ENTREGUE AO CHEFE DA MÁFIA

ENTREGUE AO CHEFE DA MÁFIAPT

Máfia
Última atualização: 2026-01-15
DANI VENCES  Atualizado agora
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Ele recusou comprá-la. Mas quando o pior monstro aceitou, Dante Moretti decidiu que ela seria dele — custe o que custar. Uma dívida. Uma oferta sangrenta. Uma criança que o mundo acredita morta. Entre ódio, segredos e uma atração proibida, Emma descobre que o verdadeiro perigo não é ser prisioneira... É se apaixonar pelo monstro que a salvou. Dark romance +18 | Obsessão | Segredos mortais | Sem escapatória.

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Capítulo 1

Capítulo 01

EMMA

Olhei para o relógio: duas da madrugada. Eu sabia que não devia sair, que correr atrás do meu pai era idiotice, mas o medo me arrastava como uma corrente. Peguei a bolsa, os dedos tremendo enquanto agarrava a arma de choque — o único poder que eu tinha nessa cidade que pertencia a ele.

Dante Moretti.

O ar gelado da noite me acertou como um tapa, mas o silêncio das ruas era pior: um aviso de que o mal acordava quando o resto dormia. Minha mãe costumava dizer que nossa cidade dormia de dia e vivia à noite. Verdade. E o mal era o dono de tudo aqui.

O neon vermelho do Eclipse piscava como um coração moribundo. Boate na frente, cassino clandestino nos fundos. Todo mundo sabia. Ninguém falava. Meu pai sumira de novo, e o silêncio da casa gritava que ele estava lá, afundando mais fundo no buraco que cavava há anos. Eu precisava tirá-lo antes que fosse tarde demais.

Passei pela segurança com um aceno rápido, coração na garganta, música eletrônica martelando como um pulso acelerado. O ar dentro era grosso: perfume barato, cigarro, suor e algo azedo que revirava o estômago. Atravessei a pista lotada, desviando olhares famintos, até a cortina preta nos fundos. O segurança me mediu de cima a baixo  devagar demais. Murmurei algo sobre “recado urgente” e ele me deixou passar, com um sorriso que dizia que eu era carne fresca.

O corredor estreito cheirava a mofo e uísque. No final, a sala fraca: lâmpada solitária jogando sombras deformadas nas mesas de carteado vazias. Meu pai encostado na parede, suor escorrendo, camisa manchada. Ele não me viu. Estava ocupado implorando para o homem à mesa.

Dante Moretti.

Congelei atrás da cortina, sangue gelando. Todo mundo conhecia o nome. O dono das sombras. Terno preto impecável, copo de uísque na mão grande, cicatriz profunda cortando o rosto da sobrancelha à mandíbula  uma marca que parecia feita por ódio puro. Seus olhos escuros brilhavam frios sob a luz baixa, como lâminas esperando sangue.

— Eu não tenho o dinheiro agora, Dante — a voz do meu pai tremia, patética. — Mas... posso oferecer algo melhor. Algo que vale mais.

O ar sumiu dos meus pulmões. Ele gesticulou para o vazio, como se eu estivesse ali.

— Minha filha. Jovem, bonita... pode trabalhar para você. Fazer o que quiser. Só me dê mais tempo.

O chão evaporou. Mão na boca abafando o grito. Ele me vendia? Como uma ficha? Meu estômago revirou, bile subindo. Quis correr, gritar, mas as pernas travaram.

Dante se inclinou para frente, copo batendo na mesa com um clique seco. Por um segundo achei que riria. Em vez disso, sua voz saiu grave, carregada de desprezo gelado.

— Não. Eu não negocio com carne. Se não tem meu dinheiro, Almeida, arrume. Eu te mataria agora por essa proposta imunda, se sua dívida não fosse tão grande.

Alívio misturado com nojo. Ele recusava  mas como se eu fosse lixo que ele não queria sujar as mãos. Meu pai não valia nada. E aquele homem... aquele predador com cicatriz que gritava violência... se colocava acima de tudo. Pior que o verme do meu pai. Um rei cruel manipulando vidas.

Repulsa queimou no peito, quente e amarga.

— Levante-se — ordenou Dante, acendendo um charuto devagar, fumaça subindo como serpente. — E não me faça repetir.

Meu pai obedeceu como cão, mas Dante se aproximou. Soco rápido no rosto dele,  som de osso contra osso. Meu pai desabou, desacordado.

O choque me arrancou do esconderijo.

— Chega! Vou levar meu pai embora! — voz firme, apesar das mãos tremendo.

Dante virou. Olhar dele me acertou como corrente elétrica. Pesado. Devorador. Seus olhos negros percorreram meu rosto, desceram pelo corpo  devagar, possessivos, como se catalogasse cada curva, cada respiração acelerada. A cicatriz pulsava sob a luz, tornando-o ainda mais perigoso. Ele agarrou meu braço. Dedos quentes, firmes, apertando com força controlada. Pele contra pele  choque que subiu pelo meu braço, direto para o peito.

— Como ousa? — rosnou baixo, perto demais. Hálito com uísque e charuto invadiu meu espaço. Corpo dele emanava calor, poder cru. Senti o músculo do braço dele tenso sob o terno, o peito largo subindo e descendo. Por um segundo, o ar entre nós crepitou  raiva, medo, e algo escuro que eu não queria nomear.

Seus olhos se fixaram nos meus. Intensos. Como se me desafiasse a recuar. Não recuei.

Um capanga se aproximou.

— É a filha dele, Dante. Deixe-a levar o velho. Já demos o recado.

Dante me encarou mais alguns segundos eternos. Aperto afrouxou devagar dedos deslizando pela minha pele como se relutasse em soltar. Pele arrepiando onde ele tocara.

— Sorte sua que estou de bom humor hoje — voz cortante, mas baixa, quase íntima. — Leve esse verme. E se ouviu a proposta... saiba que ele não merece seu sangue. Você estaria mais segura sem ele.

Soltou. Voltou para a mesa como se eu não existisse. Mas enquanto o capanga arrastava meu pai, senti os olhos dele cravados em mim  queimando minhas costas, possessivos, famintos. 

Saí carregando o peso do meu pai e uma raiva nova  misturada com algo perigoso que latejava baixo na barriga. E por algum motivo eu soube que algo mudou ali.

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