A sala de interrogatório era um cubículo frio, iluminado por uma luz fluorescente que zumbia como um inseto preso. O capanga de Dante — um homem baixo e musculoso chamado Marco, com o rosto marcado por uma cicatriz que lhe cortava o lábio — estava acorrentado à mesa. Seus olhos, pretos e redondos como azeitonas, saltavam entre mim e Kate, que entrara com uma serenidade perturbadora.
Sem uma palavra, Kate foi até o canto da sala, onde uma pequena câmera com uma luz vermelha piscava. Esticou o braço, seus dedos longos encontraram um botão quase invisível na parede, e pressionou-o. A luz vermelha morreu.
— Agora podemos conversar — disse Kate, sua voz tão suave quanto o deslizar de uma faca na bainha. Ele puxou uma cadeira e sentou-se de frente para Marco, mas de lado para mim, um observador privilegiado. — O senhor Dante não está aqui para protegê-lo, Marco. O Éden caiu. Você é um elo solto.
— Não falo nada — rosnou Marco, cuspindo as palavras. — S