Mundo ficciónIniciar sesiónElysa vive isolada em uma imensa biblioteca decadente, tentando fugir do legado sombrio de seu pai — um lorde do crime cruel e implacável. Seu refúgio silencioso desmorona quando encontra um homem ferido à beira da morte. Durante um mês, enquanto ele permanece em coma, Elysa despeja nele seus segredos, sem saber que estava plantando a semente de algo perigoso. Quando seu pai aparece de surpresa, ela mente: diz que o estranho é seu namorado. Ele acorda. Sem memórias. E acredita. O que começou como proteção vira obsessão — e a biblioteca que antes a protegia se transforma numa nova prisão.
Leer másTrês dias se passaram desde o ataque ao Éden. O ritmo no departamento havia se estabelecido em um novo normal, um frenesi constante de análise de evidências, relatórios e planejamento para o próximo movimento. A sala da força-tarefa era um caos organizado, com paredes cobertas por fotos, mapas e linhas de conexão coloridas. No centro de tudo, uma foto de Dante Rossi, seus olhos frios desafiando qualquer um que o encarasse.Eu estava diante desse quadro, os braços cruzados, imóvel. Meus olhos não estavam em Dante, mas vagavam sobre os nomes e locais, conectando mentalmente cada fio à única coisa que importava. Ela. Onde ela se encaixava nisso tudo? Onde estaria se escondendo?O cheiro de café velho e ar condicionado era o mesmo de sempre, mas agora parecia opressivo. O som das teclas sendo digitadas, dos sussurros dos agentes, tudo era um ruído de fundo insignificante. Eu estava lá, mas minha mente estava em outro lugar. Nas sombras de um chalé. Nos olhos violeta que me assombravam.—
A sala de interrogatório do FBI cheirava a café velho, desinfetante barato e medo. Marco, o gerente do Éden, estava sentado na cadeira de metal, as mãos algemadas à mesa. Seu terno caro estava amarrotado, e um fino suor brilhava em sua testa sob a luz crua do neon. Ele tentava manter uma pose de desafio, mas seus olhos, esbugalhados e cheios de pânico, traíam-no.Do outro lado da mesa, Érica Ryes observava em silêncio, seus dedos entrelaçados. Eu estava ao seu lado, encostado na parede, os braços cruzados. Minha presença ali não era apenas como consultor. Era uma mensagem. O rato que Dante subestimara agora observava seu mundo desmoronar, um elo de cada vez.— Marco — a voz de Érica era plana, cortante como um bisturi. — Seu clube era uma lavanderia. Seus livros contábeis são uma piada de mau gosto. Você está enfrentando uma sentença que vai durar mais que essa sua jaqueta de couro ridícula.— Não sei de nada — ele rosnou, a voz trêmula. — Só ger
O sol ainda não havia nascido quando a frota de veículos não identificados se posicionou em um raio de três quarteirões do Clube Éden. O ar noturno, antes vibrante com a batida abafada da música, agora estava parado, pesado com a iminência da violência. Dentro da van de comando, iluminada pelo brilho fantasmagórico das telas, eu observava. Cada canal de vídeo, cada comunicação por rádio, era um fio que eu puxava no tear do colapso.— Todos os pontos, reportem — a voz de Érica era um sopro eletrônico nos fones de ouvido.As confirmações vieram, uma após a outra, vozes tensas e profissionais. Posicionadas. Prontas.— Equipe Alfa, luz verde. Avançar.Na tela principal, a visão noturna de um capacete mostrou a porta da frente do clube. Dois homens encapuzados, vestidos de preto, se aproximaram com a fluência de predadores. A marreta atingiu a fechadura com um baque surdo e econômico que mal foi ouvido sobre a música. A porta se abriu como um
O centro de comando do FBI fervilhava com uma energia contida. Quando entrei, vestindo um colete à prova de balas sobre uma camisa que não me pertencia há uma eternidade, um silêncio repentino caiu sobre a sala cheia de monitores e mesas de operação. Então, veio o primeiro aplauso. Isolado se espalhando, até que dezenas dos meus antigos colegas estavam de pé, seus rostos marcados por um misto de alívio e respeito. Bateram nas mesas, acenaram. Um homem que julgavam morto, voltando das sombras. Eu acenei com a cabeça, um gesto seco, mas o calor da recepção não penetrou o gelo que carregava dentro de mim. — Carter! — uma voz cortou o barulho. Isabelle se abriu caminho através da multidão e me puxou em um abraço rápido e forte. — Não acreditei até te ver. — Acredite — murmurei em seu ouvido, antes de me soltar. Meus olhos já vasculhavam a sala, analisando, avaliando. O burburinho morreu instantaneamente quando Érica Ryes subiu
A luz do entardecer entrava em faixas poeirentas pela janela da sala. O ar na casa estava parado, pesado com a antecipação do que estava por vir. Então, a campainha tocou. Não o tom suave para visitas, mas uma sequência de dois toques curtos e um longo.Dan abriu a porta, e Érica Ryes entrou como uma lâmina. Vestia um terno cinza impecável que gritava autoridade, seus cabelos grisalhos presos em um coque severo. Seus olhos, da cor de granito, varreram a sala, pousando em cada rosto como um general avaliando suas tropas antes da batalha.— Emily. Dan. Ryan — cumprimentou, com um aceno curto para cada um. Seu olhar, porém, demorou-se em mim. — Você parece… diferente.— Acontecem coisas quando você é sequestrado por um império criminoso — respondi, mantendo a voz neutra.Ela não sorriu. — A Operação Fênix foi aprovada. Começamos ao anoitecer. Mas há uma decisão crítica a ser tomada. Com você. — Ela cruzou os braços. — Você volta? Ofici
Desliguei a chamada e arranquei os fones de ouvido, como se eles queimassem. Eu havia acionado o aparato policial contra o homem que era, tecnicamente, meu sogro. Tudo por uma mulher que me rejeitara.Ao sair do quarto, encontrei Astéria no corredor, encostada na parede, seus braços cruzados. Seus olhos, tão parecidos com os de Elysa, mas sem a mesma profundidade dilacerante, me observaram.— Então é verdade — ela disse, sua voz um sussurro baixo. — Você vai derrubar meu pai.— Silas te contou? — perguntei, sem surpresa.— Ele não precisou. — ela respondeu, um fio de amargura em sua voz. — Elysa me mandou ficar aqui. Para te proteger. Ela achou que você estaria seguro longe de tudo isso. — Ela soltou uma risada curta e sem humor. — Ela subestimou você. E a sua… determinação.Eu me aproximei dela, o coração batendo forte.— E você, Astéria? — perguntei, minha voz baixa, mas carregada de intenção. — Você vai ajudar? Você vai ficar





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