Emma
O sol da manhã filtrava-se pelas cortinas do meu quarto, lançando sombras suaves no chão de madeira. Eu estava sentada na beira da cama, ainda vestindo a blusa preta que escolhera ontem, a mente girando com os eventos do jantar. A voz grave de Dante ecoava em meus pensamentos, suas palavras sobre a faculdade, sobre a dívida do meu pai, sobre a confiança que eu precisava conquistar. Ele comandava o cartel, tinha olhos em cada canto da cidade. Fugir seria como tentar escapar de uma rede invisível, e, se o que ele dizia sobre Salazar era verdade, o território daquele monstro era uma ameaça ainda maior. Ele achava que eu lhe pertencia, e essa ideia me fazia estremecer.
Olhei pela janela, o jardim lá fora tão belo quanto opressivo, um lembrete de que a mansão de Dante era uma fortaleza. Aqui, pelo menos, eu estava segura — ou tão segura quanto se pode estar na casa de um criminoso. Mas segurança não era liberdade, e eu não me curvaria tão facilmente. Se não podia escapar agora, faria