Lívia não chorou na mesma hora.Isso foi o que mais a assustou.Ficou sentada no chão do quarto, com as costas apoiadas na lateral da cama e o celular caído ao lado, como se o corpo tivesse entendido antes da mente que alguma coisa dentro dela havia morrido.As lágrimas vieram quase uma hora depois, silenciosas, pesadas, sem soluços.Não eram lágrimas de surpresa.Eram lágrimas de confirmação.Às duas da manhã, Henrique ligou.Ela olhou o nome dele brilhando na tela.Uma parte dela quis atender e gritar. Outra quis implorar por uma explicação. Outra, menor e vergonhosa, quis ouvir que aquilo tudo tinha sido um mal-entendido.No fim, não atendeu.O telefone tocou de novo.E de novo.Na quarta vez, ela deslizou o dedo pela tela e colocou no viva-voz, sem dizer nada.— Lívia?A voz dele saiu baixa, controlada.Ela continuou em silêncio.— Eu sei que você viu.Ainda em silêncio, ela fechou os olhos.Henrique respirou fundo.— Não aconteceu do jeito que você está pensando.Como homens assi
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