Mundo de ficçãoIniciar sessãoo que começa como um encontro sem consequências muda tudo. Em uma festa longe de casa, Estela conhece Pedro. A atração é imediata, intensa e termina do jeito que encontros de uma noite costumam terminar: sem promessas, sem nomes, sem futuro. No dia seguinte, ela volta para sua cidade natal acreditando que aquilo ficou para trás. Mas não ficou. Pedro reaparece no pior cenário possível: ele é o filho do homem que vai se casar com a mãe de Estela. De uma noite anônima, eles passam a dividir o mesmo espaço, a mesma família prestes a se formar — e um sentimento que insiste em não desaparecer. Entre tentativas de fuga, negação e novos interesses amorosos, Estela e Pedro lutam contra algo que nunca pediram para sentir. Porque algumas conexões não surgem para durar — surgem para desestabilizar tudo. Um romance sobre desejo, culpa e a linha tênue entre o que se quer e o que não se pode escolher.
Ler maisEstela acordou mais tarde.O quarto estava silencioso. As camas ao lado vazias — Clara e Júlia não tinham voltado. O campus carregava aquele ar suspenso de fim de semana, como se o tempo tivesse diminuído o passo só para provocar quem não conseguia descansar.Ficou alguns minutos olhando para o teto.Não era descanso.Era suspensão.A cabeça não estava acelerada. Também não estava tranquila. Era um meio-termo desconfortável, como se algo estivesse prestes a acontecer — mas ainda não tivesse forma.Levantou antes que o pensamento ganhasse corpo.Fez café. Forte demais. Bebeu em pé, encostada na pia do pequeno espaço do dormitório. O celular estava sobre a mesa, virado para baixo. Ela não tinha esquecido dele. Só estava adiando.Virar o aparelho parecia simples demais para o peso que carregava.Quando finalmente o fez, a mensagem já estava ali.Pedro:A gente precisa conversar.Posso te buscar pra almoçar hoje?Curto. Direto. Sem rodeio. Sem ironia.Sem proteção.Estela leu uma vez. Dep
Eles voltaram para a boate separados.Não foi combinado.Foi instintivo.Estela entrou alguns minutos depois, atravessando o mesmo corredor de antes. A música era a mesma. As luzes também. O lugar seguia funcionando com a precisão de sempre — e isso a irritou um pouco. Como se nada ali tivesse o direito de continuar intacto depois do que tinha acontecido.Clara a viu de longe.— Tá tudo bem? — perguntou, já esperando a resposta pronta.— Tá — Estela disse.Dessa vez, a palavra demorou um pouco mais pra sair.Júlia observava em silêncio. Não perguntou nada. Apenas registrou. O jeito de Estela ocupar o espaço tinha mudado — menos rígido, menos blindado. Ainda controlado, mas diferente.Pedro estava perto do bar, conversando com Bruno. Falava pouco. Quando Estela entrou, ele não se virou de imediato. Continuou onde estava, como se respeitasse a distância recém-estabelecida.Era escolha.Não indiferença.Estela foi até o balcão e pediu água. Não bebida. Água.O copo gelado na mão ajudava
Estela saiu da boate porque precisava parar de ouvir.Não a música.As pessoas.Cada palavra dita lá dentro parecia querer rotular algo que nunca teve nome. Cada riso vinha com um significado embutido. Cada silêncio cobrava uma reação que ela ainda não sabia dar.Parou do lado de fora, encostando na parede fria. O peito subia e descia rápido demais. Não era choro. Era contenção atrasada.Demorou poucos segundos para sentir a presença dele.Pedro não disse nada ao chegar. Não tentou explicar. Não tocou. Ficou ali, como sempre ficava: perto o suficiente para importar, distante o bastante para não se comprometer cedo demais.Ela abriu os olhos e riu sem humor.— Engraçado — disse, sem olhar pra ele. — Você sempre espera eu sair pra vir atrás.Pedro franziu o cenho. — Eu vim porque…— Eu sei — ela interrompeu. — Você sempre vem. Só nunca é na hora.O silêncio entre eles não foi agressivo. Foi denso.Estela virou o rosto devagar. — Lá dentro todo mundo resolveu o que a gente é. O que a gen
Estela não tinha vindo por vontade, mas por decisão — tomada, revista e adiada ao longo da semana. Não era cansaço. Nem falta de vontade. Era aquela sensação incômoda de chegar antes da própria autorização, como se estivesse atravessando uma linha invisível que ela mesma tinha desenhado.A boate estava cheia demais para uma sexta comum. Luzes firmes, música ajustada no limite exato entre conversa e distração. Tudo funcionava — som limpo, bar organizado, gente bonita circulando como se aquele fosse o único lugar possível naquela noite.E isso só aumentava a sensação de estar fora do lugar.Clara a viu primeiro.— Até que enfim — disse, puxando-a pelo braço. — Achei que você tinha desistido.— Quase — Estela respondeu.O ambiente vibrava. Risadas altas. Copos tilintando. O grave constante no fundo do peito.Pedro estava perto do bar, conversando com Bruno. Camisa escura, postura alinhada, atenção dividida entre o que ouvia e o que supervisionava. Quando a viu, não sorriu de imediato.Ap





Último capítulo