Mundo ficciónIniciar sesiónEla sempre foi diferente — e isso nunca foi um problema para Isabela. Negra, gorda, inteligente e dona de um coração imenso, ela aprendeu a se amar mesmo quando o mundo insistia em dizer o contrário. Ele, Kaio, era o oposto em tudo: branco, popular, confiante e acostumado a ser o centro das atenções. Dois universos que jamais deveriam colidir — mas colidiram. O que começou como uma amizade improvável se transformou em um amor intenso, avassalador, e ao mesmo tempo… impossível. Quando as certezas de Kaio começam a ruir, ele escolhe o caminho mais fácil: desaparecer. Anos depois, o destino — teimoso como sempre — os coloca frente a frente novamente. Entre o que foram e o que ainda poderiam ser, Isabela e Caio precisam encarar a pergunta que sempre evitaram: até onde vai o amor quando o tempo muda tudo — até quem somos?
Leer másCapítulo — A Promessa do Karma POV KAIO Desde que li o diário de Isa, nada mais fez sentido. Aquelas palavras eram mais do que sonhos. Eram memórias. Lembranças de algo que eu nunca vivi — mas que, de algum modo, recordava com o coração. Desde criança, vejo alguém. Um homem que aparece nas horas de silêncio, quando o mundo dorme e só o som da minha respiração preenche o ar. Ele nunca disse o próprio nome, mas sempre me chamou de “meu menino”. Com o tempo, entendi: era meu espírito guia. Alguém que me acompanha desde sempre, mesmo antes dessa vida. Quando pequeno, eu tentava falar sobre ele. Mas as pessoas riam. Diziam que era imaginação, que eu inventava amigos invisíveis. Eu aprendi a calar — mas ele nunca deixou de aparecer. Nos momentos certos. Principalmente agora. Na noite em que li o diário, ele surgiu novamente. Seu olhar era calmo, mas havia tristeza ali. — Está na hora de lembrar — ele disse. E foi assim que procurei o centro espírita da c
Capítulo — Ecos de Outras VidasPOV ISADesde que Kaio desapareceu por aqueles dias, algo dentro de mim mudou.Não era apenas saudade — era como se um eco, vindo de muito longe, tivesse despertado dentro do meu peito.As noites passaram a ser diferentes. Eu dormia e sonhava com ele. Mas não era o Kaio que eu conhecia — o universitário arrogante e apaixonado, o garoto que me fazia rir sem esforço.Nos sonhos, ele era outro.Estávamos entrando num cinema, rindo de algo que só nós entendíamos. Tudo parecia normal, até que as luzes se apagavam e o riso se transformava em discussão.As palavras saíam confusas, cheias de dor e raiva. Eu o via se levantar, me puxar pelo braço e, quando me dava conta, a sala de cinema se desmanchava.De repente, estávamos cercados por cobras.Elas se arrastavam pelo chão, frias e silenciosas, enquanto eu me agarrava a Kaio, sentindo o coração disparar.Ele apontava para um alçapão no chão — uma saída.“Desce primeiro, Isa!”, dizia ele.E eu obedecia, chorando
Capítulo — Quando o Inverno ChegouPOV ISAO tempo parecia correr diferente ao lado do Kaio.Um ano e seis meses.Foi o que durou a nossa história até aqui — o tipo de amor que parecia impossível, mas que deu certo por um tempo.Tudo começou com um gesto simples, um convite inesperado numa tarde qualquer. Ele apareceu na porta da minha casa com um sorriso nervoso, um buquê de flores amassadas e uma caixa de chocolates nas mãos.— Eu cumpro o que prometo, Isa. — disse ele, respirando fundo. — Um mês virou o suficiente pra ter certeza… você é tudo que eu quero.E ali, no meio da varanda, com o pôr do sol colorindo o céu e as mãos dele trêmulas segurando uma caixinha pequena, Kaio me pediu em namoro.Com direito a aliança, chocolate e aquele olhar que sempre me desarmava.Chorei, claro.Disse sim, entre risos e soluços, e ele me abraçou tão forte que o mundo pareceu caber naquele instante.Os meses seguintes foram uma mistura de risadas, planos e sonhos compartilhados.Kaio me esperava n
POV ISAAs pessoas sempre diziam que amizades entre um casal recém-formado não funcionavam. Que o amor muda tudo, que a convivência transforma o que antes era leve em algo pesado.Mas, com Kaio, era diferente.Nós continuávamos melhores amigos.Ele ainda era o primeiro a ouvir meus desabafos e o último a soltar minha mão quando eu precisava de força.E, talvez, fosse justamente isso que tornava tudo tão intenso.Kaio não era o tipo de namorado que mandava flores ou escrevia bilhetes fofos. Ele não sabia lidar com gestos românticos, mas me protegia de um jeito que ninguém nunca fez. Bastava alguém me olhar torto que o semblante dele mudava. A expressão se tornava sombria, os olhos estreitavam, e ele parecia pronto para enfrentar o mundo por mim.E eu… eu o amava por isso.Por cada contradição, cada detalhe que só eu via.As pessoas comentavam — claro que comentavam.“O popular e a nerd.”“Ela nem combina com ele.”“Vai ser só uma fase.”Mas todas as vezes que ouvia algo assim, ele aper
POV ISA O silêncio no cinema era sufocante, mas o barulho que vinha de dentro de mim era ensurdecedor. As luzes se apagaram, a tela começou a brilhar e, mesmo assim, eu não conseguia pensar em nada além do beijo. Aquele beijo. Meu coração ainda batia acelerado, misturado à vergonha e à confusão. E o pior de tudo: o olhar de Giovanne. Ele tentou disfarçar, fingir que nada tinha acontecido, mas eu vi a decepção em seus olhos. A mesma decepção que eu já senti quando esperava algo de Kaio e não recebia. Renata se acomodou ao meu lado, cochichando alguma coisa sobre o filme, mas eu mal ouvi. Kaio estava duas fileiras à frente, o corpo rígido, os ombros tensos. Parecia que o beijo o deixara tão perdido quanto a mim. No meio do filme, eu tomei uma decisão. Chega de fugir. Levantei-me devagar e caminhei até o assento ao lado dele. Senti os olhares de alguns amigos, mas ignorei. Sentei e fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando reunir coragem. Ele não me olhou. Então, fi
A mensagem de Kaio ainda estava na tela do meu celular quando o sol começou a nascer. “Isa, preciso te ver amanhã. Só nós dois.” Fiquei olhando para aquelas palavras durante minutos, sem saber o que responder. Parte de mim queria dizer sim — correr até ele e pedir que dissesse tudo o que vinha engasgando há tanto tempo. Mas outra parte, mais orgulhosa e cansada, me dizia que não era o momento. Não depois de tudo o que ele fez, de todos os sinais trocados e mal interpretados. Acabei digitando: “Não posso. Já vamos nos ver no cinema com o pessoal.” Foi o jeito mais educado que encontrei de dizer “não”. O resto da noite foi um tormento. Eu pensava no que poderia ter acontecido se tivesse aceitado. Imaginava o que ele queria tanto me dizer. Mas o que mais doía era imaginar que talvez, dessa vez, ele estivesse realmente disposto a abrir o coração — e eu o impedi. No dia seguinte, me arrumei com o coração inquieto. Renata me esperava no portão, animada, como se aquele passeio f










Último capítulo