Otávio
A luz azul do abajur jogava sombras suaves sobre o teto do meu quarto. Já passava da meia-noite e eu estava deitado, sem conseguir dormir. A cama era grande, o lençol importado, branco impecável, a temperatura do ar perfeita. Mas o silêncio... esse era insuportável.
Revirei de lado.
O rosto dela insistia em aparecer. Aqueles olhos absurdamente azuis, por trás dos óculos. A forma como ela tentava esconder o desconforto com dignidade, como se cada palavra fosse um esforço milimétric