(semanas antes)
A cova era um corte escuro e úmido na terra fresca da colina. Um ferimento aberto na face do mundo. De pé à sua borda, eu segurava a pá com uma mão que não tremia, mas que parecia feita de chumbo. O caixão de carvalho, simples e digno, repousava no fundo. Dentro dele, Lorenzo. Dentro de mim, um deserto.
Shoji estava ao meu lado, seu perfil uma linha dura contra o céu acinzentado. Ravish, Rei e Jasper estavam atrás de nós, um semicírculo silencioso de jovens com idades demais para seus anos. A ausência de Lorenzo era uma presença física, um peso que nos mantinha enraizados naquele solo sagrado e amaldiçoado.
Minha avó, Lyra, entoou uma cantiga em uma língua que não entendia. As palavras soavam antigas, eram uma colagem de sons suaves e guturais que se entrelaçavam com o sussurro do vento nas árvores. Era um som de despedida, de bênção, de retorno à terra. Um som que deveria desatar lágrimas.
Mas as minhas não vieram.
Eu as sentia, um mar salgado e pesado preso atrá