O quarto cheirava a flores murchas e a algo mais doce, mais pesado, que ficava no fundo da garganta. A luz do fim de tarde entrava em ângulo pelo vitral, iluminando o pó que dançava sobre a cama de dossel. Sobre ela, Dante repousava.
Eu havia arranjado flores frescas no criado-mudo. Gardênias, suas favoritas. Sentei-me na poltrona de veludo ao lado da cama, dobrando as pernas sob o corpo.
— Eles estão inquietos, pai — disse, minha voz soando anormalmente clara no ambiente opressivo. — O Shoji tenta ser forte, mas ele é apenas um menino. Os outros também. Você deveria vê-los.
Virei-me para ele. O perfil dele estava virado para mim. A pele, outrora pálida e poderosa, agora tinha uma tonalidade acinzentada e cerosa nas maçãs do rosto. No pescoço, justamente onde a gravata de seda que eu cuidadosamente arranjara encontrava a linha do maxilar, a pele havia cedido. Um movimento sutil, quase gracioso, acontecia lá. Minúsculas e pálidas, as larvas se contorciam em seu banquete silencioso, mer