Mundo de ficçãoIniciar sessãoEle é o homem mais temido do império financeiro, e ela é o único erro que ele nunca conseguiu apagar.Lorenzo Castellani é um CEO bilionário, conhecido por ser frio, calculista e dono de um olhar capaz de fazer qualquer um se ajoelhar - menos ela.Zara Nox, uma mulher que fugiu do passado e esconde mais segredos do que o próprio Lorenzo imagina, volta à cidade quando é contratada para trabalhar na empresa dele.O reencontro é inevitável. O que era para ser apenas profissional rapidamente se transforma em uma guerra de poder e desejo, onde cada toque é uma ameaça, e cada olhar é uma lembrança proibida.Entre contratos, escândalos e traições corporativas, Zara descobre que Lorenzo guarda um segredo capaz de destruir os dois - e que o amor, quando nasce em meio ao poder, pode ser o perigo mais letal de todos.Porque às vezes, o que te destrói... é exatamente o que você não consegue abandonar.
Ler maisZara Nox
Era 28 de fevereiro de 2022, o dia do meu aniversário de dezoito anos... e o dia da minha expulsão do internato.
Ironia do destino, talvez.
As mensalidades venciam hoje e, segundo as rígidas regras do colégio, eu não poderia ficar nem mais um minuto ali. Era como se estivessem contando os segundos para me ver partir.
Não havia amigas me esperando para se despedir. Nenhum abraço, nenhuma lágrima de saudade. Só o eco dos meus próprios passos nos corredores frios e aquele cheiro de desinfetante que parecia grudar na alma.
Nada me prendia àquele mausoléu de paredes cinzentas - e, para ser sincera, a diretora devia estar comemorando por me ver ir embora.
Não eram nem nove da manhã e minha mochila já estava pronta, com as mesmas roupas que recebi por doação durante os anos. Um punhado de lembranças trancadas num zíper.
Peguei o pouco que me pertencia e fui para a sala da diretora. Ela me esperava sentada atrás da mesa, como sempre, com a postura impecável e o olhar distante.
Quando entrei, ela ergueu os olhos do papel que assinava e foi direto ao ponto, sem rodeios.
- Nesse envelope está tudo que te pertence, Zara. - A voz dela saiu fria, mas havia algo estranho... um traço de arrependimento. - Me perdoe se fui muito rígida com você. Espero, de verdade, que tenha um futuro melhor.
Ela estendeu o envelope sobre a mesa.
- Aí dentro tem um celular já formatado, as chaves de um apartamento, algum dinheiro, seus documentos, e o acesso a uma conta bancária em seu nome - explicou. - Também há sua carta de aceitação na faculdade. Creio que suas aulas começam no início de março.
Fiquei alguns segundos em silêncio, tentando assimilar cada palavra.
Um apartamento? Faculdade paga?
Era como se alguém tivesse decidido, do nada, reescrever o meu destino.
- Como assim? - perguntei, franzindo o cenho. - Quem mandou isso?
Ela respirou fundo, como quem tem medo de dizer algo errado.
- Não me pergunte, Zara. Eu apenas recebi ordens. Não sei quem foi - se sua família, algum benfeitor, ou... qualquer outra pessoa. Só me pediram que entregasse. Agora vá, o táxi já chegou.
Peguei o envelope, sem dizer nada.
A diretora abaixou os olhos, evitando me encarar, como se também sentisse culpa por algo. Mas não importava mais. Eu só queria ir embora dali.
Saí pelos portões do internato pela última vez.
O céu estava nublado, e o vento frio da manhã cortava meu rosto. Entrei no táxi e entreguei o papel com o endereço ao motorista.
- Midtown, hein? Lugar chique. - Ele comentou, ajeitando o espelho. - É longe. Vai demorar umas quatro horas.
Apenas assenti.
O carro arrancou e, enquanto a estrada se estendia à frente, olhei pela janela.
As árvores passavam rápido, borradas pelo vento, e uma sensação de vazio se instalava no peito.
Dezoito anos. Nenhuma família. Nenhum passado. Só um futuro misterioso embalado num envelope.
Abri o lacre com cuidado e comecei a olhar o conteúdo: um celular novinho, documentos, chaves e uma folha impressa com o logotipo de uma faculdade. Meu nome em letras grandes.
Por um instante, senti uma pontada no peito - um misto de medo e esperança.
Quem teria feito isso por mim?
O caminho foi longo. Dormi, acordei, dormi de novo. Quando o táxi finalmente parou, o motorista virou-se com um sorriso cansado.
- Chegamos, senhorita.
Paguei a corrida com o dinheiro vivo que estava no envelope e desci.
O prédio à minha frente era alto e moderno, com janelas de vidro que refletiam o céu.
Um porteiro uniformizado me observava do hall.
- Boa tarde, senhorita Nox? - perguntou com um sorriso gentil. - Estávamos esperando por você.
Estávamos? Quem mais sabia da minha chegada?
Engoli em seco e apenas murmurei:
- Sim... sou eu.
- Seu apartamento é no último andar, número 290. - Ele disse, estendendo o crachá temporário. - Qualquer coisa, meu nome é Juca.
- Obrigada, Juca. - murmurei, entrando no elevador ainda tentando entender absolutamente nada do que estava acontecendo.
O som do elevador subindo parecia acompanhar a batida do meu coração.
"Último andar."
As portas se abriram e me deparei com uma única porta no corredor: 290.
Meu apartamento.
Zara NoxO hall do prédio estava silencioso, iluminado apenas pelas luzes amareladas que refletiam no mármore do chão. O som dos meus saltos ecoava, misturando-se ao barulho distante da cidade lá fora. Eu estava nervosa - eufórica, talvez - o coração batendo rápido demais dentro do peito.Quando vi o carro preto de Lorenzo estacionando, nem pensei.Corri.O vento frio da noite bateu no meu rosto enquanto eu atravessava o estacionamento, e assim que ele desceu do carro, nem esperei que dissesse nada. Eu simplesmente me joguei nos braços dele.- Lorenzo! - gritei, rindo, e ele me segurou no ar, me girando uma vez.Senti o cheiro familiar do perfume dele, o toque quente das mãos em minha cintura. O abraço dele era um lar que eu não sabia que procurava.- Meu Deus, Zara... - ele murmurou, ainda me abraçando forte. - Eu sonhei tanto com esse momento. Um mês inteiro e cada dia parecia um ano.- Um mês de flores, chocolates e saudade. - Brinquei, olhando pra ele. - Eu já ia começar a achar q
Zara NoxO espelho refletia meu nervosismo. A cada movimento da escova nos cabelos, eu sentia o estômago dar voltas. Era estranho - fazia dias que eu esperava esse encontro com o Lorenzo, mas, naquele instante, o som da campainha me fez pular de susto.- Pode deixar que eu atendo, termina de se arrumar. - Liz gritou do corredor, apressada, indo até a porta.Assenti, respirando fundo. Tentei me concentrar, ajeitando o vestido simples de tecido leve, mas a curiosidade começou a tomar conta. Liz não voltava. O tempo parecia arrastar-se, o silêncio ficando pesado demais.Quando finalmente saí do quarto, o ar na sala era outro - denso, tenso, quase sufocante. Parei na porta, observando a cena à minha frente.Liz estava imóvel, de frente para Rômulo.E ele... meu Deus, ele parecia o retrato do arrependimento. Olheiras profundas, barba por fazer, a pele pálida e os olhos inchados, vermelhos, como se o mundo inteiro tivesse desabado sobre ele.- Liz, por favor... precisamos conversar. - A voz
Zara NoxOs dias passaram devagar, como se o tempo se recusasse a andar sem Lorenzo por perto.A casa parecia grande demais, a cama fria demais, o silêncio, alto demais.Ele havia dito que a viagem duraria uma semana.Mas uma semana se transformou em duas.Depois em três.E agora, um mês inteiro.Mesmo longe, Lorenzo dava um jeito de estar presente.Toda manhã, pontualmente às oito, o interfone tocava.E lá estava o entregador com um buquê diferente e uma caixa de chocolates artesanais.Cada dia, uma flor, um recado, uma forma de dizer "estou pensando em você" - e, de algum modo, o perfume das rosas preenchia o vazio que ele deixava.A primeira vez que o buquê chegou, eu chorei.Não de tristeza, mas de uma saudade boa, daquelas que doem e aquecem ao mesmo tempo.Naquele dia, a mensagem dizia:> "Um mês pode parecer muito, mas é o tempo que preciso pra garantir um futuro onde você esteja."- L.C.Guardei o bilhete na gaveta do criado-mudo, junto com os outros que vieram depois.Cada um
Zara NoxO apartamento estava em silêncio.Lá fora, o céu carregava um tom dourado, e o som distante da cidade chegava como um sussurro abafado.Desde que Lorenzo viajara, tudo parecia mais lento, mais frio.Até o café tinha perdido o sabor.Liz estava comigo, sentada no sofá, enrolada numa manta xadrez.Os olhos ainda traziam o cansaço das lágrimas, mas ela tentava sorrir.Eu admirei a força dela - e a forma como, mesmo machucada, ainda acreditava no amor.- Ele vai voltar pra mim, Zara? - perguntou baixinho, mexendo na caneca de chá.- Vai. - respondi com firmeza. - Mas primeiro ele precisa entender o que perdeu.Ela riu, fraco.- Você fala como se entendesse disso.- Entendo mais do que queria. - suspirei. - Quando Lorenzo me olha, parece que o mundo inteiro para. E, ainda assim, eu morro de medo de dar o próximo passo.Liz ergueu o olhar, curiosa.- Você tá falando da... primeira vez?Assenti, sentindo o rosto corar.Era estranho falar disso, mas ao mesmo tempo libertador.- É, da
Zara NoxO amanhecer em Nova York sempre tem algo de poético.As luzes da cidade se apagam lentamente, dando espaço ao brilho frio do sol que tenta se impor entre os arranha-céus.Acordei cedo, com o coração leve - Lorenzo voltara de uma sequência de reuniões longas e finalmente teríamos uma manhã juntos.Passei um tempo olhando para o pequeno embrulho sobre a mesa da cozinha.Um presente simples, mas cheio de significado.A corrente de prata com uma cruz minimalista tinha me chamado atenção em uma loja perto da faculdade - discreta, mas forte.Como ele.Dobrei o papel cuidadosamente, coloquei o laço e respirei fundo.- Hoje é o dia certo, pensei, sorrindo sozinha.Quando cheguei à empresa, ele já estava na sala, debruçado sobre alguns relatórios.O cabelo um pouco bagunçado, a gravata solta, e aquele olhar concentrado que sempre me fazia perder o ar.Bati na porta, e ele levantou o rosto - o sorriso veio rápido, natural, como se o dia tivesse ganhado cor.- Senhorita Nox... - disse,
RômuloA luz do sol atravessava a cortina de forma incômoda, como se me chamasse de volta à realidade. Senti a cabeça latejar, pesada, e o gosto amargo na boca denunciava o álcool da noite anterior. Tudo estava confuso. Lembranças se embaralhavam como flashes distorcidos - risadas, música alta, o som de copos tilintando... e depois, nada.O travesseiro ao meu lado se mexeu.Meu corpo gelou.Virei o rosto devagar, com o coração batendo forte, e o que vi me fez perder o ar.Alessia estava ali.Deitada, nua, o lençol branco parcialmente cobrindo o corpo.Meu estômago se revirou.Levantei num pulo, tropeçando no tapete, o coração disparado.- O que... o que é isso? - minha voz saiu trêmula, rouca. - O que você tá fazendo aqui, Alessia?!Ela abriu os olhos com um sorrisinho ensaiado, preguiçoso, e se esticou como se nada estivesse errado.- Ué, bom dia pra você também. - respondeu, com aquele tom irritantemente calmo. - Ontem à noite foi... incrível.- O quê?! - gritei, quase sem acreditar





Último capítulo