Capítulo 9: Castelo de cartas.

A água quente do banho lavara a sujeira e o sangue, mas não o peso do que acontecera lá fora. Agora, na cozinha iluminada por uma lâmpada fraca, o ar ainda cheirava a desinfetante e tensão. Eu aplicava um antisséptico num corte raso no braço de Leo – provavelmente de estilhaços de madeira ao arrombar a porta – com mãos que teimavam em tremer. Ele estava sentado numa cadeira, torso nu, apenas uma toalha amarrada na cintura, observando cada movimento meu com aqueles olhos vermelhos que pareciam

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