Mundo de ficçãoIniciar sessãoÀs vezes, a vida parece em preto e branco, sem motivos para sorrir ou sonhar. Foi assim que Lua se sentiu até cruzar o caminho de Eduardo Duarte Galvão um homem tão arrogante quanto irresistível, capaz de virar seu mundo de cabeça para baixo. Quando aceita trabalhar como secretária dele, jamais imaginou que acabaria recebendo a proposta mais inusitada — um casamento por contrato. Entre atritos, provocações e segredos, nasce uma convivência intensa, onde cada olhar pode ferir ou colorir. Agora, entre um contrato e emoções inesperadas, Lua descobrirá que até mesmo as cores imperfeitas podem compor a mais bela pintura, a do amor que surge onde menos se espera.
Ler mais— Visão de Lua Às vezes, eu paro no meio da casa — geralmente quando tudo está um caos absoluto — e penso:Se alguém tivesse me mostrado essa cena anos atrás, eu não teria acreditado.Sol corre pelo corredor com uma fantasia improvisada, metade princesa, metade astronauta. Ester está sentada no tapete, concentrada demais tentando encaixar peças que claramente não foram feitas para se encaixar. Alyce ri alto no sofá, o riso solto, saudável, aquele tipo de riso que só existe quando o corpo já não dói mais. E Victor… Victor está no chão, tentando acompanhar todos eles com passos ainda desajeitados, mas cheios de vontade.A casa é barulhenta.Desorganizada.Viva.E isso, hoje, é tudo o que importa.Eu lembro exatamente do dia em que pensei que não aguentaria mais. Do dia em que sentei no chão do banheiro, com Ester chorando no berço e Sol gritando porque queria pintar a parede de roxo “igual arco-íris de unicólio”, e eu só chorei. Chorei de cansaço, de medo, de insegurança, de amor dema
— Visão de Amber & HenryO milagre que ficouAmberO Natal sempre teve cheiro de promessa para mim.Mas naquele ano… tinha gosto de milagre cumprido.A casa estava cheia. Não cheia de coisas, mas de vida. Luzes piscavam na árvore montada na sala, um pouco torta porque Sol insistiu que “assim fica mais artística”. O cheiro de rabanada se misturava com o de comida fresca vindo da cozinha, onde Lua e Eduardo discutiam se ainda cabia mais gente naquela mesa.Eu estava sentada no sofá, com Victor dormindo no meu colo.Meu filho.Ainda pequeno, ainda delicado, mas finalmente ali. Em casa. Respirando sem ajuda, aquecido só pelo meu corpo e pelo amor que nos envolvia. Cada vez que o peito dele subia e descia, eu sentia vontade de chorar — não de medo, mas de gratidão.Alyce estava no tapete, montando um quebra-cabeça com Sol. O cabelo ainda curtinho por causa da quimioterapia, mas os olhos… os olhos estavam vivos, curiosos, brilhantes como nunca.— Mamãe — ela me chamou, sem tirar os olhos da
— Visão de Lua.Eu achei que, depois de tudo o que a gente viveu, organizar um batizado seria fácil.Ingênua.Muito ingênua.O batizado da Ester e do Victor tinha virado, na minha cabeça, mais do que um ritual religioso. Era um marco. Um símbolo silencioso de tudo o que quase perdemos… e de tudo o que ficou.Dois bebês. Duas histórias atravessadas pela dor. Duas vidas que sobreviveram quando nada parecia garantido.E, claro, eu queria que fosse perfeito.— Lua, você não acha que isso já está bom? — Eduardo perguntou, olhando a mesa da sala coberta de lembrancinhas, laços, convites e um bolo fake que eu ainda nem tinha decidido se ia usar.— Não — respondi automática. — Falta alguma coisa.— Sempre falta alguma coisa — ele murmurou, rindo.Ester estava no carrinho, balbuciando sons que pareciam reclamações formais contra a humanidade. Sol estava sentada no chão, com uma caixa de fitas douradas, completamente concentrada.O que, vindo da Sol, nunca é um bom sinal.— Sol… — chamei com cu
— Visão de Amber Eu pensei que estaria preparada.Mentira.A gente nunca está preparada para entrar naquele corredor sabendo que é a última vez. Porque o fim do medo também assusta. O corpo se acostuma a sobreviver. A lutar. A segurar a respiração. E quando dizem que acabou… algo dentro da gente demora para acreditar.Alyce segurava minha mão com força enquanto caminhávamos pelo hospital. Ela estava mais magra. O cabelo ralo, os cílios longos demais para um rosto tão pequeno. Mas os olhos… os olhos estavam vivos. Atentos. Curiosos.— Mamãe… — ela sussurrou. — Hoje é a última, né?Engoli em seco.— É, meu amor.Ela sorriu pequeno.— Então depois eu não vou mais precisar ser corajosa todo dia?Meu peito apertou de um jeito quase doloroso.— Não desse jeito — respondi. — Mas você já é corajosa pra sempre.Ela pensou um pouco, como só crianças que passaram pelo que não deveriam passam.— Então tá bom.Entramos na sala branca demais. Fria demais. Familiar demais. O cheiro de álcool aind
Último capítulo