Na manhã seguinte, Catarina foi à casa de Rebeca. A varanda era ampla, com colunas claras e trepadeiras floridas que deixavam o ar perfumado. O sol ainda era suave, filtrado pelas folhas, e o canto distante de pássaros misturava-se ao leve tilintar das xícaras de porcelana.
As duas estavam sentadas frente a frente, uma pequena mesa entre elas. O chá ainda soltava vapor, carregando o aroma de ervas adocicadas.
Catarina segurava a xícara com as duas mãos, como se precisasse daquele calor para não se desfazer.
— Foi muito triste… — disse, a voz embargada. — Estou muito triste. Dói muito.
Rebeca, aparentemente atenta, mexia distraidamente numa mecha do cabelo vermelho, enrolando-a no dedo. Seu olhar, porém, estava distante.
— Uma hora ou outra isso iria acontecer. — respondeu, num tom quase prático demais. — Vinícius é um partido muito melhor.
Por dentro, outro pensamento se impunha, carregado de ironia e certo prazer culpado:
— “Catarina está reclamando de quê? Trocou o s