Mundo de ficçãoIniciar sessãoLúcia Andrade fugiu de um passado sombrio, trocando sua vida por um uniforme simples de faxineira no Grupo Aurus. O que ela não esperava era chamar a atenção do CEO da empresa: Otávio Monteverde — frio, poderoso, e dono de segredos mais escuros que os dela. Quando café é derramado no mármore branco da sala dele, o que começa com uma bronca se transforma em uma tensão impossível de ignorar. Mas o que acontece quando o homem que manda em tudo começa a perder o controle por alguém que ele nunca deveria desejar?
Ler maisOtávio Respiro fundo após o fim da reunião com o setor financeiro e retorno à minha sala. Não consigo entender como todos os recursos enviados para alguns setores não são o suficiente. Na verdade eu entendo. É óbvio que tem alguém desviando verba. Mas eu vou descobrir em dois toques, e quando isso acontecer eu não gostaria de ser o desgraçado.Nunca precisei lidar diretamente com esse tipo de gente. Tenho uma equipe especializada nesse tipo de inconveniente. Digamos que é uma equipe de limpeza que tira o lixo quando eu preciso. É hora do almoço e minha cabeça já está explodindo. Sento em minha cadeira e me viro para a vidraça. Fico observando a chuva fraca cair lá fora e a água escorrendo pela janela. O som da chuva, o clima frio e a sensação de umidade é extremamente relaxante. Deixo meu corpo relaxar na cadeira confortável, solto a gravata e desabotoo a camisa. É uma sexta-feira movimentada e apesar de estar acostumado com essa rotina corrida, meu corpo é quem reclama, quase tant
LúciaSinto meu corpo dolorido como se tivesse nadado em um mar revolto o dia inteiro.A colcha da cama gelada contrastava com minha pele trazendo uma vontade de dormir instantânea. Minha cama era confortável de um jeito inexplicável, mas apesar de todo o cansaço e o conforto, não conseguia aquietar minha mente para, finalmente, descansar.Foram tantas emoções que não sei no que focar.No tratamento tão carinhoso de Otávio por me tratar tão bem, deixando o café pronto para mim, na discussão acalorada com Isabela, em como fui ousada em avançar um mega passo em relação à Otávio ou em como ele nem hesitou em me entregar a chave de seu apartamento.Viro minha cabeça para o lado direito, onde o criado mudo fica e lá está ela. A chave do apartamento de Otávio. Seu chaveiro de coração feito com tecido vermelho trazia calma para a minha visão de uma forma boba que eu não sabia explicar e tenho certeza de que ninguém entenderia o que eu sinto em relação a esse pequeno objeto. Era quase como pa
OtávioA tarde de quinta-feira se despedia lentamente, tingindo o céu com um tom alaranjado que parecia incendiar o horizonte. O vento soprava frio, carregando o cheiro de terra úmida misturado ao perfume discreto das flores do jardim. Apoiei-me na balaustrada da varanda e me permiti apenas… sentir. Há quanto tempo eu não fazia isso? Apenas respirar, sentir o vento, sentir o mundo?Meus olhos naturalmente se voltaram para o ponto ao longe onde sabia estar a casa de Lúcia e dos tios dela. Não havia luzes acesas na varanda. Não havia movimento. Mas mesmo sem ver nada, minha mente viajou. O que será que a minha garota estava fazendo? Ela estaria deitada na cama, lendo algo? Estaria rindo com Sabrina, ou cuidando das coisas da casa? Será que ela tinha sorrido ao ler minha mensagem ou… será que a assustei?Essa dúvida corrói.Fecho os olhos e deixo o vento passar por mim, bagunçando levemente o cabelo e fazendo minha camiseta preta acariciar meu dorso. A calça de moletom se agita no vento,
IsabelaA porta se fecha sem barulho quando Lúcia deixa o banheiro, e eu continuo sentada no chão frio tentando assimilar o que acabou de acontecer.Minhas mãos tremem, meu corpo inteiro treme. Tento conter minhas lágrimas, mas não consigo. Elas escorrem sem piedade, me deixando desarmada.Ela me encostou.Aquela… faxineira ousou colocar as mãos em mim.Olho para meu pulso latejante, a pele vermelha marcada, e sinto um nó no estômago. O choro já molhou meu vestido, borrando maquiagem perfeita que construí de manhã com tanto cuidado.— Maldita… — sussurro entre dentes, a voz carregada de ódio.Levanto cambaleante e me encaro no espelho. O reflexo me devolve uma versão distorcida de mim: maquiagem borrada, rímel escorrido formando círculos escuros sob os olhos. Eu, Isabela Villar, filha de família tradicional, criada para ser impecável, estava acabada por causa dela. Uma ninguém.Cada palavra dela ecoa na minha mente como uma lâmina.Cada olhar dela me desafia.Sinto meu corpo inteiro f
Otávio A porta se fechou atrás dela e a sala ficou silenciosa, mas o ar ainda estava carregado com o perfume adocicado e quente que Lúcia deixara para trás.Eu fiquei ali, sentado na cadeira, sentindo o eco de cada toque, cada olhar, cada segundo que ela passou sentada no meu colo como se aquele lugar fosse dela. E talvez seja. Pelo menos, na minha mente, já é.Minha mão ainda segurava a caneta, esquecida sobre o relatório que eu estava revisando antes de ela entrar. Não havia mais espaço para números ou gráficos. Minha mente estava tomada por uma única imagem: Lúcia, de joelhos, olhando pra mim como se me tivesse nas mãos.Fechei os olhos e a cena veio inteira, como um filme. A forma como ela entrou, decidida, sem pedir permissão. O som suave de seus passos apressados atravessando o carpete. O brilho nos olhos — não era só desejo, havia desafio. Um recado silencioso de que ela não estava ali para brincar, mas para deixar uma marca.Quando virou minha cadeira e sentou no meu colo, se
Lúcia Acordei já era passado das dez da manhã. Não acredita que Otávio não tinha me acordado. Se ele quisesse me demitir era só fazer. Levanto e cato minha roupa da noite anterior me vestindo apressada, mas ao passar pela cozinha vi que havia um pratinho com torradas e geleia em cima da mesa, ao lado um potinho com frutas picadinhas e ao lado da cafeteria havia um bilhete. Eu leio aquele papel e levo um pequeno choque. Ele me chamou de “baby” e colocou um coração no final? Saber que Otávio era romântico me deixou surpresa e alegre. Apesar de não esperar essa atitude dele meu coração sorriu. Ninguém nunca tinha feito um bilhete pra mim com tanto carinho. Eu comi, deixei tudo limpo e fui para casa com um carro de aplicativo. Ao chegar meus tios perguntaram se eu estava bem e se havia acontecido alguma coisa, mas eu os tranquilizei e me obriguei a contar que dormi no apartamento de Otávio. Meu tio resmungou um pouco e minha tia parecia animada. Fui tomar banho e para encarar o trabalh
Último capítulo