Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaya foi assassinada no dia do seu casamento e ao chegar no paraíso não podia se lembrar de nada que aconteceu no dia da sua morte. Revoltada com tudo e com todos, ela consegue uma chance de voltar a vida. Porém para isso é necessário que ela seja acompamhada por um anjo por um ano. Ao conseguir voltar, ela também consegue reaver suas memórias e descobre que sua morte não foi um acidente. Acusada de desfalcar a empresa e fugir, Maya terá muitos desafios para provar sua inocência. Mas nenhum deles será tão complicado quanto a paixão inesperada pelo seu anjo da guarda.
Ler mais"Talvez… só talvez, você já tenha morrido inúmeras vezes por causa de palavras e atitudes de outras pessoas e nunca percebeu."
Era noite de sábado e Maya corria desesperada pela floresta. Tudo estava muito escuro — ela mal conseguia enxergar, exceto pelos breves clarões da lua que iluminavam partes do caminho. Alguém atrás dela dizia algo, mas as palavras eram confusas, distorcidas pelo medo. Ainda assim, Maya sabia: precisava correr o máximo que pudesse.
De repente, um tronco caído no meio do caminho foi seu obstáculo fatal. Ela tropeçou e caiu com força. A dor foi imediata e intensa. Maya não sabia se havia torcido ou quebrado o pé, mas tinha certeza de que aquilo prejudicaria sua fuga. Mesmo assim, tentou se levantar, mas gritou de dor ao apoiar o corpo. Ouviu, então, vozes ao longe:
— Veio de lá!
Assustada, ela começou a se arrastar pelo chão úmido e frio, determinada a se afastar daquele lugar. Depois de um grande esforço, cinco metros à frente de onde havia caído, um enorme penhasco surgiu diante de seus olhos. Maya, exausta e em lágrimas, soltou um sorriso sarcástico.
— Só pode ser brincadeira...
Foi então que viu silhuetas se aproximando. Em meio à claridade da lua e à penumbra da floresta, uma voz ecoou fria:
— Empurre-a aí mesmo. Vai ser melhor assim. Não precisaremos nos preocupar com o funeral.
O coração de Maya disparava. Ela chorava, e os pensamentos se atropelavam em sua mente. Como aquilo era possível? Será que não havia outra chance? Ia realmente acabar assim?
Mãos gélidas e sem calor tocaram seus ombros. Logo depois, ela não sentiu mais o chão sob os pés. Um calafrio percorreu todo o seu corpo. Estava caindo.
Naquele instante, um flash passou por sua mente: os momentos felizes com seus pais antes de falecerem, o primeiro dia na escola, as amigas que conquistou ao longo dos anos… E Geremy. Ele também apareceu — com aquele sorriso que iluminava seu mundo, com os olhos castanhos que brilhavam mais que qualquer diamante. Lembrou-se do pedido de namoro na ponte, do noivado...
Hoje era o dia do seu casamento.
Ela não podia acreditar. Era assim que tudo terminava?
Então, houve um grande estrondo.
E, de repente, tudo se apagou.
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PARTE II
Depois de um tempo, Maya acordou em um lugar completamente diferente. Era um jardim enorme, cheio de flores por todos os lados. Ela estava deitada no chão, rodeada por flores de todos os tipos, cores e formas. Maya se sentou e olhou em volta; não viu ninguém. Só flores, até onde os olhos podiam alcançar. Perto dela havia um banco branco. Ela se levantou e sentou ali, começando a chorar. Pensava em tudo o que tinha acontecido, tentava entender, mas não conseguia. Como a vida podia ser tão cruel com ela? Como aquilo tudo tinha acontecido? Ela se sentia perdida. Chorava dizendo que não merecia passar por tanta dor. Não conseguia entender como sua vida tinha dado aquela reviravolta. E o mais estranho: não se lembrava de nada que havia acontecido no dia em que morreu. Era como se aquele momento tivesse sido apagado da sua mente. Pediu ajuda, gritou por alguém, mas ninguém respondeu.
Foi então que se lembrou de Geremy. Ele deveria tê-la ajudado... Ele sempre foi o apoio dela nos momentos difíceis. Começou a lembrar dos momentos ao lado dele, em um jardim muito parecido com aquele: as brincadeiras, o pedido de namoro, o pedido de casamento, o noivado... Tudo voltava à sua mente. Lembrou também de Jenny, sua melhor amiga. Uma pessoa alegre, simples, mas sempre pronta pra ajudar. Jenny sempre esteve com ela, assim como Geremy, principalmente quando perdeu os pais. Maya não conseguia entender por que tudo aquilo tinha acontecido. Sentia que a vida estava sendo muito injusta.
— Isso é tão injusto! — gritou.
Nesse momento, em meio às flores, uma mulher apareceu. Era simples, sem nada que chamasse muita atenção. Ela perguntou por que Maya chorava. Maya respondeu, com a voz embargada:
— Minha vida foi injusta demais. Sempre tive coisas que eu nunca pedi, mas nunca consegui o que realmente queria. E quando tudo finalmente estava dando certo, fui tirada de tudo aquilo.
A mulher então perguntou:
— Você quer voltar?
— Sim! — respondeu Maya, sem pensar duas vezes. — Mil vezes sim! Eu fui arrancada da minha vida, de tudo o que eu tinha construído. Tudo o que eu mais quero agora é voltar e continuar de onde parei.
A mulher sorriu levemente e disse:
— Tudo bem. Tenho uma proposta pra você.
Depois de uma pausa, acrescentou:
— Você pode conseguir uma chance de voltar... Mas, para isso, serão necessárias três coisas.
Maya estremeceu — não pelo que poderiam ser essas três coisas, mas pelo fato de que havia uma chance de voltar. Seus olhos brilharam intensamente. Ver Geremy outra vez, poder se casar com ele, retomar os planos interrompidos por aquele destino cruel... Era tudo o que mais desejava. Sem pensar duas vezes, ela respondeu:
— Eu aceito. O que eu tenho que fazer?
A mulher a olhou, surpresa com a rapidez da resposta. Como ela podia aceitar sem sequer saber do que se tratava? Vendo a inquietação de Maya, completou:
— Calma aí, mocinha... Um passo de cada vez. Eu disse que há uma possibilidade de você voltar, não que isso vá, de fato, acontecer.
Maya não deu ouvidos. Estava determinada. Não importava o que fosse necessário — ela faria. Com firmeza, voltou a perguntar:
— O que eu tenho que fazer?
A mulher suspirou e então começou a explicar:
— Ninguém pode voltar sozinho. O caminho de volta é perigoso. Você precisará de um anjo para acompanhá-la e garantir que não se perca. Eu escolherei um anjo para essa missão. Aqui, serão apresentados três anjos, e você terá que descobrir qual deles foi designado para você. Se errar, não poderá voltar.
Antes que ela pudesse continuar, Maya a interrompeu:
— Certo. E se eu acertar? Quais são as outras duas coisas?
A mulher a olhou, admirada. Maya sequer cogitava a possibilidade de errar. Sua determinação era impressionante.
— Bom... Como você deve ter percebido, não se lembra do que aconteceu no dia da sua morte. Isso é uma regra do Paraíso. Mas assim que voltar, todas essas lembranças retornarão com você. Você saberá exatamente o que aconteceu naquele dia.
Maya sorriu com essa informação. Com o dinheiro e a influência que tinha, descobrir quem fez aquilo com ela era tudo o que precisava. Iria denunciá-los. Eles pagariam caro.
— E a terceira coisa? — perguntou, impaciente.
A mulher respirou fundo antes de responder:
— Você não poderá voltar. Uma vez que decida retornar à vida, essa decisão será irreversível.
Maya assentiu. Era tudo o que menos queria: estar ali. Aprumando o corpo e com um olhar destemido, afirmou:
— Eu aceito. Mas me diga... Eu me lembrarei deste momento? Deste acordo?
A mulher sorriu.
— Sim. Mas só por um ano. Tudo o que tiver que resolver, deve ser feito em até um ano. Porque, ao fim desse período, seu anjo será trazido de volta, e você não se lembrará de nada disso.
Maya arregalou os olhos.
— Espera... O anjo vai me acompanhar por um ano?
— Sim. Essa é a condição. Voltar exige sacrifícios. Se não aceitar, terá que permanecer aqui.
Maya pensou por um momento. Poderia dizer que ele era seu segurança. Rica como era, ninguém estranharia. Especialmente depois do que aconteceu. Mas... Geremy. Como explicaria a presença de outro homem sempre ao seu lado? Ele certamente ficaria enciumado, e brigas era tudo o que ela não queria.
Os pensamentos se atropelavam em sua mente, mas havia uma certeza inabalável: ficar sem Geremy doeria bem mais. Com o tempo, ele entenderia. Ela precisava voltar. Sua vida a esperava. Seu amor a esperava.
Sorriu com a ideia. Seu coração parecia querer saltar pela boca só de pensar em vê-lo de novo. Então olhou para a mulher e disse com firmeza:
— Tudo bem. Eu aceito.
A mulher assentiu com a cabeça, ergueu a mão direita e disse:
— Apareçam.
Um raio de luz surgiu no meio do jardim, iluminando tudo ao redor. E, de repente, três figuras masculinas se materializaram diante de Maya.
A mulher então se virou para ela e declarou:
— Agora é a sua vez. Qual deles eu escolhi para você?
Maya observou os três atentamente. Como poderia saber? Não havia pistas. Nenhuma lógica. Respirou fundo e pediu:
— Peça para que eles se apresentem, por favor.
A mulher assentiu. Nesse instante, o primeiro deu um passo à frente. Era alto, com cabelos loiros e ondulados, olhos azuis e um sorriso encantador. Olhando nos olhos de Maya, disse:
— Eu sou Atiel.
E voltou ao seu lugar.
O segundo deu um passo à frente. Um pouco mais baixo que o anterior, tinha cabelos pretos com leves cachos nas pontas e olhos claros, embora não tão azuis quanto os de Atiel. Sua expressão era séria, o olhar firme.
— Eu sou Muriel — disse, e recuou.
Por fim, o terceiro anjo se adiantou. Era alto, com uma presença marcante. Cabelos pretos lisos, sem um único cacho. Os olhos eram castanhos, penetrantes. Olhando diretamente para Maya, disse:
— Eu sou Lucas.
E voltou ao seu lugar.
Maya os observou mais uma vez. De repente, uma ideia surgiu. Sempre fora boa com nomes, conhecia o significado de muitos — e talvez isso a ajudasse. Pensou nas palavras da mulher: o caminho seria escuro e perigoso. Ela precisava de luz, precisava de alguém que a guiasse.
Sorriu.
Lucas. Significava "luminoso", "aquele que traz luz".
Era tudo o que ela precisava.
Com convicção, olhou para a mulher e afirmou:
— É o Lucas.
A mulher ficou incrédula. Como ela pôde acertar tão rápido? Ninguém jamais fizera isso antes. Com um olhar surpreso, disse:
— Muito bem... Parece que você realmente anseia por voltar. Acertou.
Fez uma pausa e, com um tom mais grave, acrescentou:
— Mas você tem certeza? Tem mesmo?
Maya assentiu, firme. Nunca teve tanta certeza de algo em toda a sua vida.
— Muito bem — disse a mulher. — Mas lembre-se: você não poderá voltar.
— Eu não vou querer voltar — respondeu Maya, com segurança.
A mulher fez um leve aceno com a cabeça, virou-se para Lucas e disse:
— Cuide bem dela.
Lucas fez um gesto de concentimento. No mesmo instante, um clarão tomou conta do jardim. Era tão forte que Maya teve que fechar os olhos. Não conseguia enxergar mais nada.
De repente, sentiu a mão de Lucas segurar a sua com firmeza. E ouviu sua voz:
— Se segure.
Um calafrio percorreu todo o seu corpo. Um sopro profundo escapou de seus lábios.
E então, Maya acordou.
“Às vezes, a vida te cobra atitudes; se você não as toma, ela te entrega consequências.”Na manhã seguinte, Maya acordou cedo e foi até a cozinha. Os olhos de Dadá brilharam e seu rosto se iluminou com um sorriso genuíno ao ver que ela havia voltado.— Que horas você chegou, menina? Eu não vi.— Já era tarde, Dadá. Não quis te acordar.Enquanto se explicava, duas mãos fortes a envolveram por trás. Assim que virou, lábios doces e gentis tocaram os seus e, afastando-se com um sorriso, ele disse:— Bom dia, namorada.Maya olhou para Dadá, que observava a cena, mas não demonstrava nenhum julgamento; muito pelo contrário, parecia aprovar a relação.— Bom dia — respondeu, voltando os olhos para o "anjo", que não parecia nem um pouco constrangido.— Você aprende rápido, hein? — Brincou.Lucas caminhou até Dadá e deu um beijo em seu rosto.— Bom dia pra você também.A senhora quase não se continha de alegria. Olhou para Maya e acrescentou:— Eu disse desde o início que gostava mais dele!Após
"Talvez o segredo para aproveitar o tempo seja aproveitá-lo ao invés de contá-lo."Passadas algumas horas, Lucas estava sentado na poltrona e Maya estava em seu colo com uma mão envolta em seu pescoço, acariciando uma pequena parte de seu cabelo que estava cortado rente à nuca.Suas mãos envolviam a cintura dela, e seu queixo repousava sobre seu ombro.O silêncio entre os dois era denso.Ambos estavam imersos em seus pensamentos, como se tentassem encontrar uma resposta onde não havia.Maya, em seu íntimo, tentava encontrar uma saída; a ideia de fingir que nada aconteceu era péssima e ela não aceitaria.— O que vamos fazer?Lucas respondeu sem hesitar:— Eu não sei.Maya se virou para ele:— Deve haver um jeito. Mas não dá pra fingir que nada aconteceu.Lucas sorriu de canto, numa tentativa de não contrariá-la, e abraçou-a com mais força.— Eu fui mandado para te proteger, para te ajudar. A gente tem um tempo determinado aqui.Maya voltou-se para ele.— Tá dizendo que não vai ficar co
Às vezes, o maior risco não é confessar um amor proibido, mas sufocá-lo."Algum tempo depois, os dois mal conseguiam se olhar.Maya não entendia exatamente o que havia acontecido, mas, em seu íntimo, temia uma nova punição.Lucas, por sua vez, se desculpou:— Eu não sei o que está acontecendo comigo. Me desculpa. Isso não vai mais se repetir.Maya tentou aparentar normalidade, mas por dentro sentia uma pontada, sabendo que algo tão bom talvez não se repetisse.Lucas fitou-a por um momento, ainda desconcertado, e disse:— Vamos... Acho que não tem mais ninguém por ali e assim os dois voltaram para o hotel.A noite pareceu mais longa do que todas as outras.Lucas tentava não pensar mais naquele beijo, mas as lembranças vinham com força, de forma constante.Maya, em seu quarto, pressionava o travesseiro contra o rosto toda vez que os pensamentos a invadiam — numa tentativa frustrada de silenciar a própria mente. Mas não adiantava.Assim que o dia amanheceu. Já era sábado.Maya foi até o
"A vida permite que você faça suas próprias escolhas, mas te obriga a arcar com as consequências de cada uma delas."Era 29 de maio, manhã de segunda-feira. Maya e Lucas embarcaram rumo a Londres em busca de respostas. Chegaram já à noite e se hospedaram em um hotel. O dia seguinte prometia ser intenso.— Acha que vai encontrar alguma pista? — perguntou Lucas.— Eu preciso encontrar — respondeu Maya com convicção.— Então é melhor descansar. Amanhã será um longo dia.— Eu prefiro que seja um grande dia — disse, em tom de expectativa.Na manhã seguinte, saíram cedo rumo ao banco. Ao chegarem, o atendente olhou Maya e disse:— Você não é a mesma mulher que abriu essa conta.Maya explicou a situação ao gerente, que foi compreensivo. Disse que poderiam, sim, localizar as imagens das câmeras de segurança, mas como já fazia tempo, isso levaria alguns dias. Pediu um prazo de uma semana. Maya aceitou.Ao deixarem o banco, Lucas perguntou:— E agora?— Agora a gente aproveita. Claro, né?Lucas
"Quando tentarem enterrar a sua verdade, lembre-se: você não é raiz para ficar presa à terra; é semente que sempre voltará a florescer."No salão, Geremy agradecia aos convidados pela presença. Jenny, ao seu lado, sorria. Ele dizia que aquele era um momento especial, falava sobre a união das famílias e como isso traria uma estabilidade única às empresas. Depois de várias palavras bonitas — de um discurso, obviamente, ensaiado. —Aplausos ecoaram no salão.Nesse momento, Maya entrou, de braços dados com Lucas, enquanto todos aplaudiam. Os aplausos cessaram imediatamente. Todos olhavam, incrédulos. Repórteres filmavam e fotografavam. Geremy perdeu a cor, enquanto Jenny empalideceu. Ambos olhavam para Maya, que sorria e cumprimentava a todos, como se nada estivesse acontecendo.Ao chegar perto do palco, Maya soltou o braço de Lucas, deu alguns aplausos lentos e, com um sorriso sarcástico, falou de forma compassada:— Pa-rá-bens...Geremy não sabia como reagir. Jenny também. Aquilo era imp
"A confiança começa quando você veste sua melhor versão."O dia amanheceu. Eram seis da manhã quando Maya bateu na porta de Lucas. Ela ia dizer que ele dormia demais, mas foi surpreendida ao ouvir de um dos empregados que ele já estava na cozinha. Foi até ele e disse:— Bom dia. Temos que sair.Lucas olhou com as sobrancelhas arqueadas e um leve hesitar no olhar.— Onde vamos?— Ao shopping. Você não tem cara de guarda-costas, tampouco de segurança. Precisamos mudar isso.Lucas se inquietou:— Eu me sinto muito bem assim.— Nem pensar — disse Maya. — Ninguém pode desconfiar de você. As pessoas me conhecem. A gente não pode levantar suspeitas. Você irá comigo a todos os lugares; terá que se comportar e se vestir à altura.Lucas olhou em volta, sem encontrar alternativa. Relutante, concordouTrês horas depois, estacionaram em um dos shoppings que faziam parte da rede de lojas de Maya. O shopping era enorme e contava com diversas lojas de vários departamentos.Maya levou Lucas primeiro à










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