Mundo de ficçãoIniciar sessãoArthur Montenegro é um CEO poderoso, frio e controlador, que construiu seu império após a perda da esposa e aprendeu a manter o coração fechado. Seu único ponto frágil é Theo, o filho de seis anos, uma criança sensível que sente a ausência da mãe e a distância emocional do pai. Lívia Rocha, uma babá simples e dedicada, entra na mansão Montenegro com o propósito de cuidar de Theo com afeto e responsabilidade, sem jamais ultrapassar limites. No entanto, sua sensibilidade começa a transformar a rotina da casa, devolvendo vida, sorrisos e acolhimento — inclusive para Arthur, que se vê confrontado por sentimentos que acreditava extintos. Entre regras rígidas, rumores perigosos e o retorno de uma mulher interessada apenas no sobrenome Montenegro, Lívia se sente deslocada e considera partir. A possibilidade de perdê-la obriga Arthur a enfrentar seu maior medo: amar novamente. No momento decisivo, ele entende que o verdadeiro lar de Theo — e o seu — não está no controle, mas no cuidado. Uma história intensa sobre escolhas, coragem e o poder transformador do amor.
Ler mais(Arthur Montenegro)Eu saí do escritório com a cabeça latejando. A reunião tinha sido um inferno, acionistas exigindo respostas, números que não fechavam, pressão demais para um dia que já havia começado errado. Quando tudo sai do controle, eu trabalho mais. Sempre funcionou. O trabalho nunca me abandona, nunca me decepciona, nunca morre.Cheguei em casa louco para entrar na banheira de hidromassagem e esquecer aquele dia. Foi então que vi o quintal. Parei no meio do corredor envidraçado, como se tivesse sido atingido por algo invisível. Theo estava lá fora. No quintal. O lugar que eu havia proibido. Meu primeiro impulso foi a raiva, automática. A regra era simples, eu fui explícito. Aquele espaço não fazia mais parte da rotina da casa. Não desde que… Meu olhar se desviou.Lívia estava com ele. Ela corria atrás de Theo, fingindo ser alguma criatura imaginária, e meu filho gargalhava. Gargalhava de verdade. Não aquele sorriso contido que ele costuma me oferecer, mas um riso aberto, sol
Voltei à casa dos Montenegro com o estômago embrulhado e a respiração curta. O portão se abriu do mesmo jeito silencioso e lento do dia anterior, como se nada tivesse acontecido. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhum aviso de dispensa. Ainda assim, cada passo meu carregava a certeza de que eu estava entrando num lugar onde talvez já não fosse bem-vinda.Passei pela porta principal com o coração batendo forte e as pernas moles feito gelatina. Tudo estava impecável, como sempre. Nenhum vestígio do conflito. Apenas o silêncio educado de uma casa acostumada a engolir excessos. Berta estava na cozinha, organizando a bandeja do café da manhã. Diferente de Helena, a empregada da limpeza, Berta tinha mãos firmes e um olhar que parecia já ter visto de tudo. Ao me notar, ergueu os olhos devagar, me avaliando.— Bom dia, Lívia — disse, como se aquele fosse um dia comum. Aquilo me desconcertou mais do que qualquer bronca teria feito.— Bom dia… — respondi, largando a bolsa perto da porta — Po
O grande portão da casa dos Montenegro se abriu em silêncio, lento demais. Faltava cinco minutos para as seis da manhã. Minha mãe sempre dizia, em um trabalho, chegar na hora marcada é considerado atraso. Então, eu preferia chegar alguns minutos antes. Desci do carro com a postura mais firme que consegui reunir naquela manhã e ajeitei a bolsa no ombro, tentando ignorar o peso invisível do passado que eu carregava comigo. Apertei a campainha, mas alguém só veio abrir a gigante porta de madeira, as seis em ponto.A fachada da era imponente. Vidros espelhados, jardim milimetricamente aparado, nada fora do lugar. Aproveitei para observar tudo ao redor. Aquele espaço não fazia parte da minha realidade suburbana. Por dentro, o cheiro era de limpeza recente e dinheiro antigo. Fui recebida por Berta, a governanta.— Seja bem-vinda, Lívia — ela já me recebeu com intimidade de colegas de trabalho — O senhor Montenegro já saiu para o trabalho. Vou lhe apresentar o Théo.Assenti, seguindo-a por u
Acordei naquela manhã de sábado com uma animação que eu já não reconhecia em mim. Era estranho sentir esperança depois de quase seis meses convivendo com a palavra não. Não contratamos. Não agora. Não se encaixa. Mas agora, sim. Dentro de dois dias, eu deixaria de ser a mulher que contava moedas e passaria a ser alguém que pagaria as próprias contas. Meus boletos não dependeriam mais de favores, empréstimos ou promessas vazias. O aluguel estaria quitado. O cartão de crédito deixaria de ser um lembrete diário do meu fracasso recente e, talvez, pela primeira vez em meses, eu conseguiria mandar um pouco de dinheiro para minha mãe, lá no norte de Minas, sem sentir culpa por não fazer mais.Levantei da cama com esse pensamento aquecendo o peito. Abri a janela do pequeno apartamento na República, esperando que o sol invadisse o espaço e confirmasse aquele recomeço. Mas o que encontrei foi um céu pesado, cinza, baixo demais para um dia que prometia tanto. O vento gelado entrou sem pedir lice
O portão gigante de ferro à minha frente me deixava assustada. Eu nunca tinha trabalhado em uma casa tão chique em todos os anos como babá. Enquanto aguardava o interfone ser atendido, ajeitei a bolsa no ombro e respirei fundo, tentando ignorar o nó insistente no estômago. Mansão Montenegro. O nome soava pesado, quase intimidante. Não combinava comigo, com meus sapatos simples nem com a vida prática que aprendi a levar desde cedo.— Senhorita Lívia Rocha? — a voz masculina soou metálica pelo interfone.— Isso, sou eu — minha voz quase não saia.O portão se abriu devagar, revelando um caminho longo, impecavelmente limpo, ladeado por jardins perfeitos demais para parecerem reais. Cada passo que dei foi acompanhado por uma certeza incômoda, eu estava entrando em um mundo que não me pertencia. A porta principal se abriu antes mesmo que eu tocasse a campainha. Um homem de terno escuro me aguardava. Alto, postura impecável, olhar atento demais para alguém que se dizia apenas um funcionário.





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