpando um borrado de batom perto da
Rafael Ela fechou os olhos, a cabeça inclinada para trás, entregue.— Você é a coisa mais linda que eu já vi sussurrei, as palavras saindo arrastadas pela minha própria excitação. Perfeita.Eu a puxei para um beijo, faminto agora, mas ainda com uma reverência pelo que ela havia me concedido. Nossas bocas se encontraram em uma dança urgente, e eu senti a entrega total dela.Quando a falta de ar nos separou por um instante, ela me encarou, seus olhos azuis ainda nos meus. Mas havia algo mais ali agora. Uma faísca de poder, de controle.— Ai, Rafael… ela ofegou, a voz rouca, quase um lamento, mas com uma intensidade que me fez perder o controle. Me chupa, vai…Meu corpo inteiro travou. Aquelas palavras, ditas com tamanha entrega e desejo, vindas dela, tão tímida e agora tão dona de si, foram como um choque elétrico. Eu amo mulher controladora. E ela, naquele momento, era a personificação disso. Meu autocontrole, que já estava por um fio, se rompeu completamente. Minha visão se
Renata Rafael fechou a porta do carro com um som suave, e o mundo lá fora se silenciou de repente. A luz fraca do estacionamento mal entrava, mas eu não precisava de mais. Seus olhos já tinham decorado cada curva, cada pedacinho meu, eu podia sentir.Ele se inclinou, e o cheiro dele, aquele perfume delicioso, preencheu meus sentidos, me embriagando. — Renata… ele sussurrou de novo, meu nome em seus lábios soando como uma promessa que eu estava desesperada para que ele cumprisse.Meu coração batia tão forte que eu podia senti-lo vibrar em minhas próprias veias. Eu ergui minha mão, quase instintivamente, e toquei o rosto dele. A pele de Rafael estava quente sob meus dedos, e a barba rala arranhou suavemente minha palma, um arrepio delicioso.Ele não esperou mais.A boca dele encontrou a minha com uma doçura e uma urgência que me tiraram o ar. Não foi um beijo de pressa, mas de quem esperou tempo demais por aquele momento. Meus lábios se encaixaram perfeitamente nos dele, como se
RenataNos afastamos alguns passos do tumulto, e só quando o barulho das conversas voltou a preencher o salão percebi que estava prendendo a respiração.— Obrigada… de verdade, murmurei.Rafael virou-se para mim com aquele sorriso suave, quase perigoso, e aproximou o rosto do meu. Como se estivesse pedindo permissão sem palavras.Ele encostou os lábios no canto dos meus.Um toque breve. Quente...— Agora sim disse baixo, com a voz firme. Sou Rafael. Prazer.Meu corpo inteiro aqueceu.— E, só pra constar continuou, o sorriso aumentando eu não menti lá dentro. Sou médico em Itajubá. Vim com meu amigo Antony… obrigada, inclusive. E que bom que vim. Você está simplesmente deslumbrante. É um prazer enorme estar ao lado de uma mulher tão incrível.Senti meu rosto pegar fogo.— Obrigada… respondi tímida. Eu realmente não queria vir. Fui noiva do marido da minha meia-irmã.Ele manteve o olhar firme, atento, como se cada sílaba importasse.— Eles me traíram continuei, a voz falhando um pou
Renata — Minha menina… venha aqui.Minha espinha congelou.Não foi apenas a voz.Foi o jeito aquele tom cheio de carinho que eu não ouvia desde antes de tudo desmoronar.Meu corpo reagiu antes da minha mente.Quando me levantei, senti minhas pernas tremerem de leve, o vestido champagne acompanhando cada passo como se não fosse meu.O pai do Ricardo seu Marcos sempre foi mais pai para mim do que o meu próprio.E ver aquele homem ali, de braços abertos…Doía.Doía muito mais do que eu estava preparada para admitir.Quando ele me puxou para o abraço, eu prendi a respiração.O cheiro dele, o calor, a forma apertada como me segurou…Tudo me jogou de volta para um passado que eu tinha enterrado à força.— Me desculpe pelo filho idiota que eu tenho, ele disse alto, sem se importar com ninguém. Era para ser você ali no altar.Meu coração bateu tão forte que chegou a doer.Eu senti olhos em mim de todos os lados.Senti o choque.O julgamento.A curiosidade cruel que sempre acompanha fofoca
Rafael— Você vai comigo.A voz do Antony ecoou pelo corredor do hospital, carregada de autoridade como sempre.Eu estava terminando de preencher um prontuário quando ergui os olhos, desconfiado.— Ir com você aonde, exatamente?Antony cruzou os braços.— No casamento dos nossos novos sócios. Os investidores daquele projeto enorme da maternidade. Gente importante, influente… dá para ignorar?Eu respirei fundo, já sabendo que não tinha como escapar.— Casamento, Antony… casamento é chato demais. Você sabe disso.Ele riu.— Chato ou não, vai ter que ir. Não vou aparecer sozinho lá, vão achar que eu vivo trancado no hospital.Bateu no meu ombro como quem fecha um contrato.— E outra: é sábado agora. Nada de desculpinhas.Fechei os olhos por dois segundos, aceitando meu destino.— Tá bom, tá bom. Eu vou. Mas só porque você é meu chefe e amigo.— E porque eu sou convincente ele completou, satisfeito. Te pego às cinco e meia. Terno escuro. Sem reclamar.Revirei os olhos, mas não respondi.C
Último capítulo