Mundo ficciónIniciar sesiónArthur Montenegro é um CEO poderoso, frio e controlador, que construiu seu império após a perda da esposa e aprendeu a manter o coração fechado. Seu único ponto frágil é Theo, o filho de seis anos, uma criança sensível que sente a ausência da mãe e a distância emocional do pai. Lívia Rocha, uma babá simples e dedicada, entra na mansão Montenegro com o propósito de cuidar de Theo com afeto e responsabilidade, sem jamais ultrapassar limites. No entanto, sua sensibilidade começa a transformar a rotina da casa, devolvendo vida, sorrisos e acolhimento — inclusive para Arthur, que se vê confrontado por sentimentos que acreditava extintos. Entre regras rígidas, rumores perigosos e o retorno de uma mulher interessada apenas no sobrenome Montenegro, Lívia se sente deslocada e considera partir. A possibilidade de perdê-la obriga Arthur a enfrentar seu maior medo: amar novamente. No momento decisivo, ele entende que o verdadeiro lar de Theo — e o seu — não está no controle, mas no cuidado. Uma história intensa sobre escolhas, coragem e o poder transformador do amor.
Leer másO portão gigante de ferro à minha frente me deixava assustada. Eu nunca tinha trabalhado em uma casa tão chique em todos os anos como babá. Enquanto aguardava o interfone ser atendido, ajeitei a bolsa no ombro e respirei fundo, tentando ignorar o nó insistente no estômago. Mansão Montenegro. O nome soava pesado, quase intimidante. Não combinava comigo, com meus sapatos simples nem com a vida prática que aprendi a levar desde cedo.
— Senhorita Lívia Rocha? — a voz masculina soou metálica pelo interfone.
— Isso, sou eu — minha voz quase não saia.
O portão se abriu devagar, revelando um caminho longo, impecavelmente limpo, ladeado por jardins perfeitos demais para parecerem reais. Cada passo que dei foi acompanhado por uma certeza incômoda, eu estava entrando em um mundo que não me pertencia. A porta principal se abriu antes mesmo que eu tocasse a campainha. Um homem de terno escuro me aguardava. Alto, postura impecável, olhar atento demais para alguém que se dizia apenas um funcionário.
— Seja bem-vinda. O senhor Montenegro a aguarda no escritório.
Assenti, seguindo-o em silêncio. O interior da casa era bonito, luxuoso, frio. Tudo ali parecia organizado demais, como se a vida tivesse sido cuidadosamente retirada de cada canto. Foi quando ouvi uma risada infantil ecoar pelo corredor que algo dentro de mim se aqueceu.
— Theo… — murmurei sem perceber.
O funcionário me lançou um olhar curioso, mas não disse nada. O escritório ficava no fim do corredor. A porta estava entreaberta e antes que eu pudesse anunciar minha presença, ouvi a voz dele.
— Entre, por favor…
Arthur Montenegro não precisou levantar os olhos do tablet para dominar o ambiente. Era o tipo de homem que carregava autoridade até no silêncio. Quando finalmente me encarou, senti o impacto direto no peito. Ele era bonito, não do tipo óbvio, mas perigoso. O olhar sombrio, cansado, analisava tudo com precisão. Não havia um mini sorriso sequer.
— Lívia Rocha — disse, confirmando meu nome como se já soubesse tudo sobre mim — Vinte e quatro anos. Formada em pedagogia -incompleta-. Três recomendações excelentes. Engoli em seco. Ele sabia tudo.
— Sim, senhor — minha voz saiu mais trêmula do que eu pretendia.
— Aqui não gosto de informalidades — Ele se levantou. Era alto, muito mais alto do que eu esperava — Meu filho precisa de estabilidade, não de afeto exagerado nem distrações emocionais.
A frase doeu em mim mais do que deveria.
— Eu entendo — respondi, mesmo discordando de cada palavra.
— Theo é sensível — Sua voz falhou por um segundo, quase imperceptível — Não lida bem com mudanças.
Antes que eu pudesse responder, uma pequena figura apareceu na porta. Cabelos castanhos bagunçados, olhos curiosos e um sorriso tímido.
— Você é a nova babá? — perguntou o garotinho que me encantou em suas primeiras palavras.
Seu sotaque sulista me deixou derretida. Ajoelhei-me no mesmo instante, ignorando completamente a presença imponente do pai atrás de mim.
— Sou, sim. E você deve ser o Theo.
— Você pode ficar? — ele questionou segurando minha mão.
A pergunta simples atravessou meu peito como uma flecha. Levantei o olhar para Arthur Montenegro e pela primeira vez, vi algo diferente em seu rosto. Não frieza. Não controle. Medo.
— Se você quiser — respondi ao menino, apertando sua mão com cuidado — eu fico.
Naquele instante, sem saber, eu aceitei muito mais do que um emprego. Aceitei o começo da história que mudaria a minha vida para sempre. Eu não sabia o que esperar daquele emprego, mas sabia que seria um desafio que eu nunca tinha enfrentado em toda minha vida. A presença do senhor Montenegro era assustadora, até para o próprio filho e isso não seria nada fácil.
Depois da rápida entrevista e da interação com Théo, eu fui contratada e recomendada.
— Não gosto de atrasos, nem de desorganização. Os detalhes de tudo, será passado pela governanta, dona Berta — ele dava ordens como se eu fosse um funcionário da sua big tech — espero você as seis da manhã na segunda. Aproveite o final de semana para se organizar e não ter imprevistos.
— Ok. Obrigada, senhor. Não vou decepcioná-lo — estendi a mão em confirmação e fiquei sozinha com a mão no ar, feito uma boba. Ele virou as costas e saiu atendendo o celular que vibrava.
Olhei em direção à porta e vi a dona Berta me encarando e meneando a cabeça em negativa. Eu não sabia um terço do que viria a seguir, mas tive certeza naquele instante que eu iria lidar com um grande desafio.
— Espero que você dure pelo menos um mês, menina — Berta me alertou.
— Por quê? É tão difícil assim, ser babá? — perguntei inocente. Berta sorriu.
— Você é a terceira garota, somente esse mês. Ninguém aguenta mais de uma semana — Berta parou na minha frente e virou-se para mim — o senhor Montenegro é um homem amargo, frustrado. Principalmente depois da morte súbita da sua esposa Lindsay. Uma mulher maravilhosa — Berta ficou pensativa.
Esperei que ela dissesse mais, porém, era só o que ela tinha a dizer naquele momento. Me mostrou as partes da casa que eu poderia frequentar e as áreas proibidas. Saí da mansão com a certeza de um bom salário que pagaria meu aluguel e as faturas do cartão e ainda sobraria um pouco de dinheiro para mandar para minha mão no norte de Minas. Só não imaginei que, naquela mesma noite, ao conferir os documentos esquecidos na minha bolsa, eu descobriria que o nome Arthur Montenegro não estava ali apenas como meu empregador, mas ligado ao passado que eu passei a vida inteira tentando esquecer.
Lívia RochaOs dias de tranquilidade estavam contados, embora eu ainda não soubesse de onde viria o primeiro abalo, nem sequer cogitasse a possibilidade de que algo pudesse desmoronar. Aos poucos, eu me acostumava à serenidade daquela nova vida, morar na mansão, ter diante de mim um trabalho promissor e, acima de tudo, sentir a família finalmente reunida. Era uma paz silenciosa, quase delicada, daquelas que fazem a gente acreditar que, talvez, depois de tantas tempestades, o destino finalmente tivesse decidido ser gentil comigo.Cecília entrou na mansão com um entusiasmo raro, quase juvenil. Havia algo diferente em seu olhar, uma luz que denunciava a felicidade de quem carregava uma novidade importante. Ao seu lado caminhava Lauro Montenegro, observando o interior da casa com uma calma calculada, como se cada detalhe lhe fosse útil de alguma maneira.— Lívia! — chamou Cecília da sala, animada — Quero que conheça uma pessoa.Theo brincava distraído no tapete, espalhando carrinhos pelo
Lívia RochaEncontrei um curso perto da empresa. Dessa forma, meus horários poderiam se encaixar melhor, permitindo que eu organizasse a rotina sem abrir mão do que precisava construir dali em diante. Ainda assim, havia um ponto delicado que eu não podia ignorar, precisava encontrar uma babá para cuidar de Theo em tempo integral.Eu estaria trabalhando o dia todo, e minha mãe fazia faxina na mansão, ficando com ele apenas durante parte da tarde. E, por mais que meu coração se apertasse ao pensar nisso, a situação em que ela vivia poderia colocar meu filho em risco. Não era uma acusação… era uma constatação dura. A vida tinha nos ensinado, da pior maneira possível, que confiar apenas na boa vontade das coisas nem sempre era suficiente.
Meu final de semana foi bem agitado, nem cogitei a possibilidade de sair para passear. Minha cabeça estava a mil sobre o novo emprego, eu nunca tinha trabalhado em uma grande empresa, muito menos estive a frente de um grande projeto, ou de qualquer projeto. Minha experiência sempre foi ser babá e nada mudava. Meu curso que estava em andamento, tive que parar quando decidi fugir de Arthur Montenegro e seu passado sombrio. Agora precisava retomar, mesmo que fosse um curso básico de administração ou inglês, isso faria muita diferença no meu novo trabalho.Eu estava animada, disposta a enfrentar qualquer obstáculo que eu sabia que teria, afinal, Arthur tinha me indicado, isso seria visto como nepotismo ou conflito de interesses, mas eu iria dar o melhor de mim e mostrar que eu sou muito capaz de ser o que quer que fosse.Sentei na varanda e após ler algumas páginas de mulheres que correm com os lobos, me veio um insight forte. Mulheres não precisam depender de homens para construir a próp
Lívia RochaFora os pesadelos e a sensação de ser seguida, a vida na mansão Montenegro estava tranquila. Minha mãe se tornou responsável por Theo, de forma definitiva. Ela realmente o adotou como neto e não abria mão da companhia do garoto. Começou a sair com frequência para passear na pracinha com Theo. Não era estranho minha mãe querer passear em Florianópolis, afinal, ela tinha vivido uma vida inteira em Minas, em uma zona rural onde as únicas coisas que viam eram animais e gente fofoqueira, alías, Floripa era um lugar lindo e qualquer um iria gostar de passear pelas ruas.Dona Cecília dava conta de toda a arrumação da casa, dava banho no garoto e ainda tinha tempo de passear. Nos últimos dias isso acontecia com muita frequência, eu n&
Lívia RochaEu sempre fui boa em guardar segredos. Fiz disso um instinto de sobrevivência, mas quando o medo passou a morar em mim, feito hóspede indesejado, tornou-se impossível disfarçar a inquietação que me corroía por dentro.À mesa de jantar, depois de Arthur trazer lanches para todos, aquele deveria ser um momento simples, feliz. Família reunida, meus sonhos, enfim, materializados diante dos meus olhos. Minha mãe sentada à minha frente, Theo tão perto que eu podia sentir seu cheiro, e o homem que escolhi para dividir a vida cuidando de mim com a delicadeza de quem entende o peso do amor. Eu não tinha do que reclamar. E, ainda assim, algo estava errado.A sensação constante de ser observada me acompanhava como uma
Arthur MontenegroEu estava feliz demais para me deter em minúcias que não dialogavam com o meu momento. Pequenos ruídos sempre existiram, mas, pela primeira vez, eles não tinham força suficiente para atravessar a blindagem do que eu sentia. Ao cruzar a porta da empresa, percebi os olhares inevitavelmente voltados para mim. Não era confortável, nunca foi. Alguns ainda carregavam rigidez, quase desconfiança. Outros, no entanto, sustentavam algo novo: respeito. Um respeito que não nascia do medo, nem da conveniência, mas daquilo que eu vinha construindo com decisões firmes, ações consistentes e escolhas que exigiram coragem. Era o tipo de reconhecimento que eu deveria ter buscado desde o início.Meu pensamento, contudo, não permanecia ali por muito tempo. Ele sempre acabava





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