Mundo de ficçãoIniciar sessãoDepois de anos marcada pela perda dos pais, Aurora Delmont descobre que apenas o enigmático CEO Ethan Vesper possui as chaves para sua herança… e para a verdade que ela tanto teme. Entre segredos que ferem e uma paixão impossível de esconder, Aurora e Ethan se aproximam como fogo e sombra. Mas quando o amor nasce em meio ao perigo, fica a pergunta: o destino vai uni-los… ou arrancá-los um do outro para sempre?
Ler maisO vento cortava a pele de Aurora Delmont como uma lâmina invisível quando ela parou diante dos portões de ferro do casarão. O rangido metálico ecoou pelo terreno vazio ao ser empurrado, um som que parecia anunciar seu retorno como um aviso — ou uma sentença. A mansão se erguia imponente à sua frente, envolta por árvores antigas e sombras que se alongavam pelo jardim negligenciado. Aquela casa já fora viva. Agora, parecia um mausoléu construído para guardar fantasmas.
Aurora respirou fundo, sentindo o cheiro de terra úmida misturado à memória. Era ali que aprendera a andar de bicicleta, que correra pelos corredores rindo alto demais, que ouvira os pais discutirem negócios e depois se reconciliarem na cozinha, tarde da noite. Tudo aquilo havia sido arrancado dela de forma brutal quando tinha apenas catorze anos. O acidente — como todos insistiam em chamar — nunca fizera sentido. Um carro fora da pista, numa estrada que seu pai conhecia como a palma da mão. Um erro mecânico conveniente demais. Um relatório apressado. Um enterro silencioso. E uma menina entregue aos cuidados de parentes que jamais a quiseram de verdade. Élio e Marise Delmont a receberam com sorrisos rígidos e abraços calculados. Eles já tinham uma família formada, dois filhos que cresceram acreditando que Aurora era uma intrusa — um lembrete incômodo de que aquela herança nunca lhes pertenceria completamente. Dante tinha dezesseis anos quando tudo aconteceu. Alto demais para a idade, bonito demais para não saber disso, e dono de um olhar azul que sempre carregou uma arrogância quase natural. Com o passar dos anos, aquela arrogância se transformou em algo mais perigoso: uma sensação de posse silenciosa, mal disfarçada por ironias e provocações. Lena, por sua vez, parecia o oposto. Doce, educada, sempre pronta a oferecer ajuda. Mas Aurora aprendera cedo que havia farpas escondidas em cada gesto. Pequenas crueldades sutis, palavras ditas com delicadeza suficiente para não serem notadas por mais ninguém. Foi ali que Aurora entendeu, ainda adolescente, que laços de sangue não garantem afeto. E que famílias respeitáveis podiam esconder sombras muito mais densas do que qualquer segredo empresarial. Agora, aos vinte e cinco anos, ela estava de volta. Não por saudade. Não por escolha. Mas porque o testamento finalmente seria aberto — e aquilo que fora adiado por mais de uma década não poderia mais ser ignorado. Ela atravessou o hall principal sentindo o peso do passado em cada passo. Os móveis estavam no mesmo lugar, mas sem vida. Quadros cobertos por lençóis brancos, como corpos esquecidos. O silêncio era quase agressivo. Do outro lado da cidade, em um arranha-céu de vidro e aço, o mundo parecia se mover em outro ritmo. Ethan Vesper observava os números dançando na tela com atenção absoluta. Para ele, gráficos eram mais honestos do que pessoas. Não mentiam. Não imploravam. Não traíam — ao menos não sem deixar rastros claros. Seu nome não era dito em voz alta com frequência. Era sussurrado nos corredores empresariais, pronunciado com reverência, temor ou inveja. Nunca com intimidade. CEO da Vesper Corp., Ethan construíra sua reputação na frieza das decisões impopulares, na precisão cirúrgica com que desmontava concorrentes e absorvia empresas inteiras. Ele não pedia permissão. Não dava segundas chances. Não perdia. Era o único herdeiro de um império erguido sobre estratégias implacáveis e acordos silenciosos. Um homem acostumado a controlar todos os cenários — exceto aquele que se aproximava. Aquele que envolvia Aurora Delmont. Ele fechou o arquivo e apoiou os dedos na mesa de vidro. O passado, que passara anos enterrado, estava prestes a emergir. E com ele, uma promessa que nunca fora esquecida. O salão principal da mansão estava cheio quando Aurora entrou. Parentes distantes, advogados, rostos que ela mal reconhecia. O murmúrio cessou por um segundo, como se sua presença tivesse alterado o ar do lugar. Élio e Marise se aproximaram, exibindo expressões ensaiadas de acolhimento. Havia tensão em seus olhos. Medo. Não dela, mas do que ela representava. Dante estava encostado no piano antigo, os braços cruzados. O tempo fora generoso com ele. Alto, elegante, perigoso. Seu olhar percorreu Aurora sem pudor, demorando mais do que deveria. Havia algo ali que a fez se mover instintivamente para longe. Lena surgiu logo depois, sorrindo. — Aurora… você voltou — disse, com a voz suave demais. Aurora assentiu, mantendo a postura firme. Não estava ali para trocas sociais. Antes que o advogado pudesse iniciar a leitura, a porta principal se abriu. Homens de terno escuro entraram primeiro, abrindo caminho com naturalidade. O silêncio se aprofundou. Então ele apareceu. Ethan Vesper. Sua presença não era barulhenta. Era esmagadora. Como uma tempestade que não precisa de trovões para anunciar destruição. O ar ficou mais denso. Pessoas endireitaram a postura sem perceber. Aurora sentiu um arrepio subir pela coluna. Ela nunca o tinha visto antes, mas algo dentro dela reconheceu o perigo — e a inevitabilidade. Quando os olhos dele encontraram os dela, tudo ao redor pareceu desaparecer. Dante franziu o cenho, o ciúme evidente. Lena arregalou os olhos, fascinada. Marise levou a mão ao peito. Ethan caminhou até o advogado, que segurava uma pasta preta com mãos levemente trêmulas. — Sr. Vesper — disse o homem — conforme solicitado no testamento do Sr. Delmont, o senhor terá participação direta nesta leitura. Aurora sentiu o estômago revirar. — Como assim? — questionou, sem conseguir esconder a surpresa. Ethan virou-se para ela. Sua voz, quando falou, era grave, firme, carregada de autoridade contida. — Seu pai confiava em mim — disse, encarando-a como se pudesse enxergar além da superfície. — E deixou algo sob minha responsabilidade. Algo que envolve você. O silêncio que se seguiu foi pesado, quase sufocante. — O que exatamente? — perguntou Aurora, o coração disparado. Um meio sorriso surgiu nos lábios de Ethan. Um sorriso que não oferecia conforto algum. — Você. O mundo dela pareceu parar. Dante avançou um passo, furioso. Lena levou a mão à boca. Marise soltou um som baixo, entre choque e alívio. — Como assim… eu? — Aurora sussurrou. Ethan se aproximou, diminuindo a distância entre eles. Inclinou-se levemente, o suficiente para que apenas ela ouvisse. — Seu pai me confiou a responsabilidade de protegê-la — murmurou. — E para isso, Aurora, você terá que viver sob o meu teto. Sob o meu controle. Sob o meu nome, se for necessário. Ela sentiu o chão desaparecer sob seus pés. — E se eu recusar? — perguntou, reunindo o pouco de coragem que restava. Ethan a encarou com uma intensidade que lhe roubou o fôlego. — Então você perderá tudo o que herdou — respondeu, sem hesitar. — Inclusive a verdade sobre o que realmente aconteceu com seus pais. O coração de Aurora se partiu em um ritmo acelerado. Porque, no fundo, ela sempre soubera. A morte deles não fora um acidente. E Ethan Vesper… era a única chave para destrancar aquela verdade.(Ponto de vista de Aurora) O salão inteiro brilhava. Não era apenas iluminação — era intenção. Cada detalhe parecia ter sido pensado para criar a sensação de que aquele momento não se repetiria jamais. Luzes douradas desciam do teto como constelações cuidadosamente desenhadas, refletindo nos cristais, nos talheres, nos olhares emocionados dos convidados. O ambiente tinha algo de irreal, como se o mundo lá fora tivesse sido colocado em pausa apenas para que aquilo pudesse acontecer. Flores brancas enfeitavam cada mesa. Lírios, rosas, pequenas orquídeas. O perfume era suave, elegante, quase etéreo. Nada ali gritava excesso. Tudo falava de escolha. De precisão. De consciência. E no centro do salão, perfeitamente alinhado, estava o corredor. Longo. Aberto. Luminoso. Meu corredor. Meu caminho. Meu trajeto até Ethan. Quando as portas ainda estavam fechadas, eu permaneci imóvel por alguns segundos, respirando fundo, sentindo o peso daquele instante se acomodar dentro de mim. O vestid
(Ponto de vista dele — Ethan) Quando desliguei o telefone, Aurora percebeu na hora que algo estava errado. Ela é perceptiva demais. Sempre foi. — Ethan… o que encontraram? — perguntou, a voz engolindo a própria ansiedade. Respirei fundo, tentando organizar o caos na minha mente. — Uma gravação. Antiga. Da noite do acidente. Os olhos dela se abriram como se o chão tivesse sumido. — Uma gravação de quê? — Da discussão final entre seus pais e… seu tio. E alguém mais. Aurora firmou o corpo, como se estivesse se preparando para uma queda inevitável. — Quem? Eu hesitei. Não queria ser eu a dizer aquilo. Mas ninguém mais poderia. — Sua tia. O silêncio foi tão brutal que doeu. Aurora não piscou. Não respirou. Não tremeu. Apenas… ficou imóvel. Como se o mundo estivesse desabando dentro dela. — Minha tia estava envolvida…? — ela finalmente sussurrou. — Sim. E do pior jeito possível. Ela não só sabia da sabotagem… como incentivou. A gravação mostra claramente: ela não evitou
(Ponto de vista dela — Aurora) Depois que meu tio foi levado pelos advogados de Ethan, o silêncio que tomou a sala parecia mais pesado que qualquer grito. Eu estava vazia… e ao mesmo tempo incendiada. Não era só dor. Era a sensação de que, pela primeira vez, eu estava acordando de um pesadelo que durou anos. E Ethan estava ali, parado à minha frente, como se tivesse medo de se aproximar demais. — Aurora… — ele começou, mas sua voz falhou. — Tem mais uma coisa. Eu senti o chão balançar, mas não recuei. Nunca recuaria dele. — Me mostra — pedi. — Agora. Tudo. Ele hesitou por um segundo, então abriu a gaveta e tirou o envelope preto. Aquele que vi, mas que ele havia escondido. Um arrepio subiu pela minha espinha. Ethan colocou o envelope na mesa, sem tocar em mim. Como se precisasse garantir que eu fosse forte por conta própria. — Antes de abrir… você precisa entender uma coisa — ele disse, com o maxilar tenso. — Eu lutei contra o que descobri. Quis te proteger. Mas perceb
(Ponto de vista dele — Ethan)Aurora adormeceu no sofá da minha sala depois de horas tentando processar tudo.Não tive coragem de acordá-la.Ela parecia finalmente respirar… sem medo.Mas eu não.O peso da verdade me esmagava.Porque, pela primeira vez, eu estava diante de algo que não conseguia controlar.Quando ela dormiu, peguei o relatório que faltava.Aquele que eu ainda não tive coragem de mostrar.Mais do que desvio de dinheiro.Mais do que manipulação familiar.Era outra coisa.O acidente.A morte da mãe dela.Eu revisei o dossiê novamente, mesmo sabendo cada linha de cor.E, pela centésima vez, meu estômago virou.Porque a conclusão era cada vez mais clara:Aquilo não tinha sido acidente.E pior…Os nomes envolvidos apontavam para alguém que Aurora jamais imaginaria.Ouvi o som dela se mexendo atrás de mim.Guardei tudo antes que ela abrisse os olhos.— Ethan…? — a voz dela veio baixa, sonolenta.Virei-me.Ela estava linda, mesmo com o cansaço, mesmo com a dor.Talvez até mai
(Ponto de vista dela — Aurora) Eu mal consegui dormir depois daquela noite no hotel. O beijo… não. A forma como Ethan me beijou. Como se estivesse reclamando algo que já era dele. Como se soubesse que, daqui para frente, nada no mundo separaria nossos caminhos. Eu tentei manter minha rotina. Sem sucesso. Ao chegar na empresa, tudo parecia mais silencioso, mais tenso. E não demorou cinco minutos até perceber o motivo: Meu tio estava no escritório de Ethan. A porta entreaberta. Vozes altas. Duras. E meu nome sendo cuspido como um problema. O sangue gelou nas minhas veias. Dei um passo para trás, mas a porta se abriu antes que eu pudesse fugir. Meu tio saiu com o rosto vermelho de raiva — e parou ao me ver. — Você — disse, apontando para mim — está destruindo nossa família. Minha boca secou. — Eu só quero a verdade. — Você não foi feita para lidar com a verdade. — O tom dele cortava. — É emocionalmente instável. Sempre foi. Sua mãe sabia disso. Por isso confiou a mim
(Ponto de vista dele — Ethan) Eu não conseguia deixar de olhar para Aurora. Por mais que tentasse focar nos documentos, nos contratos, no caos tomando forma em torno da herança dela… minha atenção voltava para o jeito que ela mordia o lábio ao analisar algo, para a curva suave de seu pescoço, para a determinação absurda que brilhava nos olhos dela. E para o fato de que alguém estava tentando destruí-la. Isso era o que me irritava mais do que tudo. Eu estava começando a entender: não era só a herança. Era pessoal. Alguém queria que Aurora permanecesse pequena, frágil, dependente. E falhou. Porque Aurora não era feita para ser diminuída. E eu… não permitiria que fizessem isso com ela. ⸻ Em meio ao silêncio tenso da sala, algo vibrou no meu celular. Uma mensagem do meu segurança particular. “Encontramos o homem do envelope. Aguarda instruções.” Meu peito se apertou. Finalmente. — Aurora — chamei, e ela ergueu os olhos. — Vamos sair daqui. — Aconteceu algo? — Sim. Encon










Último capítulo