Mundo ficciónIniciar sesiónRenascida como Patrícia, Lúcia jamais esperava encontrar no príncipe o reflexo de um amor perdido em outra vida. Agora, dividida entre o desejo e o destino, ela precisa lutar para conquistar um coração que já foi prometido a outra, e também evitar um destino amargo.
Leer másCinco anos haviam se passado, e o reino prosperava como nunca. As ruas estavam mais movimentadas, as feiras cheias de cores e vozes, e o nome de Patrícia já era conhecido muito além dos portões do palácio. Seus produtos artesanais — tecidos, perfumes e peças feitas à mão — tornaram-se símbolo de qualidade e bom gosto. O aroma das especiarias misturava-se ao som das moedas e das conversas animadas, e a renda gerada por seu comércio ajudava não apenas a coroa, mas dezenas de famílias. Na grande festa de Ano-Novo, a cidade iluminou-se com tochas, lanternas e música. O ar frio da noite era aquecido por risos, abraços e reencontros esperados. Anahí retornou em sua caravana, trazendo consigo o marido e dois meninos cheios de energia, que corriam pelo pátio da nova residência da família — agora maior, mais confortável, reflexo de um tempo de abundância. Os tecidos da caravana balançavam ao vento, e o som dos sinos anunciava sua chegada com alegria. Vera, por sua vez, brilhava. Sua voz
Os dias passaram como páginas viradas com cuidado, até que chegou a manhã tão aguardada. A grande igreja despertava envolta em luz suave, com vitrais coloridos filtrando o sol e espalhando tons dourados pelo chão de pedra polida. O aroma delicado das flores recém-colhidas misturava-se ao incenso leve, criando uma atmosfera solene e acolhedora. Naquele dia, dois casamentos uniam destinos. Eleonor caminhava com serenidade, o coração firme apesar da emoção que lhe aquecia o peito. O rei a aguardava junto ao altar, sentindo algo que não experimentava havia muitos anos: esperança. Seu coração batia forte, não por dever ou protocolo, mas por amor verdadeiro que renascia com maturidade e escolha. Patrícia entrou logo depois. Um murmúrio percorreu os bancos da igreja. Seu vestido, desenhado por ela mesma, fugia do tradicional: modelava-se ao corpo em linhas suaves, lembrando uma silhueta de sereia, elegante e delicada. O tecido claro refletia a luz dos vitrais, e seus cabelos sol
Patrícia e Eleonor foram recebidas por Elisa logo na entrada da nova casa, ainda com o frescor da lua de mel impregnado em seus gestos. Elisa as envolveu num abraço caloroso, o rosto iluminado por um sorriso largo e sereno. — É tão estranho… — disse ela, afastando-se um pouco para observarem o interior. — Ter a minha própria casa. Tudo ainda parece um sonho. Quando acordo, olho ao redor e penso: é real. Ela é linda, grande… é nossa. O sol da manhã atravessava as cortinas brancas e leves, espalhando uma claridade suave pela sala. A mesa de madeira clara estava cuidadosamente posta, com um pano bordado à mão, e um tapete em tom rosé trazia aconchego ao ambiente. Havia um perfume discreto de flores frescas misturado ao cheiro de madeira encerada. Eleonor observava tudo com atenção, passando os olhos pelos detalhes. — Sua sogra tem um gosto refinado — comentou, num tom aprovador. — A decoração está belíssima, muito delicada. — Foi tão generosa… — respondeu Elisa, tocando levemente
Na parte da tarde, Patrícia e o príncipe Henry afastaram-se do centro do reino, em um passeio,, seguindo por um caminho de terra que se abria para um campo vasto e verdejante. A relva ondulava ao sabor do vento, e o ar trazia o cheiro fresco da vegetação misturado ao perfume silvestre das flores que cresciam livremente. O céu parecia se alongar sobre eles, pintado por tons suaves de rosa e laranja, como se o dia se despedisse lentamente. — É tão lindo aqui… — disse Patrícia, respirando fundo. — O céu parece estar mais perto da gente. A brisa levantou alguns fios de seu cabelo, e Henry observou aquele instante com um sorriso tranquilo. — Venha, sente-se aqui. — disse ele, acomodando-se sobre um tronco antigo, aquecido pelo sol. — Sim. — respondeu Patrícia. Ela sentou-se em seu colo, com naturalidade, sentindo o calor do corpo dele contrastar com o ar fresco do entardecer. Henry passou um braço firme ao redor de sua cintura e sorriu, os olhos demorando-se nela. — Como fo
Na manhã seguinte, Catarina foi à casa de Rebeca. A varanda era ampla, com colunas claras e trepadeiras floridas que deixavam o ar perfumado. O sol ainda era suave, filtrado pelas folhas, e o canto distante de pássaros misturava-se ao leve tilintar das xícaras de porcelana. As duas estavam sentadas frente a frente, uma pequena mesa entre elas. O chá ainda soltava vapor, carregando o aroma de ervas adocicadas. Catarina segurava a xícara com as duas mãos, como se precisasse daquele calor para não se desfazer. — Foi muito triste… — disse, a voz embargada. — Estou muito triste. Dói muito. Rebeca, aparentemente atenta, mexia distraidamente numa mecha do cabelo vermelho, enrolando-a no dedo. Seu olhar, porém, estava distante. — Uma hora ou outra isso iria acontecer. — respondeu, num tom quase prático demais. — Vinícius é um partido muito melhor. Por dentro, outro pensamento se impunha, carregado de ironia e certo prazer culpado: — “Catarina está reclamando de quê? Trocou o s
No outro dia, Patrícia regressou para casa junto de sua mãe e da prima. Após a despedida com o príncipe Henry — que já demonstrava certa impaciência para se reunir com os burocratas do reino e tratar dos negócios pendentes — o vento fresco da manhã trouxe uma sensação de retorno à rotina. Patrícia foi direto ao ateliê. Assim que empurrou a porta, o cheiro familiar de lavanda, alecrim e óleo de rosas a envolveu como um abraço. Sentiu o peito aquecer: estava com saudade de mexer nos frascos, medir essências e criar sabonetes e perfumes com as próprias mãos. Era ali que sua alma descansava. Eleonor se retirou para a varanda, estendendo as linhas e agulhas no colo para começar um novo bordado. O sol batia de leve em seu rosto, refletindo no tecido branco como pequenos brilhos dourados. Catarina, por sua vez, caminhou até o quintal. O cheiro de terra úmida da noite anterior ainda pairava no ar. Bruno, seu cachorro, correu até ela abanando o rabo. Ela se agachou e começou a acariciar o





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