Mundo de ficçãoIniciar sessãoEle recusou comprá-la. Mas quando o pior monstro aceitou, Dante Moretti decidiu que ela seria dele — custe o que custar. Uma dívida. Uma oferta sangrenta. Uma criança que o mundo acredita morta. Entre ódio, segredos e uma atração proibida, Emma descobre que o verdadeiro perigo não é ser prisioneira... É se apaixonar pelo monstro que a salvou. Dark romance +18 | Obsessão | Segredos mortais | Sem escapatória.
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Olhei para o relógio: duas da madrugada. Eu sabia que não devia sair, que correr atrás do meu pai era idiotice, mas o medo me arrastava como uma corrente. Peguei a bolsa, os dedos tremendo enquanto agarrava a arma de choque — o único poder que eu tinha nessa cidade que pertencia a ele.Dante Moretti.
O ar gelado da noite me acertou como um tapa, mas o silêncio das ruas era pior: um aviso de que o mal acordava quando o resto dormia. Minha mãe costumava dizer que nossa cidade dormia de dia e vivia à noite. Verdade. E o mal era o dono de tudo aqui.
O neon vermelho do Eclipse piscava como um coração moribundo. Boate na frente, cassino clandestino nos fundos. Todo mundo sabia. Ninguém falava. Meu pai sumira de novo, e o silêncio da casa gritava que ele estava lá, afundando mais fundo no buraco que cavava há anos. Eu precisava tirá-lo antes que fosse tarde demais.
Passei pela segurança com um aceno rápido, coração na garganta, música eletrônica martelando como um pulso acelerado. O ar dentro era grosso: perfume barato, cigarro, suor e algo azedo que revirava o estômago. Atravessei a pista lotada, desviando olhares famintos, até a cortina preta nos fundos. O segurança me mediu de cima a baixo devagar demais. Murmurei algo sobre “recado urgente” e ele me deixou passar, com um sorriso que dizia que eu era carne fresca.
O corredor estreito cheirava a mofo e uísque. No final, a sala fraca: lâmpada solitária jogando sombras deformadas nas mesas de carteado vazias. Meu pai encostado na parede, suor escorrendo, camisa manchada. Ele não me viu. Estava ocupado implorando para o homem à mesa.
Dante Moretti.
Congelei atrás da cortina, sangue gelando. Todo mundo conhecia o nome. O dono das sombras. Terno preto impecável, copo de uísque na mão grande, cicatriz profunda cortando o rosto da sobrancelha à mandíbula uma marca que parecia feita por ódio puro. Seus olhos escuros brilhavam frios sob a luz baixa, como lâminas esperando sangue.
— Eu não tenho o dinheiro agora, Dante — a voz do meu pai tremia, patética. — Mas... posso oferecer algo melhor. Algo que vale mais.
O ar sumiu dos meus pulmões. Ele gesticulou para o vazio, como se eu estivesse ali.
— Minha filha. Jovem, bonita... pode trabalhar para você. Fazer o que quiser. Só me dê mais tempo.
O chão evaporou. Mão na boca abafando o grito. Ele me vendia? Como uma ficha? Meu estômago revirou, bile subindo. Quis correr, gritar, mas as pernas travaram.
Dante se inclinou para frente, copo batendo na mesa com um clique seco. Por um segundo achei que riria. Em vez disso, sua voz saiu grave, carregada de desprezo gelado.
— Não. Eu não negocio com carne. Se não tem meu dinheiro, Almeida, arrume. Eu te mataria agora por essa proposta imunda, se sua dívida não fosse tão grande.
Alívio misturado com nojo. Ele recusava mas como se eu fosse lixo que ele não queria sujar as mãos. Meu pai não valia nada. E aquele homem... aquele predador com cicatriz que gritava violência... se colocava acima de tudo. Pior que o verme do meu pai. Um rei cruel manipulando vidas.
Repulsa queimou no peito, quente e amarga.
— Levante-se — ordenou Dante, acendendo um charuto devagar, fumaça subindo como serpente. — E não me faça repetir.
Meu pai obedeceu como cão, mas Dante se aproximou. Soco rápido no rosto dele, som de osso contra osso. Meu pai desabou, desacordado.
O choque me arrancou do esconderijo.
— Chega! Vou levar meu pai embora! — voz firme, apesar das mãos tremendo.
Dante virou. Olhar dele me acertou como corrente elétrica. Pesado. Devorador. Seus olhos negros percorreram meu rosto, desceram pelo corpo devagar, possessivos, como se catalogasse cada curva, cada respiração acelerada. A cicatriz pulsava sob a luz, tornando-o ainda mais perigoso. Ele agarrou meu braço. Dedos quentes, firmes, apertando com força controlada. Pele contra pele choque que subiu pelo meu braço, direto para o peito.
— Como ousa? — rosnou baixo, perto demais. Hálito com uísque e charuto invadiu meu espaço. Corpo dele emanava calor, poder cru. Senti o músculo do braço dele tenso sob o terno, o peito largo subindo e descendo. Por um segundo, o ar entre nós crepitou raiva, medo, e algo escuro que eu não queria nomear.
Seus olhos se fixaram nos meus. Intensos. Como se me desafiasse a recuar. Não recuei.
Um capanga se aproximou.
— É a filha dele, Dante. Deixe-a levar o velho. Já demos o recado.
Dante me encarou mais alguns segundos eternos. Aperto afrouxou devagar dedos deslizando pela minha pele como se relutasse em soltar. Pele arrepiando onde ele tocara.
— Sorte sua que estou de bom humor hoje — voz cortante, mas baixa, quase íntima. — Leve esse verme. E se ouviu a proposta... saiba que ele não merece seu sangue. Você estaria mais segura sem ele.
Soltou. Voltou para a mesa como se eu não existisse. Mas enquanto o capanga arrastava meu pai, senti os olhos dele cravados em mim queimando minhas costas, possessivos, famintos.
Saí carregando o peso do meu pai e uma raiva nova misturada com algo perigoso que latejava baixo na barriga. E por algum motivo eu soube que algo mudou ali.
EmmaA luz do fim da tarde filtrava-se pelas cortinas do meu quarto, tingindo o chão de madeira com tons dourados, mas eu mal notava. Meu coração batia acelerado desde que Maria batera à porta, minutos atrás, com a mensagem que eu temia: Dante queria jantar comigo novamente. Depois daquela noite no meu quarto — o rasgar do vestido, o medo que ainda me fazia tremer —, eu evitara qualquer contato com ele. Mas agora, ele me chamava de volta, e a ideia de enfrentá-lo novamente me deixava tensa, dividida entre o receio e uma curiosidade que eu odiava admitir. O que ele queria? Um pedido de desculpas? Outro confronto? Ou algo pior?Olhei para o armário, hesitando. Minha primeira escolha fora um vestido, mas a lembrança da alça rasgada me fizera recuar. Não queria nada que pudesse atrair aquele olhar faminto outra vez. Optei por um jeans simples e uma blusa longa de mangas compridas, de tecido leve, mas que cobria o suficiente para me fazer sentir protegida. Era uma armadura frágil, mas era
DanteA culpa era uma corrente invisível, apertando meu peito desde aquela noite no quarto de Emma. A imagem dela, chorando, o vestido rasgado, os olhos cheios de medo e repulsa, não saía da minha mente. Eu a forçara, invadira seu espaço, deixara a raiva e o desejo tomarem conta, e o peso disso me consumia. Naquela noite, eu fora fraco. O desejo por ela, aquela chama que me incendiava, me fizera cruzar uma linha que eu jurara nunca ultrapassar. E agora, dias depois, eu ainda não conseguia encará-la. Evitava os corredores onde ela poderia estar, mantinha-me trancado no escritório quando em casa, mas mesmo assim, ela estava em todos os lugares — nos meus pensamentos, nos meus sonhos, no vazio que sua ausência deixava.O escritório estava envolto na penumbra da manhã, o sol lutando para atravessar as cortinas pesadas, sai tão cedo que nem o café tomei em minha própria casa. Eu estava sentado à mesa de carvalho, os relatórios do porto espalhados à minha frente, mas minha mente não estava
EmmaOs dias se arrastaram como uma névoa densa, cada um mais silencioso que o anterior. Desde aquela noite no meu quarto, quando Dante invadiu meu espaço com fúria nos olhos e um toque que queimava, eu não o vi mais. A memória daquele momento ainda me fazia estremecer — a alça rasgada do vestido, o olhar faminto. Ele me soltara, envergonhado, e desaparecera, mas suas palavras ecoavam em minha mente como um aviso: a ameaça de me entregar a Salazar, o homem que, segundo ele, me destruiria sem piedade. Eu sabia que ele não cumprira a promessa, e isso, de alguma forma, me aliviava. Mas o alívio vinha misturado com um peso — a certeza de que Dante ainda controlava cada detalhe da minha vida, mesmo estando ausente.Passei esses dias evitando os corredores onde ele poderia estar, mantendo-me ocupada com Luca. O menino era um raio de luz em meio à opressão da mansão, sua risada enchendo o jardim enquanto desenhamos com giz ou corríamos atrás de borboletas. Hoje, sob o sol quente da manhã, es
DanteA raiva borbulhava em meu peito como um vulcão prestes a erupcionar, cada passo que eu dava pelas escadas da mansão ecoando como um trovão no silêncio da noite. Como ela ousava? Emma, com seus olhos castanhos flamejantes e sua língua afiada, me tratando como se eu fosse um sequestrador comum, um homem sem honra, quando tudo o que eu fizera era salvá-la de um destino pior. O jantar fora uma humilhação — ela me provocando sobre prostitutas, acusando-me de sequestro, saindo da mesa como se eu não fosse o dono daquela casa, o homem que controlava vidas e mortes com um simples gesto. Desrespeito. Dentro da minha própria casa, onde minha palavra era lei, onde ninguém ousava me desafiar. Meu punho se fechou, os nós dos dedos brancos, enquanto eu me dirigia ao quarto dela, a fúria cegando qualquer resquício de razão.Eu me sentia um idiota por ter tentado ser gentil, por perguntar sobre sua mãe, sobre seus sonhos de medicina. Ela me via como um monstro, e talvez eu fosse, mas ela não en
EmmaColoquei Luca para dormir e estava voltando para o meu quarto quando vi Maria. A expressão dela era uma mistura de preocupação e determinação, o avental impecável como sempre, mas os olhos carregando um aviso que eu já conhecia.— Emma — disse ela, a voz calma, mas com um tom que não admitia recusa. — O senhor Dante quer que você jante com ele hoje à noite.Minhas entranhas se contraíram. Jantar com ele? O almoço já havia sido um teste de paciência, com seus olhos negros me estudando como se eu fosse um enigma a ser desvendado. A ideia de compartilhar outra refeição, de enfrentar aquele olhar novamente, fez meu coração disparar de receio.— Por quê? — perguntei, levantando-me, a voz mais aguda do que eu pretendia. — Por que ele quer fazer todas essas refeições comigo? O que ele quer de verdade?Maria suspirou, cruzando os braços, o rosto suavizando por um instante.— Isso você vai ter que perguntar a ele, menina. Eu só passo o recado.A resposta dela não me tranquilizou. Dante er
DanteO escritório estava envolto na penumbra da tarde, a luz filtrada pelas cortinas de veludo pesado lançando sombras que dançavam nas estantes de livros encadernados em couro. O aroma de tabaco e madeira polida impregnava o ar, misturado à tensão que eu carregava como uma segunda pele. Sentado à mesa de carvalho, o charuto queimava lentamente entre meus dedos, a brasa refletindo nos relatórios espalhados à minha frente. Listas de carregamentos do porto, mapas de rotas clandestinas, nomes de contatos — cada detalhe era uma peça no tabuleiro do meu império, um jogo que eu dominava com precisão cirúrgica. O cartel não dormia, e eu não podia me dar ao luxo de hesitar. Um erro, por menor que fosse, poderia derrubar tudo o que construíra.Um toque seco na porta interrompeu meus pensamentos. Marco entrou, o rosto marcado por cicatrizes que narravam anos de lealdade e violência. Ele era meu braço direito, o homem que executava minhas ordens sem vacilar, mas cujos olhos sempre pareciam busc
Último capítulo